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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

25
Jan14

Samaiões - A Ruralidade versus Urbanidade de uma aldeia

 

Então vamos lá mais uma vez até às nossas aldeias, até à nossa ruralidade, no caso, a aldeia de Samaiões.

 

Começo pela dúvida de se vamos, ou não, até à nossa ruralidade, isto é, se para ir até à ruralidade de Samaiões chegamos a sair de qualquer urbe e, isto, poderá ter dois sentidos que deixo aqui ao vosso critério em duas questões: 1 – Saímos realmente de uma urbe para entrar na ruralidade?; 2 – Será que precisamos de sair da urbe para entramos em Samaiões?

 

 

Pois na realidade hoje e sempre, quer na anterior freguesia de Samaiões, quer agora na atual freguesia a que Samaiões pertence (Madalena/Samaiões), sempre teve como uma das fronteiras a freguesia de Santa Maria Maior, ou seja, a freguesia do coração da cidade onde a urbe tem e sempre teve o seu centro histórico, e daí poder-se considerar uma freguesia urbana ou se quisermos ser mais precisos, uma freguesia periurbana.

 

 

Estamos explicados, ou quase, pois desde início que não prescindi do termo ruralidade de Samaiões, porque de facto a aldeia de Samaiões, pese a proximidade da cidade, é em tudo rural  e pouco ou nada difere de uma das nossas aldeias de montanha, até no despovoamento, envelhecimento da sua população e abandono do casario rústico tradicional.

 

 

Não quero com o discurso anterior desprestigiar a aldeia de Samaiões, antes pelo contrário, pois é uma aldeia única, com todas as características rurais quase inalteradas e a um passo da cidade, ou seja, poderia, ou poderá ainda ser uma aldeia que é o sonho de muitos – viver a ruralidade dentro (ou quase) da cidade.  

 

 

25
Jan14

Pedra de Toque - A Geração "Orpheu"

 

A GERAÇÃO DO “ORPHEU”

 

Há poucos dias, o meu estimado sobrinho Henrique Souza de Azevedo, um jovem e brilhante diplomata, pelos vistos interessado nas coisas da arte, o que me apraz registar, postou no seu mural do face, um extraordinário quadro de Amadeo de Souza Cardoso, o pintor nascido em Manhufe – Amarante, em 1887.

 

Amadeo, que morreu muito jovem a 14 de Novembro de 1918, tão só com 31 anos, ceifado pela pneumónica, com a sua curta obra modernista, conseguiu abalar o provincianismo reinante na época, o que lhe valeu algumas afrontas nas exposições que levou a cabo no Porto e em Lisboa, pouco antes do seu decesso.

 

Cozinha da Casa de Manhufe, c. 1913, óleo sobre madeira, 29,2 x 49,6 cm de Amadeu de Souza Cardozo

 

Amadeo, juntou-se a outros nomes de elevada grandeza no mundo das letras e das artes que, reunidos na revista “Orpheu”, publicaram textos e reproduziram pintura e desenhos.

 

Logo, os dois primeiros números da revista, editados em 1915, tinham, entre outros, textos de Almada Negreiros, de Mário Sá Carneiro e de Fernando Pessoa, que usou o seu heterónimo de Álvaro de Campos.

 

Também Amadeo, como Santa-Rita Pintor, integraram a geração do Orpheu mas durante pouco tempo, porque a morte os levou em consequência da referenciada epidemia.

 

Sá Carneiro não conseguiu suportar a depressão que o atormentava e em Paris, com 26 anos, num quarto de hotel tomou estricnina e despediu-se tragicamente da vida deixando uma obra poética ímpar e ainda hoje extremamente lida e apreciada.

 

Mário de Sá Carneiro

 

Fernando Pessoa, o genial Pessoa, o homem que foi Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Bernardino Soares (quiçá para além de outros muito menos conhecidos), deixou-nos em 1935, aos 47 anos num fim de vida extremamente difícil e fisicamente degradante.

 

Ficou contudo, para nós e para o mundo, uma genial obra, sobretudo poética, a cuja qualidade se renderam e rendem homens e mulheres de todos os continentes.

 

Foi Almada Negreiros, com quem julgo me cruzei uma ou outra vez nas ruas de Lisboa, o intelectual da “Orpheu”, de maior longevidade.

 

Retrato de Fernando Pessoa, 1954, óleo sobre tela, 201 x 201 cm, de Almada Negreiros

 

Partiu aos 77 anos, em 1970, um ano após se ter dado a conhecer ao povo português numa entrevista a Raul Solnado, no saudoso programa televisivo Zip-Zip.

 

A sua clarividência, a sua cultura, o seu discurso simples, escorreito e profundo, permitiram um momento superior de televisão que ficou certamente na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de o ouvir.

 

Dramaturgo, poeta, escritor, ensaísta (o Manifesto Anti-Dantas, entre outros textos) e sobretudo pintor, deixou painéis, frescos (Gare Marítima da Rocha de Conde de Óbidos) e inúmeros quadros e desenhos.

 

Almada Negreiros -- Auto-retrato

 

 

Amigo de Fernando Pessoa, imortalizou o poeta que muito admirava, no célebre quadro em que este está sentado à mesa do restaurante Irmãos Unidos.

 

A geração do Orpheu não foi uma ínclita geração, mas foi um conjunto de personalidades eivadas de talento desmedido, que ficaram e ficarão para sempre nos compêndios da cultura e da arte portuguesas.

 

António Roque

 

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