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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

26
Fev14

Chá de Urze com Flores de Torga - 25

 

Todos nós temos os nossos livros de mesinha de cabeceira. Lá em casa, na mesinha de cabeceira dos meus pais estava sempre a “Missão Abreviada” do Padre Manuel do Couto. Penso que era lá que a minha mãe ia procurar o consolo e as respostas para os seus dias. Gostaria de ter a fé da minha mãe e encontrar o consolo e respostas aos meus dias numa única missão abreviada qualquer, mas cada um vê o mundo com o seu olhar e uma missão abreviada talvez não chegue para os meus desassossegos.

 

A minha mesinha de cabeceira esteve sempre reservada aos poetas, nenhum em especial, mas vais sendo ocupada com aqueles que mais gosto e que mais consolo e respostas dão aos meus dias. Nos últimos anos a maioria do consolo e as respostas aos meus dias têm-me sido dados pelos Diários de Torga, que, com a brevidade das leituras de mesinha de cabeceira, leio e releio, e, mesmo que não encontre o consolo, têm sempre a profundidade de me darem algumas respostas aos meus dias.

 

Pois vai ser com essa brevidade que partilho aqui a minha leitura de mesinha de cabeceira de hoje:

 

Lisboa, 22 de Outubro de 1965

 

É uma dor de alma ver uma terra bonita como esta a servir de cenário a tanta coisa feia.

Miguel Torga, In Diário X

 

 

Coimbra, 10 de Dezembro de 1965

 

Cartas do ofício. Lá me esforcei, e lá foram algumas. Mas cada vez as escrevo com menos convicção, e dia a dia vou deixando mais no tinteiro. Quem as espera quer o que não posso honradamente dar-lhe. Na maioria dos casos, o que vai só leva descontentamento onde chega. Que o diga a fúria de certas ressacas… E acabo por concluir que o melhor ainda é ficar-se a gente pela crua sinceridade do silêncio.

Miguel Torga, In Diário X

 

Vila Real, 24 de Dezembro de 1965

 

Estou sentado no café a comparar o redil citadino que tenho à volta com um acampamento de ciganos que vi esta manhã. Que mundo desencantado, o dos sedentários, e que universo maravilhoso o dos nómadas! Num, a desumanidade convivente; no outro, a humana confraternização. Lá, uma nação de saltimbancos livres e felizes; aqui, um conglomerado de infelizes e peadas solidões.

Miguel Torga, In Diário X

 

 

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