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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

21
Jun14

Fugas

 

De Fermentelos à Mizarela

 

Saímos ao final de sexta-feira e rumamos para Norte. O nosso destino é Fermentelos, uma pequena localidade a meio caminho entre Águeda e Aveiro. Cerca de duas horas depois, no final de mais uma curva, eis que finalmente a avistamos: a Lagoa de Fermentelos, e bem na sua margem a estalagem que nos vai albergar nas próximas duas noites. Enquanto esperamos na recepção retiro um folheto e descubro que a lagoa também é conhecida por Pateira de Fermentelos, nome que lhe vem do grande número de patos que dela fazem o seu habitat. Descubro ainda que em tempos passados foi reserva natural e privada do Rei D. Manuel I. Terminadas as formalidades da chegada, subimos e instalamo-nos. Segue-se o jantar e o descanso merecido.

 

O sábado amanhece envolto numa neblina matinal. Venho à varanda e logo descubro um pescador a tentar a sua sorte. Descemos para o pequeno-almoço numa sala envidraçada e com uma vista fantástica para a lagoa. Sabe bem começar o dia assim...

 

Fotografias de Luís dos Anjos

Saímos de carro e dirigimo-nos ainda mais para Norte. Passamos por Sever do Vouga, Vale de Cambra e subimos a Serra da Freita para ir descobrir a Frecha da Mizarela onde o rio Caima se precipita de uma altura de 70 metros num espectáculo digno de admiração. Observamo-lo do miradouro e depois, por entre uma densa vegetação, descemos a encosta para ver mais de perto.

 

Retemperadas as forças com um bom almoço vamos até à aldeia de Castanheira para observar as Pedras Parideiras, um fenómeno geológico único no país e raro no mundo inteiro. Aqui a erosão forma nódulos dentro dos penedos de granito e estes acabam por rachar e expor as pequenas pedras em que se fragmentam.

 

Para domingo não temos nada planeado, mas um panfleto na recepção dá-nos de imediato uma boa sugestão. Vamos até Ílhavo visitar o Museu da Vista Alegre, a famosa fábrica de porcelana. Para além das peças mais utilitárias que todos conhecemos, surpreendemo-nos com magníficas esculturas, algumas delas peças únicas, e tomamos consciência do elevado grau de dificuldade e do enorme trabalho que exigem.

 

Estamos a meio da tarde e são horas do regresso a casa. Pelo caminho pensamos já numa próxima saída…

 

Luís dos Anjos

 

21
Jun14

Discursos Sobre a Cidade - Por Isabel Seixas

 

O  derradeiro escorrega

 

Na altura o parque infantil era nas escadas do tribunal, no largo do arrabalde, descíam o corrimão largo e liso sentados como quem escorrega nas sensações de liberdade que dão graciosamente os prazeres inocentes.

 

Os pais não tinham tempo de dar conta da falta deles, afogueados pelos trabalhos duros sem qualquer horário de trabalho.

 

Os garotos vinham da rua direita, da ladeira da brecha, do olival e escorregavam à vez, nem o comentário dos adultos que passavam os  afetava.

 

- Esta canalha dá-lhe pra cada uma, continuem meninos até quando rasgarem as calças.

 

 O dia era de sol, as férias da Páscoa deixavam tempo livre entre os recados que tinham que se fazer às mães, o garoto das longras mais expedito deu a ideia,

 

- E se escorregássemos antes estendidos  de cabeça para baixo?

 

- És burro ó quê, queres esmoucar-te?

 

- És bem caguinchas, olha pra mim.

 

Deitou-se de barriga para baixo deu impulso com  os pés e quando chegou ao meio deu a volta ficou de  cabeça para cima com uma agilidade invejável terminando a escorregar com os pés para baixo pousando-os no chão com segurança.

 

Os miúdos olharam-no com admiração, o baixinho disse logo vou experimentar.

 

-Ó coiso empurra-me.

 

O garoto da rua do rio empurrou o baixinho que desceu pelo escorrega com pressa , só não conseguiu dar a volta a tempo, mergulhando no piso do largo do tribunal de cabeça.

 

O sangue começou a escorrer da testa logo que o baixinho se levantou, os garotos aflitos fugiram, ficou só com um amigo.

 

-Fizeste um lanho do catano, “escope-lhe”.

 

- Tenho medo que o meu pai dê conta,” inda” me dá cabo do focinho como quando caí de bicicleta.Olha vamos mas é às poldras vou meter  a cabeça na água e depois colo-lhe uma folha ..

 

-Ca sim és burro, põe-lhe mas é ´”auga”das caldas que faz bem a tudo.

 

-Estás armado em carapau, sou alguma galinha para ser depenado?

 

-Dói-te?

 

- Pensas que sou algum medricas

 

Foram os dois a correr como se nada se passasse em direção ao jardim do tabulado em direção às poldras.

 

-“ Alembrei-me” agora até lá “Inquanto ”não lhe ponho a folha boto-lhe escupe…

 

Isabel Seixas  in olhando ó pra trás

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