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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

26
Jan14

Almorfe - Chaves - Portugal

 

Passei montes de vezes por esta placa que mesmo meio disfarçada por entre a vegetação sempre foi bem visível e, de cada vez que passava por ela ia dizendo – tenho de ir ali. Pois o tempo foi passando e Almorfe ia ficando sempre na placa, pois um ou outro destino iam sendo sempre mais fortes que aquela viragem à direita. Contudo chegou um dia em que já tinha percorrido todas as aldeias do concelho, algumas mais que uma vez, e Almorfe continuava a zeros. Pois foi mesmo nesse dia que me decidi, propositadamente,  de vira os meus destinos para aquela que era a última aldeia do concelho a ser registada fotograficamente pela minha objetiva. Era o dia 20 de outubro de 2007, precisamente às 16 horas. Com a era do digital é fácil sabermos por onde andamos, a que horas e em que dia…

 

 

Confesso que depois desse dia só mais uma vez passei por lá, em dia de neve, para um registo muito rápido, mas tenho de voltar lá, pois no meu arquivo apenas contam vinte e pouca fotografias mas apenas com meia dúzia de motivos.

 

 

Na realidade também não devem haver muitos motivos diferentes daqueles que registei em 2007, pois se há aldeias pequenas, Almorfe é uma delas, mas pela certa que há pormenores e, sá sabemos que no que toca a pormenores singulares, as nossas aldeias são uma mina de ouro por explorar. Há sempre um pormenor à nossa espera.

 

 

Um dia destes volto por lá. Para já ficam quatro imagens de aquivo,  das tais vinte e poucas fotos que registei há uns anos atrás.

 

 

26
Jan14

Pecados e picardias

 

 

A Taverna

 

A taverna cheia de odores

Os melhores…idílicos sabores

Alimento da libido …das papilas

Escrutinando prazeres essas meninas

 

Prazeres frequentes obrigatórios

Guardados nas subtilezas da cozinha

Transformados em aromas invocatórios

Da inteligência da cozinheira dona Bertinha

 

Nesta hora da refeição …tanta gente

Como sentia a solidão… presente

Tinha de servir rapidamente o prato do dia

Era a pressa do retomar o trabalho do dia a dia

 

Desde a manhã  a trabalhar …

Já começava a sentir o cansar

Mas hoje ia ser um dia diferente

Vinha o javardo e ela ia estar presente

 

Os homens…

Ignoravam  as  mulheres…sempre

Mas ela estava lá fazendo-se ausente

E às ordens…

 

Pensavam que ela não existia

O homem esse… para ele era a criada

Nunca demonstrava ver o seu ar de cansada

Nem a solidão que transmitia

 

Quantas vezes sonhava com a liberdade

Aquela de não ter de fazer nada

Quando a vida lhe desagradava

A vida de solteira …que saudade

 

Sentia o peso da dureza do dia  a dia

Sempre que fazer as compras e o comer

O cansaço tirava-lhe agora a alegria

Que em tempos a sua face transmitia.

 

O homem à noite já nem a procurava

Ia para a cama já ela estava deitada

Fazia que dormia embora acordada

Aquela nostalgia até de madrugada

 

Mas hoje ia ficar a pé até tarde

Queria ver o que o javardo trazia

Perceber qual o motivo de euforia

O que na sua presença provocava alarde…

 

O javardo não lhe saía da cabeça

Mal  podia esperar pela noite

Olhou para a comida na mesa

Acabou de almoçar à pressa…

 

O homem pouco comeu

Ela sabia que estava agitado

Sabia o que aconteceu

Tinha a cabeça no passado…

 

Perdeu a noção do tempo

Em que se tinham desencontrado

Onde ficou todo o alento

E o entusiasmo? Tudo acabado…

 

E a culpa ? De quem foi?

Sua …Dele…da vida

Agora unidos pela rotina

Acostumou-se, já nem dói…

 

Tinha de lavar a loiça

Preparar as merendas

Para ela era pouca coisa

Aguentava… até as contendas…

 

Fez pataniscas de bacalhau

Colocou-as dentro do balcão

Polvo com molho de colorau

Estufou moelas com açafrão

 

Hoje a excitação evitava o cansaço

Queria descobrir de uma vez por todas

O que se passava quando ele chegava

Há algum tempo que desconfiava

 

Apesar do movimento da tarde

Sentiu que ia custar a passar

Tinha mesmo que disfarçar

A ansiedade dor que arde

 

No fundo nunca se conformou

Com as desditas de ser mulher

Até consigo própria barafustou

Por se render à falta de poder

 

Mas um dia percebeu com clareza

O poder que tinha …à mesma

Quando o homem  perdia o olhar

Em regaços proibidos…de tocar

 

 

Isabel Seixas

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