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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Abr14

Pedra de Toque

 

As aparições da noite

 

Por prescrição médica e também por gosto, tenho caminhado imenso.

 

Para além do passeio preferido à beira Tâmega, curtindo o Polis e perscrutando as suaves e remansosas águas do velho rio, também calcorreio a cidade amada, logo que a noite começa a dar sinal.

 

Há dias voltei ao centro histórico e parti do Pelourinho, circundado pela bela casa das palmeiras, pela imponente Matriz e pelo edifício da velha Sociedade Flaviense.

 

 

Cirandei sozinho, porque assim é mais fácil sonhar e eu tenho reconhecida apetência para o sonho.

Corria uma brisa suave, prenúncio da primavera que se aproxima.

 

A noite estava estrelada.

 

 “Cruzei-me”, poucos minutos depois com o bom amigo Domingos Valtelhas (o Domingos da Plastic) que, vindo das trevas, no seu passo miúdo e saltitante, descia a Rua Direita de cigarro na boca, esfregando as mãos.

 

Entrei no Largo da Principal, hoje Praça Camões.

 

Revi o grande negrilho (tristemente decapitado), defronte ao hospital velho, onde idosos aproveitavam a calidez da noite.

 

Parei na Misericórdia, uma igreja cuja talha e beleza até aos agnósticos impressiona. Não a pude rever por dentro porque estava fechada.

 

 

Saboreei o largo. Os imponentes Paços do Duque, D. Afonso, o 1º de Bragança, a estátua de M. Cabral que vira costas à Câmara e ainda o Museu e o demais casario que o envolve.

 

Acocorada no degrau da Capela da Santa Cabeça, “a tia Maria” (Landainas) já cansada pelo peso da idade apanhava a primeira brisa.

 

Foi então que “vi” o Nadir que, como era hábito, passeava pela cidade antiga.

 

Andamos pelo Largo do Município, onde apreciamos as varandas e janelas de casas velhas/renovadas com cores garridas, lembrando a arte naif.

 

Na rua do Sal, num primeiro andar, “avistei” numa janela pequena, a Sara, mulher de 40, simpática e bonita que abriu as portas do pecado a vários adolescentes da minha geração.

 

 

Era tal o cuidado e a bondade da senhora que a experiência não nos deixou mossa.

 

Viramos em direcção ao imponente Castelo Medieval. Estrategicamente localizado, ele ali está altaneiro, guarda-mor, sentinela da fronteira, baluarte carregado de História.

 

Disfrutamos o cuidado e belo jardim e fomos ao extremo da muralha.

 

A vista deslumbra.

 

Poisamos o olhar na vasta e luminosa veiga e conduzimo-lo depois, até ao sumptuoso e aprazível Brunheiro, mirando de soslaio o fragoso Leiranco.

 

Despoluímos, encharcando os pulmões com o ar puro, fresco e saudável, com que as cercanias nos brindam.

 

Recompostos seguimos para o antigo Largo do Anjo onde a Rua Direita desemboca e de onde partem inúmeras ruas e ruelas.

 

Bem no centro a dominá-lo o busto do padre Joaquim Marcelino da Fontoura, nascido em Anelhe, aldeia do nosso concelho, busto esse assente em pedestal, sujo e descuidado.

 

 

 

 

Marcelino da Fontoura foi pároco da sua aldeia mas dedicou grande parte da sua vida ao ensino, nomeadamente em Chaves.

 

Foi um pedagogo distinto e estimado sendo justíssima a homenagem que a cidade lhe prestou, muitos anos após o seu decesso.

 

Quando descíamos o Anjo, “encontramos” a Maria de Jesus Barradas, sempre conhecida pela Mariazinha dos Pelissados. Muito maquilhada, garridamente vestida, afável e popular, bairrista de coração, deu dois dedos de conversa e seguiu seu rumo.

 

Perto da rua do Aljube, sentimos a azáfama do Joãozinho Padeiro, a preparar-se para a primeira fornada da noite.

 

 

Ainda ouvimos a algazarra das crianças na Maria Rita, quando derivamos para as Portas do Anjo.

 

Conversamos imenso durante a passeata.

 

O mote era tantas vezes a nossa cidade linda e suas gentes, em especial as pessoas simples e boas, algumas figuras brejeiras e típicas que o Nadir também muito apreciava.

 

Chegamos por fim, à bifurcação, junto ao quartel dos Bombeiros de Cima.

 

O mestre seguiu em frente, despedindo-se com a costumeira frase: “Até amanhã Antoinne”.

 

Eu virei em direcção ao Pessegueiro. Abri a porta do prédio, subi no elevador e entrei rápido no meu apartamento.

 

Fui direito à cama, onde despertei, acabando por adormecer em seguida sereno e leve.

 

Cheiinho de Chaves por dentro,

 

Mas, literalmente só.

 

António Roque

 

 

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