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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

06
Abr14

Pecados e picardias

 

A Taverna

 

     NOITE-1

 

E da astenia do entardecer                                  

Surge o homem ausente

Sabe que é invisível

Faz por o merecer

Não fala a toda a gente

Olhar inóspito temível

 

O servente serve-lhe a aguardente

Bebe metade

Sente-a agreste… e tão quente

Permite-lhe o à vontade

De antever uma noite intolerante

 

Ninguém o perturbava

Viu a patroa na cozinha

O aspecto dela disfarçava

Como ele… a vida Sozinha

 

Lembrou-se que já sentira alegria

Em tempos quando ela lhe disse

Que iriam ter um bebé… uma filha?

Fugiu depois sem ele saber a quem atribuísse

A culpa… do abandono da sua empatia

 

Um dia …um dia

Se existir juízo final

Há-de encontrá-la…

Sem força …a maior …a da vontade

De amar  mais ninguém…só a ele

Deixá-la-á à mingua em fase terminal

Da mais pura nostalgia

Há-de assombrá-la

Com a falta de compaixão da sua veleidade

 

O facto de fugir com outro

Não o afligia

Mas …o seu filho?filha?

Não conseguia

 

Um dia num futuro

Ou num presente

Havia de se encontrar

Com as imagens da mente

Iluminar o agora escuro…

Poder finalmente libertar…

Bebeu o resto da aguardente

 

 

Isabel Seixas

 

 

06
Abr14

Uma descida até ao Mousse

 

Ali para os lados das terras de S.Vicente da Raia, Roriz e Cimo de Vila da Castanheira, por entre o mar de montanhas, desliza um pequeno rio que dá pelo nome de Mousse. Não corre com muita pressa, contorna tudo que tem a contornar e, se preciso for, volta para trás para logo que possa, seguir a sua suave marcha.

 

 

Descer até ao Mousse é como descer às entranhas de todo aquele mar de montanhas que se avista desde Roriz ou desde Argemil da Raia e, se não fosse o incêndio de há uns anos atrás, suponho que seria entrar um pouco no reino das sombras e de alguma escuridão, em terra quase ingrata para ter vida humana a residir, e ainda bem, pois é essa mesma ingratidão que transforma aqueles fundos sombrios em lugares de encanto, quase virgens, onde a beleza acontece misturada com a melodia dos sons puros e selvagens, sem nada urbano ou humano que os incomode ou perturbe.

 

 

Lá de baixo, o céu tem outra luz, o azul é mais intenso. Estamos ao nível do pormenor, à escala natural das coisas, da descoberta, tem-se uma sensação de prazer e medo, talvez medo em despertar toda aquela magia, o medo da vez primeira, o medo da desfloração, e o prazer de todas estas coisas acontecerem.

 

 

Os alfaiates a deslizarem na superfície do Mousse ignoram-nos,  andam na vida deles, não lhes interessamos, aqui e ali umas restas de vida antiga, onde só o moleiro e o burro desciam com a grão para depois subirem com a farinha, mas já há muito deixaram de descer e subir e, o tempo, encarrega-se de devolver à natureza aquilo que o homem transformou, o mesmo acontece com as encostas, que teimosas se vestem, quem sabe se para um novo incêndio as despir de novo, e no meio daquilo tudo, uma flor… como se fosse necessária.

 

 

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