Pedra de Toque - As Novelas
AS NOVELAS
Fala-se delas muitas vezes em tom depreciativo.
Dizem alguns que são vistas ou lidas só por fúteis, só por ignorantes.
Para esses, as novelas que as televisões exibem e conquistam audiências (os parolos…), são todas de fraca qualidade e mal representadas.
Vê-las é perder tempo e deixar de aprender com acalorados debates, boas séries ou interessantes documentários.
No nosso entendimento, generalizar, in casu, é um autêntico disparate.
Vamos por partes.
Consagrados escritores portugueses e não só, escreveram ótimas novelas.
Outros deram o seu contributo para adaptação ao género de notáveis obras literárias contribuindo para a produção e realização. Estou-me a lembrar dos nossos irmãos do outro lado do Atlântico, de novelas extraordinárias apreciadíssimas em todo o mundo.
À guisa de exemplo, menciono a Gabriela, a Tieta do Agreste, o Bem Amado, o Astro (agora em nova versão), podendo elencar ainda muitas outras.
Reconheço que algumas portuguesas que têm passado na TVI e que por vezes “espreito” não me agradam e por isso não as sigo.
Estórias similares e repetitivas, servidas por diálogos fracos e sem conteúdo, mal interpretadas por atores (alguns bons) que certamente dispõem de pouco tempo para o estudo das personagens e por outros (as) que não têm nada mais que um palmo de cara e um corpo vistoso.
Admito melhorias técnicas e lamento não ter visto a novela premiada por falta de oportunidade.
A SIC agora apoiada na enorme experiência da Globo, tem melhorado a qualidade das que produz, o que merece aplauso.
Vale contudo a pena apreciar as novelas brasileiras produzidas pela dita Globo.
Se é certo que chegam algumas demasiado açucaradas que não devem merecer a atenção do público mais exigente, outras passam superiormente realizadas e interpretadas cujos enredos espelham com nitidez, inteligência e por vezes até com poesia, a sociedade brasileira com os seus dramas e problemas, muitos deles transversais porque preocupam a humanidade nos tempos que correm.
Escrevo esta crónica porque me tenho deliciado assistindo à novela que a SIC transmite a desoras e que tem por título “Insensato Coração”.
Muito bem dirigida e realizada, sempre com ritmo apreciável, a trama é-nos contada por um elenco de estupendos atores e atrizes que nos colam ao televisor.
Dentre eles permito-me destacar três incontornáveis figuras do teatro, cinema e televisão do Brasil porque nos brindam com interpretações geniais, fabulosas.
Refiro-me aos consagrados António Fagundes, Glória Pires e porque não Natália do Vale.
Amante desde sempre da arte de representar, também não me é indiferente o trabalho do restante elenco que, sem quebras, consegue manter um nível superior.
Dentro em breve, estreia o remake da Gabriela, inspirada na obra do grande Jorge Amado que, segundo notícias, está a obter enorme êxito nas terras de Cabral.
Não perderei, porque li e reli o romance e porque apreciei imenso a primeira versão que nos anos 70/80 conseguiu estrondoso sucesso no nosso país.
Termino pedindo aos que me leem que vejam primeiro as novelas que as televisões transmitem e que só depois critiquem e digam de sua justiça.
António Roque





