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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Jun14

Vivências

 

 

A cidade e o campo

 

 

Antigamente, nas vilas e aldeias, morávamos em casas modestas, sem vidros duplos nem aquecimento central, compradas com as poupanças de vários anos, acordávamos com o canto do galo, cumprimentávamos o vizinho do lado, sabíamos o nome de todos, corríamos pelos campos, chegávamos ao emprego em quinze minutos, comíamos fruta das árvores e legumes acabados de colher, bebíamos água da fonte, fazíamos compras na mercearia onde o dono nos tratava pelo nome e nos fiava se fosse preciso, adormecíamos ouvindo os grilos no silêncio da noite... Ao fim de semana, encontrávamos toda a gente no adro da igreja, conversávamos uns com os outros e gostávamos de saber como estavam as pessoas que nos rodeavam...

 

Hoje, nas grandes cidades, moramos em exíguos apartamentos, designados por “T – qualquer coisa”, sobrepostos uns sobre os outros e hipotecados ao banco durante pelo menos trinta anos, acordamos com o som estridente do rádio-despertador, saímos de casa e não cumprimentamos nem sequer os que vão connosco no elevador (aliás, até olhamos para o chão...), não sabemos o nome nem do nosso vizinho do lado (aliás, quase nunca o vemos...), corremos para apanhar o autocarro, o metro ou o comboio, demoramos uma hora (às vezes, até mais...) para chegar ao emprego; no regresso a casa, exaustos e sem paciência para cozinhar, passamos por um qualquer super ou hipermercado, onde ninguém nos conhece, e compramos uma refeição enlatada ou congelada, de preparação rápida no micro-ondas, e que nos sabe sempre a plástico, adormecemos enquanto ouvimos a televisão do vizinho do andar de cima... Ao fim de semana, e depois de dar dez voltas num parque de estacionamento três pisos abaixo do nível do solo à procura de um minúsculo lugar para deixar o carro, acotovelamo-nos, incógnitos, nos corredores de um qualquer centro comercial sem trocar uma única palavra com ninguém...

 

Como são diferentes as vivências de outrora e as dos nossos dias...

 

Luís dos Anjos

 

12
Jun14

Um bocadinho de Chaves cidade

Igreja da Misericórdia, com um bocadinho do antigo hospital, um bocadinho da Rua da Misericórdia, um bocadinho do casario de um bocadinho do Largo Caetano Ferreira e ao fundo, bem ao fundo, onde a terra termina para começar o céu, temos um bocadinho da nossa Serra do Brunheiro com um bocadinho de Vilar e Nantes nas suas faldas – tudo isto é um bocadinho de Chaves, ainda cidade…

 

 

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