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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Ago12

Discursos Sobre a Cidade - Por José Carlos Barros

 

 

O QUE TROUXEMOS DE CHAVES

 

um texto de José Carlos Barros

 

 

 

1.

Antigamente, a gente ia a Chaves fazer o quê? E trouxemos de lá o quê?

 

2.

Em Boticas, no final dos anos sessenta do século passado, fazíamos cabanas com ramos e folhas dos plátanos no meio da avenida, e era reduzida a probabilidade estatística de termos que desmontá-las para que um automóvel pudesse passar subindo ao Eiró ou descendo a caminho da Vila. Porque quase não havia automóveis fora da estrada que vinha de Chaves ao largo do Toural.

 

Não era já como nos anos vinte, claro. O jornal de Boticas, por esse tempo, noticiava a chegada à Vila do senhor doutor António Granjo, vindo de Chaves para um dia de trabalho -- ou, o mais certo, para se encontrar e conspirar com os correlegionários políticos na salinha interior da Farmácia Martins. E em letra de forma escarrapachava a data de partida do senhor padre Pedro para as suas férias na Póvoa de Varzim, atenta a relevância, desde logo por raridade, do acontecimento. Claro que não era já assim nos anos sessenta e nos anos setenta. E ir a Chaves, então, era já uma coisa de costume, de rotina, sem lugar a notícias no Echos -- e ia-se já de vacances para a Póvoa ou para a foz do Cávado, em Ofir, sem que isso, não sendo propriamente de frequência desusada, desse lugar a notícias num periódico regional e regionalista. 

 

As crianças andavam na rua. O anexim não se repetia por algum especial gosto em trazer ao quotidiano as manifestaçõs genuínas do folclore: dizia-se

 

"parece que pariu aqui a galega"

 

porque de facto éramos às dezenas, os petizes, a correr atrás de uma bola ou a andar de bicicleta pelos carreiros ou a inventar jogos de tarde inteira do género o guarda e o pilha. Não havia internet nem plataformas digitais nem consolas de vídeo. E quando em Junho de 1974 o Sporting venceu o Benfica na Taça de Portugal, eu e o Bau, sem facebook para nos metermos em casa ou no Cyber a enviar mensagens e a fazer comentários e a carregar nos likes, saímos para ao pé da igreja a acenar com duas bandeiras verdes aos poucos carros que passavam.

 

3.

(Mas já nos estamos a desviar do assunto.)

 

4.

Compreende-se que não fôssemos a Chaves por dá cá aquela palha. Mesmo os que prosseguiam estudos em Chaves -- e eram poucos os que prosseguiam estudos, e menos ainda os que os prosseguiam em Chaves -- ficavam lá à semana: os vinte quilómetros que separavam a vila e a cidade eram, então, ainda coisa de respeito.

 

Íamos lá, portanto, fazer o quê? Cada um terá a sua memória própria. A minha -- da infância e do princípio da adolescência -- lembra-me que ir a Chaves se misturava entre a alegria -- e o pé-atrás; entre o fascínio das luzes da Feira dos Santos -- e a chatice do consultório de oftalmologia; entre os sumois na Sissi --  e os corredores velhos do hospital velho e o cheiro a anestesias quando íamos de visita a um familiar acamado; entre o tumulto dos jogos do Desportivo contra o Riopele -- e o terror da cadeira do dentista; entre a euforia lenta de entrar na Ana Maria para comprar um romance ou no quiosque com a ansiedade de ver se a Tele-Semana já estava nas bancas -- e a seca de uma tarde em lojas cinzentas a experimentar as calças e os casacos do inverno.

 

Depois crescemos. Depois descobrimos a cidade verdadeiramente e nela nos perdemos às vezes ainda com a ilusão que permanece de que era para nos encontrarmos que às vezes mais nos perdíamos. Depois era o liceu e era o amor e eram os primeiros projectos de começarmos a mudar o mundo. Depois era o futebol e a literatura. Depois eram as olaias do Largo das Freiras e os copos de vinho em tabernas escusas. Depois eram os automóveis e a noite, depois era a manhã a nascer por detrás de um monte, depois era o sol do Verão iluminando as paredes dos edifícios como nunca mais nenhum sol iluminou uma rua ou um rosto -- e o nevoeiro tão espesso, dias seguidos, que podíamos moldá-lo e esculpir uma pirâmide efémera ou uma bola quase de cristal com os segredos do mundo lá dentro.

 

O que fica, tantos anos depois, disto tudo?

 

Talvez o liceu e a sala dezanove. Talvez um poema publicado num suplemento literário de um jornal da província. Talvez uma árvore no Tabolado, a sua sombra desenhando um perímetro de defesa, e umas mãos que se misturam à procura dos primeiros nomes verdadeiros. Talvez os amigos. Talvez, sempre, os amigos: os amigos que bebiam traçados no balcão corrido do Faustino e vinho em seis tabernas escusas e cerveja em copos de litro numa mesa próxima do rio; os amigos que jogavam à bola no Picadeiro ou no campo do Desportivo nos treinos juvenis de captação; talvez as casas dos amigos onde jogávamos xadrez ou passávamos noites a jogar às cartas ou uma garagem onde dançávamos ao som de um gira-discos. Talvez um baile de máscaras. Talvez um degrau na rua Direita onde enterrámos a cabeça nas mãos a iniciarmo-nos na consciência da possibilidade definitiva das perdas e da estupidez da velocidade. Talvez os matraquilhos montados em barracas com elementos metálicos pintados em letras maiúsculas nas margens do Tâmega. Talvez um baile no Jardim Público. Talvez uma tipografia na Rua de Santo António e o ruído melódico das máquinas de impressão. Talvez as mãos em segredo por baixo da mesa de um bar como se a felicidade não fosse uma coisa assim tão distante como vem descrito nos livros. Talvez o cheiro a gases queimados de um barracão imenso onde apanhávamos a camioneta da carreira. Talvez os bilhetes rasurados onde marcámos encontros clandestinos. Talvez um pio-pardo caçado com invulgar perícia nas traseiras da casa do Santo Amaro. Talvez um quadro do Nadir e um texto do Fernão de Magalhães Gonçalves. Talvez uma conversa literária. Talvez um riso, talvez uma lágrima. Talvez um automóvel com seis pessoas a meio da noite a caminho de Espanha. Talvez uma navalha na cervejaria Romana. Talvez a ilusão de que uma boa parte do mundo -- cidades, estrelas, mulheres -- nos haveriam de pertencer para sempre. Talvez a certeza de que éramos justos e dignos e imensos em todos os crimes que acabávamos por cometer.

 

5.

É isto, tanto, tão pouco, o que fica de uma cidade tantos anos depois. Imagens vagas, memórias atravessadas por encontros e ausências, pelo sentimento da dádiva, pela incerteza definitiva das perdas.

 

Porque de Chaves, como quase sempre acontece, trazíamos o que levávamos, levávamos o que trazíamos -- somando-se a isso, e subtraindo-se, tudo quanto éramos ou julgávamos ser.

 

E depois, quase sempre, regressávamos à Vila na camioneta da carreira ou num automóvel que gostávamos, antes das curvas de Sapelos, de confrontar com a nossa ideia de que os perigos nos haveriam de continuar a acompanhar a vida toda.

 

E regressávamos, portanto, a Boticas quando fosse o fim da tarde ou a manhã começasse a nascer por cima dos montes.

 

6.

E só os perigos continuam, ainda, sempre, a acompanhar-nos um dia depois do outro.

 

30
Ago12

O Homem sem Memória (117) - Por João Madureira

 

O Homem Sem Memória


Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 

Ficção

 

117 – José também fez anotações sobre o Alcorão. E perguntarão os estimados leitores onde diabo arranjou ele em 1974 livro tão maldito no Ocidente e quase inexistente em Portugal. Pois podem perguntar dado que a resposta não é fácil de dar. Mas tudo neste mundo tem explicação. Ou quase.


Não se esqueçam de que o nosso herói dos tempos modernos andou no seminário e frequentou várias casas de distintos burgueses que podiam ler pouco mas tinham orgulho em possuir uma biblioteca farta com as obras mais importantes da cultura universal, devidamente organizadas e arrumadas em sóbrias estantes onde as empregadas da limpeza limpavam o pó com tenacidade. E com 99% dos livros tão virgens como a santa mais virgem da cristandade ali fechados na sua sapiente inutilidade.


O José podia ser um ladrão de livros, isso até nós o admitimos sem trairmos a sua biografia autorizada, mas foi um ladrão culto e cultivado. Além de extremamente seletivo nos seus furtos, era também extraordinariamente meticuloso e, até, íntegro. Não roubava mais de uma obra por biblioteca. Com a devida exceção do seminário de onde surripiou três: Apologia de Sócrates, de Platão; O Alcorão e Bhagavad-Guitá (Poema Sagrado e O Canto do Bem-Aventurado).


Como em casa possuía apenas a edição censurada de Os Lusíadas que se utilizava nos liceus, pilhou uma boa edição clássica da casa do professor Matias, num dia de tertúlia bem avinhada enquanto o professor se perdia de amores por um seu colega de profissão recentemente colocado em Névoa.


Roubou o Hamlet de Shakespeare mesmo nas barbas do doutor Américo, que era míope como uma porta. Em troca escreveu-lhe lindos poemas de amor para o advogado enviar à sua jovem amante, que também era amante do doutor Inácio, um colega do doutor Américo, mas seu rival político, dado que um se dizia republicano legalista e o outro se afirmava monárquico miguelista e trauliteiro.


Ambos e dois, como se diz na minha terra, eram mentirosos, pois o republicano legalista era apenas simpatizante moderado do Estado Novo e o monárquico não era nada trauliteiro, pois mal podia com um gato pelo rabo e desmaiava mal avistava sangue. Também a amante de ambos devia muito à verdade, pois dizendo amá-los, detestava-os por igual. A amar alguém, amava o tal professor que era a perdição do professor Matias. Só que este amava a filha da empregada de sua casa, mas em segredo porque a sua família burguesa proibia parvoíces determinantemente desse género. Mas avancemos.


Da casa do doutor Inácio furtou A República de Platão. Em troca organizou uma sessão de fados e guitarradas e escreveu-lhe também lindos poemas de amor para enviar à mulher do doutor Américo, que tinha sido a sua primeira namorada, e ainda era o amor da sua vida, e por isso é que tinha investido tudo na conquista da amante do seu rival.


Da biblioteca do médico Amílcar, um robusto comunista ateu até à medula, roubou as Confissões de Santo Agostinho. Em troca jurou que se ia converter ao comunismo e casar com a sua filha mais velha que era ainda mais feia do que a filha mais velha da madrasta da Gata Borralheira.


Da casa do senhor Armindo da farmácia surripiou a Odisseia de Homero. Este foi em troca do que a sua mãe gastava na botica.


Da casa do padre Luís fanou A Origem das Espécies de Charles Darwin. Em troca insultou-o, amigavelmente claro está, acusando-o de mulherengo, comilão e agnóstico.


Da casa do fascista Duarte Portugal, ainda mais crente nos camisas negras italianos do que Salazar e Rolão Preto, roubou a Divina Comédia de Dante, numa edição primorosa e caríssima. Em troca disse-lhe, baixinho, para ninguém o ouvir, que se fosse foder ele mais o Mussolini e mais os cabrões dos camisas negras que eram uns miseráveis devoradores de pizzas, raviolis, queijo parmesão, spaghetti e outras merdas pelo estilo.


Fausto de Goethe fanou-o a um tenente nazi, potentíssimo com os seus subordinados, mas impotente na cama da sua legítima esposa, do qual omitimos o nome para manter o devido recato na senhora e a devida honra no cavalheiro. Em troca escreveu um poema em memória de Ernest Röhm, depois de lhe ouvir contar que ele era homossexual assumido, e que por isso teve muitos inimigos. Não se esquecendo de referir que, inclusive, este seu ídolo chegou a advogar a homossexualidade para as SA. Depois contou-lhe da Noite das Facas Longas, em 1934. E lembrou ao José, como se fosse necessário, que embora Hitler o estimasse pela sua capacidade de gestão e pela lealdade à causa nazi, não tardou em considerá-lo como um obstáculo à sua autoridade, devido à rejeição de que era alvo na estrutura de poder que rodeava o Führer. E no fim, já depois de ter bebido uma garrafa de aguardente velha, contou, banhado em lágrimas, que na madrugada de 30 de junho de 1934 Ernest Röhm foi preso pessoalmente por Hitler e, resistindo à ordem de detenção, foi levado à força para a prisão de Stadelheim. Aí recusou uma pistola para "cometer suicídio com honra". Foi morto por guardas SS, os seus diletos rivais.


Extorquiu ainda outros livros de casa de colegas e amigos, de entre os quais destacamos Assim Falava Zaratustra de Friedrich Nietzsche. Depois de o ter transportado para casa dentro do bolso do sobretudo, chegou a levá-lo de novo para a estante do seu legítimo dono. Tornou a roubá-lo numa noite de bebedeira e de novo se arrependeu, por isso carregou-o novamente no bolso do sobretudo e colocou-o na prateleira de onde o tinha levado. E andou neste traz e leva durante um mês inteiro. O seu arrependimento era inconstante devido ao facto do pai do seu amigo afirmar que ora o Eça era o maior romancista português, ora era o Camilo Castelo Branco.


Se havia uma coisa sagrada para o José era a sua firme convicção de que Eça de Queirós era um génio, enquanto o Camilo era um romântico rústico e palavroso. Mas o que o levou a decidir-se definitivamente pelo furto foi a afirmação do senhor Augusto acusando A Relíquia de ser uma obra menor. Aí não se conteve, foi até à biblioteca, pretextando uma consulta qualquer, e surripiou o Nietzsche para nunca mais o devolver. Em troca ensinou o copinho de leite do Mário Aníbal a enrolar cigarros e a fumá-los sem se engasgar, a jogar o chincalhão e o sapo, a beber vinho tinto nas tabernas e a comer bolos de bacalhau de uma só dentada.


O Contrato Social de Rousseau desviou-o da biblioteca de uma professora de francês da Escola Comercial, viúva inconsolável pois o seu marido tinha sido morto na Guiné um dia antes do seu regresso definitivo à metrópole. Em troca, foi seu amante durante um mês e meio.


Apropriou-se ainda indevidamente do Discurso do Método de Descartes, na biblioteca do José Almeida, um fanático do cinema mudo, enquanto assistia à projeção de um filme rodado em superoito, onde entravam várias raparigas e rapazes fazendo de raparigas e rapazes que corriam nus por uma encosta acima ali para os lados de Boticas. Em troca emprestou-lhe três Cahiers du Cinéma com críticas esplêndidas a Godard que trocou por um volume de revistas do Tintim encadernados pelo filho do GNR Pires.  


Surripiou ainda a Areopagítica (Discurso sobra a liberdade de expressão), de John Milton, da biblioteca do chefe local da PIDE-DGS, que era pai do Aníbal. Em troca ensinou o seu grande amigo a fazer charros e a chegar fogo ao metano que expelia pelo ânus, o que provocava o riso incontrolado do seu irmão que era epilético, manco e vesgo, mas conseguia imitar a voz de Marcelo Caetano ainda melhor do que o próprio Marcelo Caetano.


Roubou Sobre a Liberdade, de John Stuart Mill, ao chefe da prisão de Névoa, que era conhecido do seu pai. Em troca gravou ao filho uma cassete do Made in Japan dos Deep Purple.


Rapinou Utopia de Thomas More, ao presidente da Câmara de Névoa. Em troca cagou-lhe à porta no 1º de Dezembro.


Desviou ainda o Elogio da Loucura de Erasmo ao Maneca Castro, um excelente guitarrista de fado, contrabandista de armas, chulo e pederasta, que gostava de foder as mulheres com o cano do seu revólver prateado.


Roubou O Príncipe da biblioteca do pai do Carlos Borges, dono da Pensão Nevoense, um rapaz que gostava muito de fotografar meninas vestidas e rapazes nus, além de adorar dançar de t-shirt, calções justos e muito curtos, e de avental enquanto limpava o pó com uma vassourinha de penas lilases no quarto onde reunia com os seus amigos. No dia do furto, o José foi primeiro à biblioteca com a desculpa de que ia consultar a enciclopédia. Mas o seu faro de cão livreiro conduziu-o na direção do livro de Maquiavel. De seguida subiu ao Vinte e Três e deu com o Carlos a dançar freneticamente enquanto se meneava de forma esquisita. Mal o viu entrar, o filho do dono da pensão lançou-se-lhe nos braços e deu-lhe um beijo nos lábios. O José apenas disse: “Não me fodas a paciência Carlos, não te iludas nem estragues a nossa amizade. Eu não sou paneleiro.


Furtou A Arte da Guerra de Sun Tsu da biblioteca da prisão da GNR. O que originou uma repreensão por escrito ao cabo Silvério. O livro saiu da prisão na cesta da Dona Rosa. Ela só o descobriu quando chegou a casa. Preocupada, escondeu-o. Depois falou disso ao seu filho. Ele confirmou o furto. Ela disse então que o melhor era devolvê-lo, ao que ele respondeu como devia. Admitir o furto só ia piorar a sua situação. A mãe concordou, mas lembrou que alguém ia sofrer as consequências. A sorte calhou ao cabo Silvério que era o responsável pela biblioteca. Apesar de amigo da família, não tinha a suficiente relação de proximidade para desatar uma onda de solidariedade que levasse a família Ferreira a entregar o livro. Entre o cabo e o seu filho, a Dona Rosa nem sequer hesitou um segundo.


Da biblioteca da Sociedade Nevoense surripiou uma edição de luxo do D. Quixote de La Mancha, de Cervantes, com belíssimas ilustrações de Gustave Doré, numa noite de passagem de ano, quando no edifício já tudo estava grosso. Aqui abriu uma exceção, em vez de um livro, que neste caso eram quatro, roubou ainda Moby Dick, Herman Melville também uma edição de luxo, bem ilustrada e excelentemente encadernada.


Da biblioteca do Liceu roubou o Malhadinhas de Aquilino Ribeiro, um livro sem capas, que leu de uma assentada. E também foi do Liceu que levou de forma imprópria o livro que lhe iria determinar a existência e ditar o destino: O Processo de Franz Kafka. Mal o começou a ler ficou alucinado. Teve a sensação de que tinha sido ele quem o tinha escrito. No fundo era o fiel guião da sua vida dali a alguns anos. A primeira frase era premonitória: “Alguém devia ter caluniado Josef K., visto que uma manhã o prenderam, embora ele não tivesse feito qualquer mal.”


Mas ainda é cedo para antecipar cenários. Voltemos então às leituras anotadas do José.


 

118 – Transcrevemos mais algumas ...

 

(continua)

 

28
Ago12

Couto de Dornelas - Barroso

 

Hoje deveríamos ter por aqui a habitual crónica das terças-feiras, a “Pedra de Toque” de António Roque, mas não vai acontecer por uns tempitos, pelo menos enquanto o seu autor estiver em gozo de férias. Boas férias.




Entretanto aproveitamos as terças-feiras para ir cumprindo a promessa de trazer aqui a região de Chaves e as terras dos concelhos vizinhos. Hoje vamos até Couto de Dornelas, terra do Barroso, do concelho de Boticas desde há muito afamada pela festa comunitária de S. Sebastião.




Mas do Sebastião vamos dando conta quando a festa acontece, pelo menos enquanto formos por lá, pois o Couto de Dornelas não é só o S. Sebastião e a tradição. Também tem casario, lugares interessantes e pessoas que quer seja em festa ou sem festa, sempre nos receberam bem, como os barrosões sabem receber e por isso estamos-lhes gratos e é sempre com agrado que vamos por lá.




Terra de cultura e de cultura. A cultura de um povo com toda a singularidade dos povos interiores barrosões mas também a cultura da música e a cultura do reconhecimento dos homens das letras, nem que fosse e só nos recortes de jornal que fazem a decoração das paredes do café, onde Saramago alinha ao lado de Torga, de António Lobo Antunes, de Bento da Cruz, com lugar ainda para os símbolos da liberdade como o Salgueiro Maia, entre outros símbolos e reconhecimentos. Mas de todos, agradou-me ver por lá o Torga e Bento da Cruz ao nível dos grandes, onde aliás está merecidamente pela sua arte da escrita e de tão bem contar as estórias do Barroso.




São estas pequenas surpresas que fazem com que venha de lá sempre agradado, mas também por encontrar por lá sempre gente amiga, que sejam residentes ou que como eu vão porque gostam, gente que também na sua terra são símbolos e fora dela embaixadores.




Mas queria terminar com um filho da terra, o Alberto, que sempre nos recebia com a sua simpatia no S. Sebastião e que vamos estranhar a sua ausência na próxima festa ou na próxima visita a Couto de Dornelas, mesmo com a ausência anunciada quando ele nos ia prevenindo que estas suas fotos pela certa seriam as últimas. Ficou o registo do seu sorriso que sempre esboçava para a objetiva e a minha humilde homenagem.



27
Ago12

Intermitências - Paragens do Interior

 

Paragens do interior

 

 

Há sempre alguém sentado numa paragem de autocarro. À espera de uma mudança ou apenas de si próprio. Hoje decidi fazer-me à estrada, com mochila às costas e bloco de notas na mão.

 

Primeira paragem. Notas melancólicas num sítio feito para gente que não tem nada a perder.

 

“ – Deus pôs-nos aqui por uma razão: falarmos uns com os outros. E eu falo a cantar –, dizia Bobby Womack, o último soulman ainda vivo que viveu tudo: pobreza extrema, casamentos impróprios, relações mais impróprias, morte de irmãos e filhos, divórcios, drogas – e conseguiu sempre voltar. Também eu, um entre milhões, fantasma numa aldeia longe do dito mundo civilizado, tenho uma paixão desmedida por notas de “rhythm and blues”… É que a sinto mesmo essa maldita tristeza! Sempre vivi sozinho e, a não ser de tempos em tempos alguns familiares mais chegados, nunca levo ninguém a casa. Tenho lá um pequeno altar dedicado ao soul, que adquiri ao longo dos anos em alfarrabistas e antiquários. Todos os dias, como bom pecador, entro na minha igreja para ver, ouvir, tocar, cheirar e saborear o amor e a paz. Esta é a minha fé, o que aí sinto é o céu. Quando canto, não falo como o Womack, existo apenas. Assim na terra, como no céu”.


Fotografia de Sandra Pereira


Segunda paragem. Ilusões desfeitas num sítio feito para gente que se quer esquecer a si própria.

 

“- Queremos sempre convencer-nos de que nunca estamos sós. Para isso é que existem a família e os amigos, não são para as ocasiões, ora não é verdade? Não olhe para mim com essa cara! Não acredita? Pois eu também não. O homem é interesseiro! Somos todos uns grandes egoístas, é o que é. Já pensou? Também nós somos uma moeda de troca como o euro e o dólar, por isso é que gostamos tanto do dinheirinho! Está a olhar para o meu tinto? Não quer um gole? Pois há-de querer, é o que eu lhe digo! Também eu um dia acreditei no amor incondicional, que vem de cá de dentro, que há sentimentos bonitos que não se explicam… Mas ninguém vai ter com alguém só porque “gosta” dele. Pense lá bem. Há sempre algo em troca ou não? Se o outro não lhe dá o “troco” que espera ou acha que merece, perdoa sempre? Regressa sempre? Só se tiver algum interesse! Nem que seja o da certeza de não ser consumido pelo veneno dos homens. E porque havemos nós de merecer algo? Quer que lhe diga? Eu não precisei de filósofos nenhuns! O homem? O homem é um cobarde”.

 

Terceira paragem. Memórias sofridas num sítio feito para gente que deixou de existir.

 

“Gosto de escrever… Também tenho manias com a pontuação, como o Saramago... Todas as minhas frases acabam em reticências… Antes escrevia muito, porque pressinto coisas… Não sou supersticioso, nem místico... Só tenho a 4ª classe, mas tenho muito instinto... Antes seguia-os, ajudava pessoas e depois passava tudo para o papel... Depois ardeu tudo... A casa, a família, as letras... E hoje pergunto, como foi possível não ter tido essa premonição… Vi tudo devorado pelo fogo... E eu e a minha fé… Hoje ainda alinho umas frases, acabam todas em reticências…”

 

Quarta paragem. Frases soltas num sítio feito para gente que não se importa de esperar.

 

“Fui-me embora da terra onde nasci e voltei. Às vezes, arrependo-me. Outras, penso que a vida não tem nada melhor a oferecer do que isto. O que faz os lugares não são as pessoas? Aquelas que a gente gosta e que gostam de nós? Pois é aí que devemos estar. E depois lutar para ser melhor. Eu estive fora, agora estou cá, e sempre lutei. Não pelas mesmas coisas, nem com as mesmas armas, mas sempre lutei. O importante é ter algo que nos dê força para saber existir e lutar. Ah! E erguer os olhos aos céus para não ter muitas desgraças… Aqui não há emoções, mas há sentimento. E basta. A mim só me interessa paz e sossego, o resto eu aguento”.



Fotografia de Sandra Pereira


Quinta paragem. Histórias inesperadas num sítio feito para gente que teima em procurar uma ordem inscrita nas estrelas.

 

“Sou uma pessoa simples, dizem-me. Pois sou! Vou complicar o quê? Fico aqui sentadinho, quando não tenho que fazer e estou de barriga cheia, à espera… De nada, claro, mas que mais posso fazer senão esperar? Isto aqui é muito calmo, mas até é bonito. Já viu como se vêem bem as estrelas daqui? Muitas vezes, penso que sou tão insignificante como elas, lá longe e perdidas no céu, e depois, quando a gente menos espera, sai-nos cada uma! Uma vez, chegou-se um caminheiro ao pé de mim. Vinha de longe! Dos Estados Unidos! Dei-lhe um golito de vinho e ele contou-me que caminhava para viver, para mudar de camisa todos os dias, para não pensar e pensar ao mesmo tempo, para tentar ser ele próprio. Disse-me que eu estava bem aqui sentado, que o mundo está entulhado de coisas que entulham a cabeça e os olhos das pessoas e as tornam violentas, selvagens, más mesmo. Disse-me que no país dele, as pessoas se auto consomem sem reparar que é isso que as auto destrói. Pelo menos eu, dizia ele, olho para a terra, para o céu, para a água e para a gente, que no fundo é o que ele faz também quando caminha para tentar não permanecer demasiado tempo ao pé de pessoas que só olham para coisas que podem tocar e possuir. Vê-lo assim todo suado, magrinho e tudo, até tive pena, não sei lá o que deixou lá na terra dele…E depois tive pena de mim, até me vieram as lágrimas os olhos! Eu que me achava um condenado, um renegado por Deus que só veio a este mundo para trabalhar para comer, trabalhar para comer, numa roda infernal que nunca pára de girar… Faz algum sentido tudo isto? Depois, o americano lá continuou o caminho. Disse-me que, enquanto eu estivesse aqui sentado, toda a humanidade que interessa conhecer viria ter comigo, mas que ele tinha boas pernas para percorrê-la até morrer…”

 

Há sempre alguém sentado numa paragem de autocarro, simplesmente porque estas não devem o seu nome ao acaso. Parar é render-se às evidências.

 

Sandra Pereira


27
Ago12

Quem conta um ponto... Um, dois, três...contos outra vez

 

Um, dois e três… contos outra vez

 

1 – A galinha garnizé


Não é minimamente aceitável que se faça pouco da inteligência das galinhas garnizés. Não sendo tão grandes como as outras, são mais aguerridas, mais carinhosas com os pintainhos, mais defensoras do seu território, mais independentes dos galos, mais poedeiras, mais mexidas, decididas e guerreiras. Sabem adivinhar os eclipses da Lua e o vento Norte. Eu conheço uma que dança de roda quando houve música do Marco Paulo, que salta quando vê um padre e que cacareja ao contrário quando avista uma bruxa das más (Ai Mimi, Mimi, finalmente chegaste a um conto meu). Também adivinha os dias de trovoada e as noites de geada negra. É tão atenta e perspicaz que descobre um mentiroso pelo sorriso, um caloteiro pela maneira como se senta e um político invejoso pela grafia. Tem esta galinha garnizé o condão de se rir nos dias santos, sem que ninguém lho sugira. É também muito piedosa, muito tolerante com os outros e, sobretudo, sobe e desce escadas com uma pata só. Gosta muito de passear de carro, sobretudo de descer a Rua de Santo António aos domingos, especialmente quando as pessoas saem da missa. Nas noites de Natal canta lindas canções que ouve na televisão. Chegou a assistir a uma missa do galo e cacarejou com tanta ventura que a vaquinha e o burrinho choraram lágrimas verdadeiras e até o menino Jesus do presépio se sorriu. O que também é um milagre e, mesmo que pareça trivial, cai muito bem numa noite de consoada que é a festa da família onde os animais têm o mais honroso papel.

 

2 - O boi da corte

 

Veem o Larouco lá em baixo? Era ali que eu gostava de viver, entre a relva fresca e verde, entre as nuvens, o ar puro e os animais selvagens. Tudo menos andar rodeado de seres humanos que apenas me utilizam para competir simbolicamente em nome do seu pretérito orgulho tribal. E eu não gosto mesmo nada de andar por aí às marradas aos outros bois como se eles fossem os meus inimigos. Inimigos são os homens que me fustigam o lombo com as varas quando vou para o campo de batalha, quando perco a luta ou mesmo quando a ganho. Tristes ou alegres, derrotados ou vitoriosos, dão-me sempre com os varapaus nos costados. E eu ali a aguentar o desaforo. Por vezes só me apetece lançar-me a eles às cornadas e projetá-los lá bem para longe. O que eu queria de verdade era andar por esses pastos fora em liberdade e não fazer o papel de boi da Corte, como antigamente os bobos eram obrigados a representar aos pés do seu rei. Antigamente éramos os bois do povo, agora somos os bois dos parvos ou de um patrão que nos utiliza como animais amestrados de circo. E lá se foi a simbologia totémica, a virilidade serrana, a força telúrica do seminal. O que mais desejo é ver-me livre destes patetas e ir correr à desfilada por esses campos fora à procura de uma vaca que me espere e deseje. Uma vaca redondinha, amável e prazenteira. O resto é-me indiferente. E por agora é tudo, porque já ali vem o meu tratador para me levar para o estábulo. E eu que enjoo quando ando na camioneta. Ó triste sina a minha!

 

3 - O solilóquio libidinoso sobre um boi de barroso feito por uma digressionista ocasional logo após uma chega

 

Vou filmar este bicho espantoso enclausurado dentro do contentor da camioneta. Depois da vitória, o encarceramento. Ó desconsolada ironia! Já filmei o animal a turrar com o seu competidor. Já o filmei a resfolegar. Até já o cinematografei a espumar de irritação. É um magnífico animal, sem dúvida. Uma autêntica força da natureza. Um cântico à virilidade. E que genitais, meu deus! Que genitais! Que quadris! Que força! Quando mostrar isto à Lili de certeza que vai alterar-se copiosamente e sorrir. Ela adora animais potentes. Ela é doida por genitais. Tudo o que sugere virilidade a aproxima da parede. E ela adora ser encostada à parede. Ou estendida no chão. Ou assentada metodicamente numa mesa. Este toiro bravo faz-me evocar o Manuel. Era ele um autêntico beligerante. Era montês a esgrimir gládios. Era arrojado e destemido. Saracoteava com muito talento a silvestre agitação dos guerreiros. Agora vou confecionar um grande plano do frontispício do viril bovino para cinematografar os seus olhos. Olhos serenos. Olhos diligentes. E que genitais, meu deus! Vou também filmar os chifres. Armadura alta. Arnês apontando ao céu. E que genitais, meu deus! Também tem o dorso bem desenhado, pernas enérgicas e locomoção segura. E que genitais, meu deus! Que potência! São testículos telúricos. Uma ejaculação deste bichano deve ser como uma trovoada de Verão. Tem os músculos bem tonificados. E que genitais, meu deus! Nunca pensei que existisse realidade tão magnificente. A penetração dum bicho destes deve deixar a fêmea em estado de deslumbramento. Quando se desloca parece dócil. Mas quando investe contra o adversário até o piso tirita. Provoca cútis de galinha e tremores na espinha aos indivíduos alterosos. E que genitais, meu deus! Que genitais! Genitais destes são um excelso cântico à multiplicação indómita. E o Manelinho!? Bem, o Manelinho quando observar estas expressivas imagens vai dar saltinhos de contentamento. Vai emitir gritinhos de luxúria. Vai irradiar vagidos sincréticos e apologéticos. Mas que genitais, deus meu! Que opulência reprodutora! Que idiossincrasia indomável! Que estratégia construtiva! Que genialidade! Que genitais, meu deus! Que genes e tais! Bem alentados os genes. Bem ocorridos os garanhões informais. Bem-aventurados esses.


João Madureira



27
Ago12

De regresso à cidade

 

E cá estamos nós de novo de regresso à cidade, tal como todas as segundas-feiras, para início de uma semana que se prevê mais calma, pois chegou a hora de muitos dizerem adeus à terrinha com um até pró ano.

 

Claro que em imagem fazemos a entrada com aquilo que temos de mais nobre em Chaves, mas também com aquilo que vai ficando esquecido e a todos vai passando despercebido.




Imagens que para alguns também trazem de regresso memórias das pessoas e amigos que habitaram os lugares. Amigos de tempos de juventude que um dia também partiram para nunca mais regressarem. As vezes também acontece.

 

Ainda para hoje temos duas crónicas – Quem conta um ponto… - de João Madureira a acontecer às 9 da manhã e as “Intermitências” de Sandra Pereira a acontecerem às 5H30 da tarde. Até lá!



26
Ago12

Outeiro Seco - Chaves - Portugal

 

Hoje vamos mais uma vez até Outeiro Seco, que por sinal é uma das aldeias que mais tenho fotografado, mas, nas publicações que aqui deixo acabo por cair quase sempre nos mesmos motivos, e a razão é simples, caio sempre naquilo que Outeiro Seco vai tendo de melhor.

 

As capelas, o Igreja Medieval, o cruzeiro e o Solar dos Montalvões, mesmo estando este último em ruínas, ainda vai deixando à vista o ar da sua graça, ou pelo menos da graça que teve, pois embora ainda fotogénico, mete dó o seu estado atual, tal como a quinta que o acolhe.



Quanto ao casario, que se desenvolveu fundamentalmente ao longo da estrada, embora até em PDM tenha núcleo protegido, algumas intervenções menos felizes deram cabo da uniformidade daquele que poderia ser considerado casario tradicional rural, e não são só as intervenções mais recentes, pois algumas suponho serem já dos anos 50 a 70. E tanto assim é, que pessoalmente não vejo razão para ter núcleo protegido, aliás não é caso único, pois penso que os dedos de uma mão devem chegar para as aldeias que hoje em dia mantêm ainda núcleos com interesse.




Assim não admira que embora o meu arquivo até esteja recheado de fotos de Outeiro Seco, as que passam por aqui acabem quase sempre por serem da Igreja Medieval e do Solar, isto dentro daquilo que são os meus gostos, claro, pois as modernidades nas aldeias não me seduzem muito.



25
Ago12

Pecados e Picardias - Por Isabel Seixas

 

Pecados e picardias

 

A crescer…,Como crescemos, alguns…

 

Liceu … Fernão de Magalhães

 

 

 

 

Bem…

No âmago da puberdade

Em que as incertezas

São a  mais pura verdade

E são memória as subtilezas

 

As histórias eclodiram

Em memórias que perduram

E há algumas cristalizadas

Nas mentes arrumadas

 

A nossa história começou …

Num tempo

Em que o alento

E o desalento

Se cruzavam

Em que era importante

Ser filho de gente

Importante

E os outros para alguns

Faziam parte do cenário

 

Nesse dia

Com dez anos

Ano lectivo 1971/1972

A lição nº cem festejamos

As duas turmas do 1º ano

Exclusivamente femininas

Incorporam as meninas

Que a despontar… os rapazes espreitamos

 

Com roupas

Pelas mães arranjadas

Normalmente dos irmãos herdadas

Corríamos a jogar ao lenço

Parávamos à passagem do professor

E fazíamos mais silêncio

 

Sentia-se a diferença

E a desigualdade

Alguns tratam-nas com indiferença

Outros com despeito e maldade

 

 

Mas na hora do recreio

No intervalo maior

Os bolos da Maria

Saneiam qualquer de cotovelo dor

E o degustar dos pastéis

Com cremes de chila e pasteleiro

Trazem uma forma de amor

Que por dez tostões

Alimentam os neurónios com o asseio

De quem na vida às vezes agonia

 

Começamos na turma A

Só por si já selectiva

Logo nas primeiras aulas

Identificávamos as diva

As meninas do quadro de honra

Que logo se vislumbravam

Normalmente eram de cá

Eram as que se invejavam

 

Os primeiros anos

De socialização

Aludiam à capacidade

De adaptação 

Dificilmente havia enganos

As regras eram verdade

 

Lembro-me bem do recreio

E do intervalo grande

Das patas de veado do comercial

Do Ibéria algumas vezes na missão de pau-de-cabeleira

Quando os pais incumbiam aos mais novos o dever de ser coleira …

 

 

Recordo os meninos bem

Que admirávamos num espanto torgueiro mudo

Nem por isso muito snobes

Nem vitimas de edema de proa agudo

Na maioria simpáticos e solidários

Embora filhos de Deus maior …que Deus Tem

Eram a esperança de uns futuros… áridos …

 

(…)

Continua

 

Isabel seixas

In “Chaves Musa Inspiradora”



25
Ago12

Aldeias da Raia - Aveleda

 

No último fim-de-semana iniciava aqui mais uma “crónica” que eu intitulei “Aldeias da Raia”. A promessa é para cumprir, mas vão ter que me dar um tempinho para fazer a recolha fotográfica e documental. Entretanto vamos ficando neste espaço com algumas aldeias e lugares da raia do lado português onde às vezes também se avistam terras da Galiza.

 

A foto de hoje é das montanhas da raia, ali logo juntinho de Aveleda, como quem vai para Segirei. Aliás, na foto, consegue-se ver um pequeno troço da estrada de ligação entre as duas aldeias, que se vai desenhando como o percurso de um rio no encontro das montanhas.



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