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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

16
Mar14

Aldeias de Chaves com imagens de Vilas Boas

Há uns anos atrás quase todas as quartas-feiras, dia de feira semanal em Chaves, recebia uma visita a meio da manhã. Era um velhote já nos seus oitenta e muitos anos que religiosamente vinha desde as terras da montanha às feiras da cidade. Antigo Presidente de Junta ainda carregava consigo o dever comunitário do ser cidadão e, mesmo que já não fossem da sua competência as coisas da aldeia, continuava a carregar consigo os seus problemas. A sua simpatia, educação e o jeito que tinha para conversar e contar histórias, faziam dele uma visita simpática que gostávamos de receber.

 

 

 

Um dia em conversa chegámos à conclusão que tínhamos um familiar em comum. A partir de aí, com ou sem problemas da aldeia para tratar, a sua visita era certa e o encantamento das suas histórias foi aumentando com o ganhar de confiança entre ambos. Contou-me quase toda a sua vida. Contou-me como do estar bem na vida passou a remediar os seus dias, tudo pelas ajudas que ia dando com empréstimos, sem garantias, de dinheiros para comprar as passagens de gente da sua aldeia com destino à emigração, principalmente para o Brasil.

 

 

 

Foi-se conformando, pois “os coitados”, dizia-me,  não tinham com que pagar e nunca mais regressaram, “mas agora estou bem, tenho tudo”, confessava-me, “temos luz na casa, televisão e frigorífico, não nos faz falta mais nada”.  Esqueci muitas das histórias que me contou, mas nunca esqueci estas palavras porque com elas também se faz um pouco da História das nossas aldeias onde, os velhotes, os resistentes, sempre viveram conformados com pouco e, dão graças a Deus por terem pão na mesa e serem-lhe permitidos alguns luxos como luz na casa, a televisão e o frigorífico.

 

 

 

Se por um lado este conformismo dos resistentes das nossas aldeias pode impressionar quem não o vive, por outro conforta ao saber que os resistentes não vivem com a mesma intensidade os males da dependência dos que vivem nas cidades  que estão sujeitos aos disparatados ditares vindos de Lisboa. Crise, qual crise!? Para os resistentes, crise, é uma palavra vã, pois só verdadeiramente se lhe dá significado quando se ultrapassa a sua fronteira, e “a vida nas aldeias”, tal como dizia Torga, “tem um ritmo que a cidade nunca poderá entender”. Assim, só verdadeiramente poderá compreender a crise quem já um dia saiu dela.

 

 

E por hoje ficamos por aqui. As imagens para ilustrar o texto de hoje poderiam ser de uma qualquer aldeia de montanha de Trás-os-Montes, mas recorri às de Vilas Boas, não por qualquer razão em especial, mas por serem as de uma aldeia que ainda vai mantendo a sua integridade de aldeia e freguesia, pois foi poupada do ajuntamento, e uma aldeia à na qual gosto de passar de vez em quando.

 

16
Mar14

Pecados e picardias

 

A Taverna

 

Tarde 7

 

Entrou o doutor

Dirigiu-se ao balcão

Pediu um copo

Sorveu um golo

Apreciou o sabor

E sentiu…a solidão

 

E viu-a… a donzela

Pela primeira vez viu-a

Bonita…

Só, em presença sentiu-a

Como só a existência dela

Na sua auto estima…

 

Quantos anos teria?

Trinta ,quarenta?

Que lhe importava… a idade?

Que idade tem a procura da liberdade?

Da rebeldia, da paz de cada dia

Do fim que não se aguenta

 

E o vinho que só ajudava

A matar as memórias debotadas

Das alegrias frustradas

Da mulher sempre defraudada

Por ter trocado a igreja e a religião

Pela taverna pelo prazer da sua …oração

 

Ali o pensamento

Crepuscular …em cada momento

Sórdido saboroso e lento

Como era bom pensar

Em cadência acordado sonolento

E viver a sua forma de amar…

 

E olhou-a evasivo

Talvez quem sabe da próxima

E teve uma sensação de plenitude

A do olhar… dela nele …esquivo amiúde

E imaginou-a dele…inócua…

 

Olhou-a a sorrir

Não sabe se ela viu

Ia mesmo a sair

Atrás… os da construção civil

 

Isabel Seixas

 

 

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