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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

22
Jun14

Pecados e picardias

 

Vamos

 

sombra da  vida

dor  passar ao sofrimento,

esperança como caução,

sombras no pecado

sem crédito a cisma, de perdão perdida

na rua sem com paixão…

 

Ciúme herdado

agoiro atento em mentes tristes,

descer a incerteza, passo  inseguro

olhar sem ver,

vamos, pelos vales do medo

de coragem pronta a sofrer…

 

Aninhados no tempo

Já  à espera de nada,

Vamos, já não  sopra o vento

Acende-se  madrugada

 

Puída por quanto se usa

língua de vergasta,

Vergonha se escusa

Vamos, já  basta…

 

Isabel Seixas In Entre a espada e a parede

 

 

22
Jun14

Moure - Uma aldeia do mundo rural flaviense

 

Os que por aqui vêm com regularidade sabem que aos fins de semana as aldeias têm de marcar presença neste blog, contudo não é de todo muito fácil cumprir essa promessa, pois para as trazer aqui tenho que, com alguma antecedência, passar e estar nessas mesmas aldeias. É certo que não há aldeia do nosso concelho onde eu ainda não tenha estado e lamento, mas lamento mesmo, mas mesmo muito, que das primeiras vezes em que fui às nossas aldeias não tivesse então uma câmara fotográfica para fazer alguns registos, os de então, e não vai lá muito tempo, pois as minhas primeiras incursões pelo mundo rural flaviense aconteceram nos anos 70 do século passado.

 

 

Para a História 30 ou 40 anos nada significam, principalmente quando a nossa História é milenar e tão rica em acontecimentos importantes, mas a par dessa História milenar e rica de grandes acontecimentos há toda a História de um povo que ninguém conta nem cabe nos livros História.  Há dias, aquando do encontro de fotógrafos Lumbudus em terras do Barroso tive oportunidade de, no Ecomuseu do Barroso, comprar uma suposta segunda edição do livro Negrões – Memória Branca, com fotografias de Gérard Fourel e textos de Gilles Cervera. As imagens são impressionantes, mexem connosco e fazem toda a tal História que não cabe nos livros de História. Trago aqui o exemplo deste livro porque o mesmo é feito com imagens de há trinta e tal anos atrás, do tempo em que eu não tinha câmara fotográfica, mas que ainda retenho na memória imagens idênticas.

 

 

 

Claro que em trinta e tal anos as nossas aldeias não se modificaram assim tanto e ainda é possível entrar por elas adentro e encontrar muitas das casas, ruas e lugares de então, pois é, mas a grande diferença é que então, há trinta e tal anos,  era quase impossível tomar uma imagem numa aldeia onde não aparecessem pessoas, crianças ou velhos,  ou galinhas, ou cães, ou vacas, ou burros ou até mesmo tudo isto numa só imagem (as imagens de Gérard Fourel são um testemunho disso), hoje, na maioria das nossas aldeias, entra-se, está-se e sai-se sem encontrar alma viva. E regresso ao livro de Gérard Fourel, ao prefácio da primeira edição, onde o Padre Fontes a alturas tantas dizia: “ (…) São assim mansas, ainda que negras, enlameadas, solitárias e submergidas as aldeias transmontanas. Esta quietude bíblica, pastoril, onde o tempo caminha a passo de caracol, onde nem crianças nem velhos sabem quanto anos têm, e todos sorriem à chuva, à neve, à nudez, criando para si este mundo de granito, a desafiar os séculos. E esta terra e esta gente que deslumbra a alma do poeta, do artista, do guloso fotógrafo que tenta guardar na retina da película o prato suculento, estendido na toalha branca da natureza nevada, ou negra pela lama e chuva. Hoje seremos únicos no mundo, mas foi assim (…)” Pois é, mas foi assim, era assim, mas já não é, já não há história para contar a jeito de gente de crianças e velhos sem saberem a idade. Já agora um aparte, aparte da história de hoje – A segunda edição do livro Negrões – Memória Branca, embora aumentada, está muito mais pobre sem as sábias palavras do prefácio do Padre Lourenço Fontes, que, vá-se lá saber porque, não constam nesta segunda edição.

 

 

Pois as imagens de hoje (tomadas ontem) vão de encontro àquilo que por aqui disse. Nem crianças nem velhos nas ruas, pitas e cães nem vê-los, uma estação abandonada que faz as memórias e um comboio que há 30 anos ainda lá parava, pinturas de vende-se por tudo que é sítio e, curiosamente, umas vistosas e novas placas toponímicas colocadas nas ruas e portas de casas abandonadas, não vá alguém perder-se nas poucas ruas desertas. Valha-nos a natureza que contra tudo e contra todos insiste em nascer e renascer para nos dizer que a beleza, embora selvagem, ainda existe.

 

As imagens de hoje são de Moure, aqui a meia dúzia de quilómetros de Chaves, uma aldeia que por sinal é bem simpática com olhares lançados para poente e para o Rio Tâmega cujo sussurro o silêncio da aldeia deixa ouvir, que ainda tem alguma vida (eu sei) mas que de todas as vezes que por lá fui nos últimos anos insiste em não sair à rua.       

 

 

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