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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

21
Fev14

Discursos Sobre a Cidade - Por José Carlos Barros


 

 

Em todos os poemas há/ a casa

 

José Carlos Barros

 

 

Em todos os poemas há
a casa. Para que tudo possa começar
onde deve começar. No pátio
e na escaleira da entrada. Na porta
pintada de verde com o forro de zinco. Nos retratos
a sépia pendurados nas paredes
da sala. Na pedra da lareira. Nos corredores
a dar para a sombra dos quartos. Na varanda.
O mundo é uma repetida enunciação.

Depois vem a luz do verão. A luz intensa
que em vez das palavras
desloca os objectos. Uma travessa
de cerâmica. Um pote de ferro. O assador
das castanhas. A luz que fica agarrada aos vidros
das janelas. A luz que espalha nas traves do soalho
os losangos de haver muitas
afastadas vozes misturadas
às folhas dos álamos jovens.

E o inverno. Para que a tempestade
traga de longe o rumor do vento nos arames
das vinhas. Para que uma sombra possa repetir
todas as sombras
que o labirinto da idade abateu
sobre os corações desabitados.

Em todos os poemas há
a casa. Porque a casa é também o lugar
das viagens: numa manhã dos meses de junho
alguém fala do tempo antigo das mulheres do rio
de janeiro como se a sede
pudesse matar-se com a água do cântaro
arrumado ao lado do escano.

Uma fotografia guardada num álbum
de fotografias. Numa das salas da casa.
Numa das gavetas da cómoda
que não sabemos se alguém
vai abrir. O poema. A desvalorizada moeda.
Onde havia uma casa
e o verão e o inverno
subiram um dia a escaleira de pedra.

 

 

20
Fev14

Cidade de Chaves - Pormenores que nos passam ao lado


Não exagero se disser que passei por esta porta uns milhares de vezes e as contas são boas de fazer – quatro vezes por dia durante uns bons anos  - e o curioso é que durante todo esse tempo nunca dei por ela. Uma porta comum se não fossem os pormenores de belezas que hoje já não se fazem.  Propositadamente não digo onde ela se localiza para que, tal como eu, um dia tenha o prazer de a descobrir e atentar nos pormenores e se calha, também tal como eu, já passou por ela milhares de vezes sem nunca a ter visto.

20
Fev14

O Homem Sem Memória - 191


 

O Homem Sem Memória

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 

Ficção

 

191 – “Por favor, mãe… Não, não, não me batas mais. Mãe. Não. Não fui eu quem roubou as maçãs à Dona Quinhas”, gritava o José momentos antes de abrir os olhos e ver que quem lhe dava bofetadas não era a Dona Rosa mas sim os esbirros de Alberto Punhal.

 

“Torcionários. Reacionários. Filhos da…” “Toma, toma, toma, toma mais esta e esta e ainda mais esta. Esta é por Lenine, esta por Marx, esta por Estaline, esta por Punhal e esta por mim e mais esta e esta e ainda mais esta. Tu cansas-me… E esta pela revolução que tu queres trair, besta reacionária…” “Reacionário és tu, filho da…” “Toma, toma, toma lá mais esta e esta, filho de uma cadela burguesa. Esta é por Marx, esta por Lenine, esta por Fidel, esta por Punhal, e mais esta por…” “Para, para, que o matas à lambada. Usa os processos, mas a modinho. Usa mas não abuses destes reciclados métodos ecologistas de tortura. As ordens são para obrigá-lo a confessar, não para o matar. Pelo menos para já. E as ordens são para ser cumpridas. Afinal vivemos num estado de direito socialista, a caminho do comunismo, ah, ah, ah... O preso tem os seus direitos… ah, ah, ah...” “Quais direitos, qual caralho! O direito deste cão reacionário é levar porrada. Porrada e mais porrada. Onde já se viu um transmontaneco de merda vir para aqui fazer pouco de todos nós. E do Partido. Enquanto eu puder, aqui na nossa terra ninguém brinca com a revolução, nem com as suas conquistas. Traz a vergasta que o vamos açoitar até confessar.” Pausa. “Reacionário, filho de uma cadela burguesa…” “Reacionário és tu, filho da…” “Toma, toma, toma, toma mais esta e ainda mais esta. Esta é por Fidel e esta por Che e esta por Lenine e esta por Marx e ainda esta outra por Estaline e ainda mais esta por Punhal… Traz lá a merda da vergasta, que já me começam a doer as mãos.” Pausa. “Reacionário, filho da…” “Toma, toma, toma lá mais esta e mais esta e mais esta e ainda mais esta. Esta por Lenine, esta por Marx e mais estas todas pelos revolucionários de cujos nomes agora não me lembro... Tu cansas-me… E não confessa, este filho de uma cadela reacionária…” Nova pausa, pois o prisioneiro voltou a desmaiar. “Foda-se, estou esgotado. Agora é a tua vez, meu trotskista de merda.” “ Não me chames isso nem a brincar.” “Olha, olha. Continua sem sentidos. Será que está morto?” “Morto não está porque ainda respira. Mas já não lhe falta tudo.” “Este filho de uma cadela reacionária não confessa nada.” “Pudera, tu, além de ainda não lhe teres feito nenhuma pergunta, nem sequer o deixas falar.” “Não vês que ele mal abre a boca insulta-me logo.” “É a sua tática.” “Talvez a sua tática o leve à morte.” “E achas que ele se importa?” “Ninguém gosta de morrer. Isso eu sei.” “Mas observando a maneira como ele se aguenta, penso que deves estar enganado. A forma como te provoca leva-me a pensar o contrário.” “Deixa-te de filosofias baratas e passa-me aí o vergalho.” “Com o vergalho não. Isso não. As ordens do camarada diretor são para obrigá-lo a confessar, não desancá-lo com porrada até à morte. Se lhe malhas com o vergalho, o pobre do homem não aguenta. O vergalho é para usar muito a modinho. E por especialistas. Exige muito treino e outra tanta sabedoria. Nas mãos de um brutamontes como tu é uma arma letal.” “Com as mãos já não consigo mais. É a tua vez.” “Não, não é. Então não sabes que eu é que estou escalado para fazer de torturador bom. Tu malhas e eu observo. Também quem mandou gabares-te ao chefe de que tens umas manápulas de gigante. Mais a mais, alguém tem de estar atento para ouvir a sua confissão. Afinal é isso que todos pretendemos. Olha, olha, está a acordar de novo. Vamos voltar ao trabalho.” “Eu não posso mais, já não sinto as mãos. Só continuo a tarefa se for com o vergalho.” “Não insistas, como chefe desta brigada de tortura proíbo-te de usares tal arma.” Pausa. Afinal o José não chegou a despertar, como o torturador bom tinha sugerido. Cansado de esperar, o torturador com manápulas de gigante, foi-se ao José e de novo o começou a esbofetear com toda a determinação revolucionária. E o José: “Não, mãe, não fui eu que roubei os rebuçados ao azeiteiro. Não me batas.” “Eu não sou a tua mãe. Sou um dos muitos camaradas que traíste. Tu traíste-nos a todos. Confessa. Toma, toma, toma, toma. Esta é por Lenine, esta é por Marx, esta é por Punhal, esta por Ho Che Ming…” “Não é Ho Che Ming é Ho Chi Minh…” “E a quem é que isso interessa? Porque não vens tu continuar a tarefa a ver se ele confessa.” “O que queres que ele confesse?” “Não te armes em intelectual. Queremos que confesse a sua traição. Afinal ele é um traidor. Traiu o Partido, os camaradas e a revolução. Não existe pior traição. Ele tem de confessar a sua traição.” “É aí que te enganas. Ele pensa que não traiu nada nem ninguém. Ele pensa que os traidores somos nós.” “Essa é a sua maior traição. Vai lá buscar o vergalho. Ele vai confessar, e de joelhos, como os católicos.” “Não insista no vergalho.” “Toma, toma, toma, toma lá mais esta, reacionário, traidor da classe operária, traidor da revolução, traidor do marxismo-leninismo…” “Reacionário és tu. Tu é que devias confessar a tua traição. Torcionário, reacionário, filho da…” “Toma, toma, toma. Esta é por Fidel, esta por Lenine, esta por Marx, esta é pelo seu amigo de quem agora não me lembra o nome, mas que também tinha barbas e era um comunista retinto, esta é por…” “Deixa lá, que o prisioneiro voltou a desmaiar. Vou chamar o médico e mandá-lo para a cela. Amanhã é outro dia.”

 

Depois da visita do médico da prisão, o José deu acordo de si e, virando-se para os torturadores, disse: “Até amanhã, camaradas.” “Além de traidor e reacionário é provocador. Isto só de vergalho é que lá vai.” “Estou que nem com isso”, concluiu o torturador bom já pronto a deixar de o ser. 

 

192 – Triste sina a do José. Na República Democrática do Norte era considerado um ...

 

(continua)

 

19
Fev14

Chá de Urze com Flores de Torga - 24


 

 

Já sei que os leitores de blogues e de coisas na Net não são dados a textos longos, mas de vez em quando tem de ser. Hoje é um desses dias, em que o blog foi buscar um texto sobre Torga, de autoria de José Carlos Vasconcelos, publicado em 6 de Junho de 1989 no JL Jornal de Letras, Artes e Ideias, aquando Torga foi galardoado com o Prémio Camões, o primeiro, com Torga a inaugurar um prémio instituído pelos governos do Brasil e Portugal  para atribuir aos autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da Língua Portuguesa.

 


 

 

A profissão de médico

e o destino de escritor...

 

Por causa

de uma vírgula...

 

Miguel Torga mostra-me algumas folhas, já passadas à máquina do original em que está a trabalhar, uma espécie de "puzzle" de papéis recortados e colados uns sobre os outros. É que mesmo já após a fase inicial, de escrita à mão, emenda constantemente, as operações de "trabalhos manuais", corte e cola, vão-se sucedendo. E quando manda as laudas para a tipografia, elas chegam a ter sete e oito colagens, ficam quase com dois milímetros de espessura. - dir-me-á mais tarde o padre Valentim.

 

“Todos os dias Torga se levanta cedo e faz dez a quinze minutos de ginástica. Depois de um pequeno-almoço frugal toma o autocarro para ir para a Baixa, para o concultório, onde escreve.”

 

O escritor, porém, não se fica por aí. Quando chega a altura de rever as provas, continuam as emendas. Passa, então, muito tempo na tipografia. Chega, conta-me, "a ver umas vinte provas e pagar mais de emendas do que da composição inicial". Isto apesar da tolerância amiga da Gráfica, onde o escritor vai diariamente cheirar as tintas, e do "preço cristão" do padre Valentim: "Quando o livro entra na tipografia é um autêntico parto. O Torga, por causa de uma vírgula, é capaz de passar uma noite sem dormir".

 

O que sua filha, Clara Rocha confirma também, salientando, além do lado fantasmático do escritor, a sua "perspectiva romântica do acto de escrever", a sua "concepção da arte e da escrita como uma Graça". Clara confirma também que Torga é, em larga medida, um ser dividido, dividido entre o poeta, o médico e o cidadão, o instintivo e o cerebral, o camponês de raiz e o intelectual que de qualquer forma não deixa de ser.

 

Mais, quem é ao mesmo tempo filha e estudante da sua obra confirma igualmente o que o padre, João Fernandes, e outros seus companheiros do dia a dia, me exprimiram assim: "O que em Torga é, aparentemente, um grande orgulho, não passa às vezes de uma grande timidez"... E ele próprio escreveu já: "As pessoas confundiam no meu temperamento modéstia com orgulho, pudor com egoísmo, franqueza com agressividade, desinteresse com estratégia".

 

Outras ideias feitas sobre o escritor são-nos também desmentidas ou explicadas pelos que lhe são mais próximos, os quais, onde outros falam de um homem intratável, lhe assinalam antes simpatia, lealdade, uma grande capacidade de comunicação com as pessoas simples - ou uma simplicidade grandiosa, como a classificou um deles -, o saber ser amigo como poucos, como salienta Fernando Vale. Difícil é negar que Torga tem um feitio difícil e é bastante possessivo...

 

Quanto à sua alegada e proverbial "sovinice", também a negam, falam antes em ser poupado. "Nunca o vi cortar uma despesa numa viagem" - diz o padre Valentim. "Torga sabe, com sangue e suor, o que vale um tostão - refere Manuel Alegre e que, além de seu admirador, foi seu companheiro dos comícios do PS quando, nos tempos quentes de 75, o escritor aceitou intervir (intervenções publicadas em "Preso", sem abdicar nunca da sua feroz independência.

 

S. Martinho, as termas

As viagens

 

Se é este o quotidiano habitual de Miguel Torga em Coimbra, a sua vida tem, porém, outras constantes. Há meia dúzia de anos ainda as idas a S. Martinho de Anta eram uma delas. Pelo menos no Natal, na Páscoa e no Verão, o poeta lá ia até à sua mítica Agarez, reavivar a seiva e fortalecer as raízes: "Sempre que, prestes a sucumbir ao mobro do desalento, toco uma destas fragas, todas as energias perdidas começam de novo a correr-me nas veias. É como se recebesse instantaneamente uma transfusão de seiva". Lá ia reavivar "a lição que soletrara na dureza das fragas", apostrofando que "apenas os que cavam estão certos em Portugal".

 

Porém, mortos já os pais, quando lhe morreu também a irmã, no início de Abril de 83, tudo foi mudando - e, agora, certo, certo, em S. Martinho, só na segunda quinzena de Setembro, onde, a 22, do ano de 84, escreve no seu "Diário": "Este meu apego ao berço já não é tanto um mistério de raízes como um refrigério de cicatrizes". Torga vai passar a primeira quinzena do mês nas termas, em Chaves, com o seu amigo padre Valentim, e de seguida parte para a sua terra, onde já o esperam a mulher e a filha.

 

Nas termas, como em tudo na vida, Torga leva o tratamento muito a sério: ocorre-me lembrar que, quando o Manuel Alegre lhe apresentou Ramalho Eanes, que ficaria seu amigo, Torga deu-lhe um conselho que o anterior Presidente da República às vezes recordava. Mais ou menos assim: "Seja sério, mas não se leve a sério".

 

O poeta vai diariamente beber as suas águas e fazer os respectivos tratamentos, enquanto pelos arredores "esquadrinha" tudo que é terra, que é pedra, que é povo, pois não haverá muita gente, e se calhar nem pouca, que conheça tão bem como ele esta pátria - o Portugal de todos os seus livros - que ama de uma forma muito sua e de que, naturalmente com muitos gritos e imprecações à mistura, é um dos grandes cantores de sempre.

 

Às vezes, porém, reúne-se com alguns velhos amigos e lá quebra a dieta. O mesmo acontece, aliás, em Coimbra, quando, de tempos a tempos, agora mais raramente, vai com os seus já referidos amigos e outros, o Dr. Fernando Vale, o Fausto Correia, o António Campos, o António Arnaut, até ao restaurante do Pompeu da Malaposta, (antes de Bustos), também seu amigo e admirador. Então lá come os seus petiscos e bebe um vinho especial da casa, que o autor da "Praça da Canção" também aprecia particularmente, pelo que o seu produtor lhe chama o Vinho dos Poetas, - vinho cujos "méritos", de resto, o redactor desta prosa também já teve ocasião de comprovar…

 

Viagens, cadeia e caça

 

Outra constante da vida do poeta são as viagens. Além de viajar sem parança por dentro de si, como a sua obra bem documenta, também viaja sem detença por este país - às vezes num "pânico fervor" - e um pouco por esse mundo além. Sobretudo pelo mundo da nossa língua e da nossa história, pelo mundo da Espanha (Ibéria: "Terra nua e tamanha/Que nela coube o Velho Mundo e o Novo.../Que nela cabem Portugal e Espanha/E a loucura com asas do seu povo"), pela velha Europa ou pelo México, mais recentemente pelo Oriente, sua última jornada, quando, há dois anos apenas, foi a Macau.

 

Para o escritor estas viagens são também uma necessidade vital e um precioso estímulo para reflexão criadora sobre a vida, sobre os homens, sobre as terras, sobre a beleza e a natureza, e sempre sobre si próprio insisto, de que a sua obra é, designadamente na longa série de "Diários", documento raro na nossa literatura. Aliás, o quarto dia da "Criação do Mundo" é, fundamentalmente, a narrativa da sua primeira viagem ao estrangeiro através, de uma Espanha martirizada pela guerra civil, com a ditadura fascista - franquista a começar a impor a sua lei desumana, a caminho de uma França em que a democracia não bastou para a solidariedade mínima que se lhe impunha para com o povo vizinho. E foi a publicação desse livro, entretanto apreendido (como aconteceria a outros do autor), que, por ordem directa de Salazar - e, ao que se diz, por sugestão ou solicitação do próprio Franco -, levou Miguel Torça à cadeia do Aljube, preso pela polícia política durante meses. Aí escreveu aliás, como se sabe, alguns admiráveis poemas. E, mais tarde, quando foi ao tribunal Plenário testemunhar a favor de outros presos políticos, notaria com rigor: "Nenhum português deste século ficou a conhecer a realidade social da pátria se não passou pelos calabouços da PIDE ou por um tribunal político, mesmo só a testemunhar. Se nunca encarnou a liberdade fechado num curro, ou teve de defender o pensamento sentado no banco dos réus".

 

Constante ainda a paixão pela caça, que há quatro ou cinco anos teve de abandonar, após uma lesão no joelho de que não conseguiu recuperar totalmente. "Foi dois dias à caça, andou brutalmente, uns 40 ou 50 km, e depois..." Em vão frequentou o "Mão de Pilinha", da Académica, e veio regularmente a Lisboa para tratamentos no Kobayashi - não pôde voltar a caçar, e esse foi, garantem-no todos os amigos, um grande desgosto.

 

“ Quando o livro entra na tipografia é um autêntico parto. O Torga, por causa de uma vírgula é capaz de passar uma noite sem dormir”

 

Durante dezenas de anos Torga foi caçador inveterado, batia os montes e vales de Trás-os-Montes, com o seu amigo padre Avelino da Silva, ou ia para o Centro com o Pereira da Silva, ou para o Alentejo com o António Campos, que fora das suas andanças no PS também é caçador... E não faltam as suas histórias de caça, como as histórias que a outros contam a seu respeito. Um dia, por exemplo - já se contou aqui no JL-andava o autor de "Rua", à caça com o padre Avelino e este, face a um insucesso do seu companheiro. perguntou-lhe: "Como é que falhou o tiro, doutor?"

- "Estava-se-me a desenrolar um poema", respondeu.

 

Uma história do tempo dos "abaixo-assinados"…

 

Continuamos à conversa, uma longa conversa que não pôde ser uma entrevista Torga recusa entrevistas, com uma ou duas raríssimas excepções para O "estrangeiro", embora eu não desista de ainda lhe vir a fazer alguma - já é uma "concessão" o deixar que o fotografe, coisa a que também é avesso. Falamos da sua obra, de livros, de política, de muitas mais coisas, vêm à baila as traduções de livros seus, cada vez mais numerosas e com mais êxito, designadamente em França e Espanha, e fico a saber que o próprio poeta as acompanha, nas línguas que conhece, no caso do francês ajudado por sua mulher. A sua tradutora francesa, Claire Cayron, aliás, não só é uma excelente tradutora como uma profunda conhecedora da sua obra - e os telefonemas de Paris para Coimbra são mais do que muitos e, por vezes, longos. longos... [ à (actual) tradutora em espanhol, de que publicamos um texto nesta edição, tudo é mais fácil porque vive em Coimbra, ao pé da porta].

 

O telefone, aliás, toca bastante no consultório. E se não aparece nenhum doente, enquanto aqui estou, são várias as perguntas ou as consultas feitas por aquela via. Torga põe-se a pé, encosta-se à janela, dobra-se mais sobre o aparelho e sobre si próprio, a luz da tarde ilumina-o de perfil. Há agora uma súbita e nova humanidade, que só lhe conhecia dos livros, quando o ouço dizer e repetir, Insistentemente, quase numa súplica: "Oh rapariga não penses nisso, faz-me é o favor de ficar boa…"

 

Percebo que é uma jovem que suspeita ter uma doença incurável e grave, e que sugere talvez a possibilidade de se suicidar. E, enquanto o médico tenta convencê-la que não é isso, o poeta encoraja-a, inventa palavras para lhe dar esperança. A cena traz-me irresistivelmente à lembrança o elogio da vida feito por Chaplin nas "Luzes da Ribalta", e o que Torga escreveu algures sobre o Charlot dos "Tempos Modernos": "O génio é aquilo. É prever o futuro eternamente."

 

O poeta ouve - sabe ouvir, o que nem sempre acontece com os seus pares... -, sente-se que está preocupado ou perturbado, procura novas razões para dar alento a quem o escuta do outro lado do fio, parece que em Lisboa. E eu recordo como me parece agora diferente este homem, em relação à altura em que entrei aqui neste consultório pela primeira vez, exactamente há 24 anos. A PIDE tinha assaltado e destruído a Sociedade Portuguesa de Escritores e eu, recém-casado, voltara às pressas para Coimbra, onde fazia parte da sua delegação. Havia um abaixo-assinado (mais um...) de protesto e era importante, claro, que Torga assinasse, Os outros elementos da delegação - Paulo Quintela. Joaquim Namorado, já não sei bem se Luís de Albuquerque ou Vítor Matos e Sá - estavam todos de relações cortadas ou de candeias às avessas com o autor dos "Contos da Montanha". De forma que teria de ser eu a pedir-lhe a assinatura - eu que não o conhecia, pois a "fama" de ser insuportável e se zangar com todos que não o consideravam um génio, afastava dele a generalidade dos jovens, mesmo aqueles mais ligados às letras e que mais combatiam a ditadura, de que ele era um corajoso opositor através dos seus livros.

 

 

Cheguei ao consultório, disse que queria falar "com o sr. Dr.". a empregada mandou-me esperar, o que eu fiz, até o bem afreguesado otorrinolaringologista Adolfo Rocha acabar de ver os doentes. Enfim, ele saiu do gabinete e perguntou-me, um pouco desabridamente, o que é que eu queria. Eu lá lhe disse ao que vinha e passei-lhe para as mãos o papel. Torga leu, atentamente, julgo que releu, e após um silêncio pesado, disse só mais ou menos isto: "Parece impossível como é que um documento de escritores é tão mal escrito...". - Mas assinou. Grande escritor e grande poeta, homem de liberdade, poeta do ar livre e da liberdade, aqui e em toda a parte ("liberdade do homem sobre a terra,/ou debaixo da terra./Liberdade!/O não inconformado que se diz/A Deus, à tirania, à eternidade/(...) E é essa flor que nunca desespera/no jardim da perpétua primavera"), "irmão" de Lorca e bardo do "rosto de Cristo guerrilheiro" de Guevara, tinha de assinar…

 

Livros antiquados,

mas baratos

 

Passeamos agora no Parque da cidade, o sol vai descendo por trás do Choupal, e é exactamente dos seus livros que lhe falo - ainda edições do autor, com uma apresentação gráfica e um formato antiquados (só na Antologia Poética o padre Valentim o convenceu a utilizar outro formato em papel melhor, um verger), distribuídos, praticamente só a quem os solicita, pela Coimbra Editora, que também cobra uma verba inferior à normal do mercado, 45% sobre o preço de capa. O que tudo prejudica naturalmente a difusão das suas obras, que aliás não têm, nem nunca tiveram. qualquer forma de publicidade. Mais, o escritor, além de não autografar livros e não os dar sequer aos amigos, salvo qualquer caríssima excepção, também não os manda para os órgãos da Comunicação Social...

 

A explicação de Torga é simples, diria mesmo demasiado simples - não quer entrar nesses comércios. Sobretudo, salienta: "Quero que os meus livros sejam baratos. E nunca nenhum, excepto a Antologia, custou mais de 500$00". De resto quando. há dois ou três anos, por incumbência do meu amigo Sérgio Lacerda, lhe falei no desejo da Nova Aguillar publicar a sua Obra Completa, na sua célebre colecção em papel bíblia - em que salvo erro, é Fernando Pessoa o único escritor português contemporâneo já editado-, Torga recusou com o mesmo fundamento.

 

Apesar de tudo isto, porém, as suas obras vendem-se como raras em Portugal. E alguns dos seus livros, muito lidos nas escolas, devem ser mesmo, e de longe, recordes absolutos de venda, como é o caso dos "Bichos" e dos "Novos Cantos da Montanha", que já terão ultrapassado os 400 mil exemplares! As edições sucedem-se, ultimamente quase ao ritmo de uma por ano, e as últimas foram de 50 mil exemplares cada uma...

 

Ganhamos...

 

Estas são, pois, algumas das facetas da personalidade, demasiado rica e complexa para caber nas páginas de um jornal, do homem a que no próximo dia 10 será entregue, nos Açores, o primeiro Prémio Camões, destinado a galardoar escritores da língua portuguesa, com uma simbologia e um valor (dez mil contos) que ultrapassam largamente qualquer outra distinção até agora atribuída, não só em Portugal como em todos os outros países de língua comum.

 

"Que insondável mistério é um ser humano! (...) Por mim falo. Converso, escrevo páginas maciças de confissão, actuo, pareço transparente. E quem um dia quiser saber o que fui, terá de me adivinhar…" escreveu ele no "Diário". E assim é.

 

Assim é este homem que recebeu ao mesmo tempo com satisfação, mas também com alguma preocupação, a notícia do prémio. A ruim diz-me que considera que a distinção é sobretudo para os seus leitores fiéis. E que a alegria maior foi a de dois telegramas que recebeu de leitores desconhecidos, num dos quais se escrevia apenas: "Ganhámos"…

 

Assim é este homem que Presidentes e grandes figuras "cortejam", mas não se deixa adular, trata sempre o Poder e os poderes pelo menos com distanciamento, e entende que a arte é que tem sempre razão. Este homem a que num jantar restrito de amigos, para festejar os seus oitenta anos, apareceu de surpresa Mário Soares: este homem que me consta não responde, sequer, a certos convites de titulares de outras instâncias do Poder, recusando a simples hipótese de uns almoço: este homem que, porém, não esconde a impressão que lhe causou Samora Machel ("houve uma grande simpatia recíproca", garantem-me) o qual, a pedido de Eanes, então PR, acompanhou numa visita a Trás-os-Montes.

 

Na cerimónia em que lhe entregaram um dos vários galardões com que já foi distinguido - entre os quais se destaca o Prémio Montaigne - Miguel Torça, ao usar da palavra, contou uma parábola:

 

"Quando fiz exame da quarta classe e fiquei distinto, meu Pai, um pobre cavador sensível, chorou de alegria e comprou-me um cavaquinho no Bazar dos Três Vinténs. Foi a primeira prenda que recebi, mas, apesar de merecida, deixou-me tristes recordações. Tanto dedilhei na zanguizarra, que lhe rebentei as cordas. E, já desanimado de arranjar outras, lembrei-me de recorrer ao Xaronda, dono de uma guitarra a valer. Com restos dos bordões que por lá tivesse, poderia eu refazer a minha lira. Mas o homem não gostava de crianças. E, farto de ser importunado, numa hora de impaciência tirou-me a viola das mãos e escaqueirou-a contra uma parede. Decorridos cinquenta anos de sucessivas ilusões desfeitas, fui surpreendido pela notícia de que me queriam oferecer um novo bandolim."

 

Foi isto há duas décadas. Agora Miguel Torga, Orfeu rebelde em que a lira continua a vibrar, vai ter outro cavaquinho!...

 

José Carlos de Vasconcelos, In JL Jornal de Letras, Artes e Ideias (6 de Junho de 1989)

 

 

18
Fev14

Estratos


 

Música da fome

 

Quando passo não sinto o cheiro. Encontro-o depois. Quando volto. Quando desço a rua que subi.

 

Quando lembro. Quando olho para dentro. E de dentro.

 

A fome tem cheiro. E a dos outros mais.

 

A vergonha tem cheiro. E a nossa mais.

 

Fome dos outros tem cheiro mau. Vergonha nossa tem cheiro de morte.

 

A fome passa por nós e fica neles. A vergonha é contrato ad aeternum de nós connosco.

 

O cheiro passa por eles e entranha-se em nós. Como música que não vai embora.  Com um assalto a Le Clézio, é a música da fome. E da vergonha. 

 

Rita

 

 

17
Fev14

Quem conta um ponto...


 

Pérolas e diamantes (76): Nós deiqui i bós daí… Num quiero casa caída… Chin glin din

 

 

Parece que a nova atração flaviense é um furo de captação de água termal, no Tabolado, que até ao momento em que escrevo esta crónica atingiu 186 m dos pretendidos 250.

 

A cidade assiste deslumbrada a este fenómeno, com o efeito singular que faz com que toda a zona envolvente esteja constantemente coberta de uma nuvem de vapor de água, para gáudio dos muitos flavienses curiosos que ali se deslocam para observar no local a raridade da situação.

 

Contente também fiquei eu com a feira do fumeiro, mais conhecida como “Sabores de Chaves”. Não tanto pelo fumeiro em si, pois sei que é muito bom, mas pelo concerto dos Galandum Galundaina, na noite de dia 1 de fevereiro, realizado no pavilhão onde decorreu o certame.

 

Reconheço que eu sou um fã deste excelente grupo musical de Miranda do Douro, que se dedica ao folk português e canta exclusivamente em mirandês. Por isso fui lá vê-los e escutá-los com o mesmo entusiasmo com que os flavienses vão observar a nuvem de vapor no Tabolado.

 

E vim de lá com a barriguinha cheia de boa música e disposição condizente, pois eles aliam a boa música tradicional portuguesa/mirandesa a uns textos populares de se lhes tirar o chapéu. Ora vejam se não é assim como eu vos digo. Por exemplo, da canção “Redondo” deixo-vos aqui a primeira quadra, das quatro que constituem a moda: “Nós deiqui i bós daí, / Sodes tantos cumo nós; / Mataremos um carneiro, / Los cornos son para bós.”

 

Esta música dançava-se a “la moda cantada para ber quales beilában melhor”. E ouvimos, todos os que lá estiveram, que somos boa gente, entre outras modas o “Chin glin din”, “Se tou pai me dera”, “Nun quiero casa caída”, “Procisson, apuis baile”, “La lhoba parda”, “Pur baixo de la punte” ou “Dona Tresa”.

 

E pelo meio do concerto também cantámos e bailámos a acompanhar a boa rapaziada dos G. G.: “Sei cantar i sei beilar / sei tocar la pandeireta / quien quejir beilar cumigo / Traia musica cumpleta.” E nisto incluo o sr. presidente da Câmara que também por lá apareceu e marcou, por vezes, o ritmo com os pés. O que só lhe ficou bem. A ele e a nós, porque não dizê-lo de forma frontal e aberta, que também batemos o pé, as palmas e até cantámos.

 

E depois fomos comprar os enchidos, feitos de forma artesanal, e mesmo ali provámos uma excelente linguiça, comprada “Nos Sabores da Loja”, acompanhada com pão fresco e com o bom vinho da “Quinta de Arcossó”.

 

Outra boa notícia foi a de que nesta edição a aposta recaiu em exclusivo nos produtores de Chaves, ao contrário das edições anteriores.

 

Este ano, a feira contou com 54 expositores: 37 produtores agroalimentares, 17 pessoas dedicadas ao artesanato e mais três pavilhões institucionais. Ao todo, 72 stands ocupados.

 

Havia lá de tudo um pouco: fumeiro, pão quente, folar, pastéis de Chaves, bolos, licores, vinho, compotas, mel, bolachas, batatas, couve penca e ainda bijutaria em couro e cortiça, esculturas em madeira, madeira torneada, sabonetes, pintura, acessórios em feltro, barro preto de Vilar, bordados, croché, linho, arte decorativa e arte mariana, que é feita em arame e pedras de cristal. De tudo o exposto, ou quase tudo, foi esta denominada “arte mariana” a que nos deixou perplexos. Pois não sabemos o que quer significar nem que tipo de artesanato tradicional representa.

 

Também passámos pelas tasquinhas, que não eram tasquinhas, nem coisa que se pareça. Era apenas um barracão enorme, incaracterístico, e com uma estranha divisão territorial, pois, ao que conseguimos apurar, no mesmo espaço serviam dois restaurantes diferentes. Salvou-se a comida, que era tradicional e boa: alheira, linguiça, milhos e palhada.

 

Outra notícia curiosa relaciona-se com uma novidade. Ou melhor, duas. Ou ainda melhor, três, que foi, como todos sabemos, a conta que Deus fez.

 

A primeira novidade é a de que João Batista é o novo presidente da Comissão Política do PSD de Chaves. Quem diria, isto é aquilo que chamámos renovação partidária. Renovação e rejuvenescimento.

 

A segunda é de ordem tecnológica. O município de Chaves criou um “Guia Turístico para dispositivos móveis”.

 

A terceira é a de que o sr. presidente da Câmara é o produtor de conteúdos do citado guia. E isso fomos nós quem o descobriu quando lemos a entrevista que António Cabeleira deu à “Voz de Chaves”. Ora reparem lá na profundidade da resposta, no ritmo das palavras, no desenho das ideias, no encadeamento do texto, na refinada linguagem e na atenta pesquisa histórica.

 

A jornalista colocou a seguinte questão: “Nesta altura do ano, para além da gastronomia, que outros atrativos tem o concelho para oferecer às pessoas que o queiram visitar?”

 

O senhor presidente, tentando talvez adotar o modelo da menina do GPS, respondeu da seguinte forma: “O acolhedor centro histórico e a área de lazer junto ao Tâmega são um convite a um passeio tranquilo.” E depois convida a entrevistadora: “Sem pressa, comece pelo Castelo. No interior das muralhas, passeie pelas Vias Augustas, um conjunto de casas pintadas com cores vivas.” Claro que se esqueceu de avisar que deve, o visitante, usar, para sua proteção, um capacete de obras, não vá cair-lhe na cabeça um pedaço de telha ou outro objeto qualquer que possa desprender-se dos muitos edifícios que por ali estão em ruínas.

 

E prossegue nesta sua toada de guia turístico: “Na ampla praça de Camões poderá observar a igreja Matriz. (…) Continue o percurso em direção ao ex-libris da cidade, a Ponte Romana. (…) É imperdoável despedir-se desta belíssima cidade sem sequer visitar o parque termal.”

 

E no fim da resposta, o sr. presidente, qual guia gastronómico, na sua toada serena e melíflua, convida: “O passeio só fica completo quando provar as delícias e pratos típicos de gastronomia flaviense: o famoso presunto, os pastéis de Chaves, o folar de carne, o cabrito, a vitela, o porco bísaro e outras especialidades.” Brilhante. E já agora pode o senhor presidente convidar também os turistas a deslocar-se ao “Há Brasa”, situado na estrada de Outeiro Seco, onde pode degustar carne de crocodilo, canguru, camelo, zebra, bisonte, angus, etc.

 

Este novo estilo de A. C., um pouco ao jeito do “espírito de Natal”, que aqui podemos denominar de “espírito de feira”, é, para já, uma das melhores surpresas autárquicas de 2014. Por isso, desde aqui lhe enviamos os nossos parabéns.

 

Despeço-me com mais uma estrofe dos G. G.: “Num quiero casa caída / Nien sbarrulhada / Nien casamento sien gusto / Sien gusto nada / Sien gusto nada…”

 

João Madureira

 

 

16
Fev14

Casas Novas feita de casas antigas


 

Prestes a terminar o fim de semana mas ainda a tempo de cumprir a promessa de trazer ao blog uma aldeia do concelho de Chaves, desta vez – Casas Novas.

 

 

Casas Novas feita de muitas casas antigas, com as casas mais humildes a conviver ao lado dos solares – o convívio de sempre –  a pobreza ao lado da riqueza e sempre, ambas, dependentes uma da outra. Sempre foi assim e sempre assim será, por mais que ilusões passageiras possam fazer acreditar que outros caminhos são possíveis…

 

 

Mas ricos ou pobres foi à pedra que ambos foram buscar a solidez dos seus lares, o resto, é uma questão de a pedra estar mais ou menos polida, nem por isso deixa de ser pedra, o que interessa mesmo é aquilo que guardam e aquilo que abrigam, e aí, o polimento de pouco vale.

 

 

Enfim, as flores não precisam de jardins para florir, ou isto são apenas palavras para ilustrar imagens...

16
Fev14

Pecados e picardias


 

A Taverna

 

Tarde(3)

 

Banir seguidores sequiosos…

Entraram os merendeiros

Gulosos olhares matreiros

Inalando a gastronomia

Da taverna com alegria

 

Sentaram-se nos bancos

Pediram os petiscos

Os vinhos tintos e brancos

Pão moelas polvo…os iscos

 

Encetaram a conversa

Sobre o amigo ausente

Saboreando sem pressa

A boa/má-língua aliciante

 

Pediram mais uma remessa

Do vinho numa caneca

Aumentaram o tom de voz

Animados por diferentes sons

 

Comentavam o infortúnio

Do amigo que no prelúdio

Dos quarenta é abandonado

Pela mulher ficando arrasado

 

Rindo com prazer da piada

Da rebeldia do sentido de humor

Da desgraça do amigo encontrada

Na discussão da merenda com calor

 

E fizeram conjecturas

Das razões desconhecidas

Apimentaram com juras

As verdades desabridas

 

Homenagearam o amigo ausente

Com o escárnio surpreendente

Da coscuvilhice inócua à míngua

Sequela do ócio e da boa pinga…

 

E falaram de mulheres

E lembraram o javardo

Ciciaram os saberes

Dessa noite …daqui a bocado

 

Todos a transbordar

De baba lá no pensar

A antever o grande serão

Todos o sentiam …ai não…

 

Isabel Seixas

 

 

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