Nos últimos fins-de-semana tenho dado preferência às aldeias que menos representadas estão aqui no blog em imagem, pelo menos em quantidade. Percorrendo o arquivo do blog dei-me conta que Santa Marinha era uma dessas aldeias pois até hoje apenas tinha tido direito a meia dúzia de imagens. Recorrendo ao meu arquivo fotográfico, dei também conta que de Santa Marinha tinha poucas imagens e motivos, muito menos. Havia que lá ir de novo à caça de imagens, e fui. No último fim-de-semana toca a ir pelo Brunheiro acima, pelo sítio do costume, ou seja Peto de Lagarelhos, Lagarelhos e depois a opção de ir por um lado e vir pelo outro. Optei por ir pelas bandas de Santiago.
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Lá em cima, já no planalto do brunheiro, gosto de andar às voltas e fazê-las ao contrário. Assim, em vez de ter ido direto a Santa Marinha, resolvi primeiro passar por Gondar e depois Nogueira da Montanha. Na montanha todas as aldeias são interessantes, mas é angustiante entrar nelas e não ver vivalma, não fosse aquilo a que parecia ser a hora do recreio na escola primária de Nogueira da Montanha, e pensaria ter entrado numa aldeia deserta, despovoada de vida, onde apenas o milenar (dizem que é) castanheiro do largo insiste em resistir e todos os anos dizer presente.
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Como de Nogueira tenho fotos em arquivo de anteriores passagens e desde então nada mudou, rumei então a Santa Marinha. Lá chegado, compreendi a razão do meu arquivo estar tão despovoado de imagens na pasta de Santa Marinha, pois esta aldeia é uma das mais pequenas do concelho e por isso, por lá não abundam muitos motivos e, aqueles que despertavam para um clique, já as tinha registado em passagens anteriores.
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Curiosamente há poucas casas mas há sempre vida na aldeia. Pouca porque gente também é pouca, mas há gente e à boa maneira antiga, também há sempre animais. Nos registos anteriores, eram mais gatos, desta vez a receção foi feita por um cão, daqueles que metem respeito e costumam guardar os rebanhos da montanha e que, têm cabedal suficiente para arrumar ou pelo menos afugentar um lobo. Olhou para nós, fez questão de se manifestar e dizer que estava presente, mas como entendeu que íamos por bem, resolveu deitar-se à beira da estrada a descansar o corpo, mas sempre de olho ou ouvido nos intrusos.
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Voltando à aldeia, onde as casas novas ainda se erguem e onde também há novas recuperações de antigas construções. No entanto, como o casario novo não me atrai, pelo menos para trazer aqui em imagem, fui-me repetindo e ficado em olhares pelas construções mais antigas e nas recuperações da Rua do Rei que sempre vão mostrando o ar da graça do granito à vista nas paredes. Claro que a capela também é de registo obrigatório, nem que seja por estar lá aconchegadinha no meio das casas onde até a sua simplicidade lhe dá alguma graça.
E por terras de Santa Marinha é tudo, por hoje, pois dentro das imagens possíveis e olhares seletivos, pela certa que ainda passará por aqui mais vezes.