Discursos Sobre a Cidade - Por Isabel Seixas
Cemitérios Vivos
Olá Pai
Estamos em junho que não parece Junho
a cidade aufere de chilreares de défice de cunho,
de um povo que já espera sem poder esperar
até com lágrimas secas de quem está a implorar
O retrato do País revela-se até nas promoções,
em montras silenciosas de tanto gritar emoções
só podemos comprar géneros e vender-nos,
ou aos nossos filhos, para fora, outros governos...
e Tu perdoa-me, quero, mas não sei se vou conseguir
que os meus filhos fiquem na nossa cidade a prosseguir
talvez um dia... depois de emigrar para trabalhar, voltem
E possas sossegar sem ansiedade e espiritos que revoltem
agora ainda passeamos contigo no coração e nas ruas daqui
alegres tristes bucólicos em Chaves, horizontes de ti em ti...
Tua filha
Isabel




