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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

26
Mar14

Chá de Urze com Flores de Torga - 29

 

 

Poemas Ibéricos – O Pesadelo – 4ª parte

 

Nesta quarta e última parte dos Poemas Ibéricos de Miguel Torga, deixamos apenas os poemas, sem qualquer comentário da nossa parte.

 

Pesadelo de D. Quixote

 

Sancho: ouço uma voz etérea

Que vos chama…

Ibéria, dizes tu?!... Disseste Ibéria?!

Acorda, Sancho, é ela a nossa dama!

 

Pois de quem hão-de ser estes gemidos?!

Pois de quem hão-de ser?!

Só dela, Sancho, que nos meus ouvidos

Anda o seu coração a padecer…

 

Ergue-te, Sancho! Quais moinhos?! Quais?!

Ai! Pobre Sancho, que não sabes ver

Em moinhos iguais

Qual deles é só moinho de moer!...

 

Não Passarão

 

Não desesperes, Mãe!

O último triunfo é interdito

Aos heróis que o não são.

Lembra-te do teu grito:

Não passarão!

 

Não passarão!

Só mesmo se parasse o coração

Que te bate no peito.

Só mesmo se pudesse haver sentido

Entre o sangue vertido

E o sonho desfeito.

 

Só mesmo se a raiz bebesse em lodo

De traição e de crime.

Só mesmo se não fosse o mundo todo

Que na tua tragédia se redime.

 

Não passarão!

Arde a seara, mas dum simples grão

Nasce o trigal de novo.

Morrem filhos e filhas da nação,

Não morre um povo!

 

Não passarão!

Seja qual for a fúria da agressão,

As forças que te querem jugular

Não poderão passar

Sobre a dor infinita desse não

Que a terra inteira ouviu

E repetiu:

Não passarão!

 

Exortação a Sancho

 

Senhor meu, Sancho Pança enlouquecido,

Servo vencido

Na terra sonhada,

Tem a coragem da verdade nua:

Olha esta Ibéria que te foi roubada,

E que só terá paz quando for tua.

 

Ergue a fronte dobrada

E começa a façanha prometida!

Cumpre o voto da nova arremetida,

Feito aos pés de quem foi

O destemido herói

Da batalha de ser fiel à vida!

 

Nega-te a ser passiva testemunha

Do amor cobiçoso

Que os falso namorados

Fazem crer impoluto e arrebatado

Àquela que reflecte o céu lavado

Nos olhos confiados.

 

Venha o teu grito de transfigurado:

Ai, no se muera!... E a donzela acorda

E renega o idílio traiçoeiro.

Venha o Sancho da lança e do arado,

E a Dulcineia terá, vivo a seu lado,

O senhor D. Quixote verdadeiro!

 

 

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