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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

24
Jun14

Ocasionais - "Toucinho rançoso!"


 

“Toucinho rançoso!”

 

O egoísmo capitalista não descansa enquanto não destruir por completo a solidariedade humana e o espírito cooperativo das Sociedades e das Nações.

 

“Vou aos arames” quando ouço um tal «fanfarrão de Massamá», no papel de Primeiro- Ministro, ou qualquer um dos seus balofos ministros ou dos seus insolentes petimetres parlamentares, proclamarem, face às maldades que com tanto gozo e maior proveito seus decretam contra os Portugueses, que «não há outra alternativa».

 

Esta é a frase chavão, martelada pelos gananciosos sem medida, nunca estão contentes com o sangue sugado a quem trabalhou, a quem trabalha, a quem honra compromissos, a quem leva, e tem o direito inalienável, a uma vida digna!

 

Vereadores, deputados, ministros e suas ordenanças, com a categoria de «cabos – do –rancho» do exército dos batalhões «Jotas», armados em brigadeiros, apenas preocupados com «encher a mula», tomam por missão prestarem-se servil e abjectamente a garantir a o excesso de avareza dos neo-estafadores capitalistas e vigaristas de estofo mundial!

 

Não podemos consentir que um grupo de videirinhos bastardos portugueses nos usurpem a capacidade de decidir o rumo do NOSSO PAÍS e o nosso próprio para ir, com ela, fortalecer a capacidade de uma minoria obstinada em estabelecer uma suspeita Nova Ordem Mundial, ao sabor dos seus caprichos, interesses e avareza

 

Estes governantes, e a caravana de camelos baptizados ou excomungados que os apoia, clama contra os «gastos sociais», mas metem-se num avião para ir comer ostras ou caracóis a Paris!

 

À medida que encurtam os direitos dos cidadãos sabem bem alargar o campo de benefícios ao capital financeiro!

 

A «associação criminosa» do PSD-CDS, às ordens dos cabecilhas agarotados, Pedro e Paulo (tão zelosamente apadrinhada pelo «sr. Silva»), ao aceitar, por parte da «Troika», como prioridade das prioridades, o pagamento aos credores da «Dívida pública», demonstra que a única ética conhecida e praticada pelos seus «bandidos» é a “ética dos delinquentes”: não respeitam direitos, não respeitam doentes, idosos, crianças, trabalhadores!

 

Enfim, não respeitam a cidadania nem os cidadãos!

 

Escolheram deitar fora o que tinham de comum com os Portugueses, preferindo carregar, «cantando e rindo», os alforges carregadinhos com os interesses dos poderosos de outras pátrias!

 

Com a tomada do poder por este grupo de «paus-mandados», alguém avisou: - “Não faltará muito para que Portugal fique à beira de uma revolta popular”!

              

Hoje, os Portugueses já deram conta de que o seu voto nada vale   -   a «Troika» (o FMI- Fundo Monetário Internacional , o BCE- Banco Central Europeu  e a Comissão Europeia) e a “D. Branca- Merkelêndeas” é que decidem por eles!

 

Não admira que Marinho Pinto tenha obtido o êxito que se viu!

 

Realmente, nenhum Partido venceu as últimas Eleições para o Parlamento Europeu.

 

E vergonha, não mostraram nenhuma!

 

O Partido que contou maior percentagem de votos, faz há-de conta de que ficou com uma «maioria absoluta». E, com uma inadmissível desfaçatez, vem apregoar uma «vitória histórica»! Esta gentalha não olha por ela a baixo!

 

Já se sabe que os Partidos políticos de «direita» não valem mais do que aquilo que conseguiram (27,71%) dos votos expressos válidos.

 

Os Partidos da «esquerda» fizeram «figura de urso»: como, para as cúpulas, o «tacho» e o «pote» estão sempre garantidos, não se deram ao trabalho de semear informação, esclarecimento e compromisso para colher mais votos. Depois vêm verter lágrimas de crocodilo pela escandalosa, dizem eles, Abstenção!

 

Sabem todos muito bem que se o seu empenho na Democracia fosse maior, a sua contribuição para uma consciência política dos cidadãos e dos eleitores seria, e é, de enorme importância.

 

Mas, claro, numa pequena quantidade [3 281 856] de votantes, é muito mais provável que os 27,71% e os 31,45% representam mais deputados do que em [6,4 milhões],ou em [9,6 milhões].

 

Os dois terços de inscritos que «votaram» Abstenção reflectem bem a incompetência, o desleixo, a gosmice e a invalidez dos «aparelhados» partidários!

 

Habituados à mama, viciados nas jogatinas dos casinos das Câmaras, do Parlamento e das «guaritas» ministeriais, ou nas «tabernas» ou «galinheiros» do Partido, acham que o Povo tem de lhes aturar todos os caprichos, sustentar todas as mordomias, alimentar todas as vaidades!

 

Esta fornada de tratantes que entra no campo da política para receber e gamar tudo e mais alguma coisa,

 

Pedaços de toucinho rançoso!

Mozelos, 02 de Junho de 2014

Luís Henrique Fernandes

 

 

24
Jun14

Um poema, um prémio


Tal como dissemos no post anterior hoje não temos os “Estratos” da Rita, mas tivemos conhecimento que o nosso colaborador das “Vivências” e das “Fugas”, Luís dos Anjos, de vez em quando também se dedica à poesia e no passado 10 de junho, um dos seus poemas ganhou o 2º Prémio na modalidade de Poesia Livre nos X Jogos Florais do Concelho de Tondela. Fica a fotografia da cerimónia da entrega do prémio e, claro, o poema premiado.

 

 

 

Algures

 

Algures…

 

Entre o eco de uma palavra rasgada

E o silêncio de um grito contido

Há uma voz que soluça abafada

E um coração que pulsa sofrido

 

Algures…

 

Entre um sorriso que tanto desejamos

E uma lágrima que teima em escorregar

Há um olhar que desesperadamente procuramos

E uma alma que queremos tocar

 

Algures…

 

Entre um lugar ainda não inventado

E um tempo que foge ao nosso redor

Há um amor ainda não revelado

E uma saudade de um tempo melhor

 

Algures…

 

Entre um crepúsculo e um amanhecer

Entre um céu de estrelas e um terno luar

Há uma vida que merece renascer

E um futuro imenso por conquistar

 

Algures… bem dentro de nós…

 

 

Luís dos Anjos

 

 

24
Jun14

Coisas da chuva de fim de tarde, em Chaves cidade


 

Pois é, parece que anda tudo às avessas, o Verão chegou mas a chuva é que marca presença para estragar as combinações previamente combinadas, como se não bastassem os desaires dos nossos rapazes da bola em quem tínhamos alguma esperança para levantar os ânimos do nosso povo que tão castigado tem sido pela garotada de Lisboa, vem a chuva estragar a noite de S.João, mas não só, pois a rapaziada que se dedica às causas dos direitos humanos (pois nem todos são como a garotada de Lisboa), também viu o seu dia estragado ao não poder levar a efeito uma ação que tinha marcada para o fim de tarde de ontem e que de certa forma levantava o mistério das nossas estátuas, ontem, terem aparecido de olhos vendados, e que embora alguns pensassem que se tratava de uma travessura qualquer, não era mais que um alerta do núcleo da Amnistia Internacional de Chaves, contra a tortura.

 

 

À margem da chuva, a nossa habitual crónica dos “Estratos” da Rita também fica adiada, esta também por uma boa causa, pois a Rita às voltas com o seu mestrado pediu dispensa para estudar, mas em contrapartida deixamos um poema, premiado, do nosso colaborador Luís dos Anjos e uma crónica “Ocasional” de Luís Fernandes.

 

 

Para a coisa não ficar apenas na monotonia das palavras, ficam também três imagens de ontem, duas com a tal chuva que ao fim da tarde caiu a potes, e uma outra com a estátua do Largo do Anjo de olhos vendados. Amanhã pode ser que deixe aqui o Sr. Duque também de olhos vendados. Penso que será também pela amnistia e não como alguém disse:  “ é para não ver as misérias que fazem nas suas costas” …eh! Bocas de quem não tem nada para fazer…coitados!

 

 

23
Jun14

Quem conta um ponto...


 

195 - Pérolas e diamantes: sinais

 

Foi durante a campanha eleitoral para as eleições europeias que me apercebi de que não existe debate político, nem ideológico, em Portugal. Daí os resultados.

 

A seriedade não quer nada com a política.

 

Do lado do PS apenas vemos que continua a hastear a bandeira do Estado Social. O que não é mal nenhum, só que é muito pouco para perspetivar o futuro.

 

Já o PSD insiste em emagrecer o Estado. Só que o Estado já não tem por onde emagrecer. O Estado é só pele e osso.

 

Durante os últimos três anos assistiu-se a uma quebra abrupta do nível de vida dos portugueses. O senhor primeiro-ministro convenceu-se, e tentou convencer-nos, que os portugueses teriam apenas de substituir quinze dias de férias nas Baleares por uma semana no Algarve e o bife dia sim, dia não, por uma costeleta de porco aos domingos. Mas a pobreza que emergiu com a austeridade do governo PSD/CDS é muito mais grave e profunda. E até muito mais perigosa, por ser menos visível.

 

Agora acenam-nos com o fim da crise, porque a troika foi embora. Mas a má notícia é que ficámos com o país de pantanas.

 

Subiram os impostos, a gasolina, a água, o vinho, a luz, o pão, a sardinha, a febra, o bife, os telefones, as portagens, as rendas de casa, etc.

 

Apenas uma coisa desceu, e muito, os ordenados. Não tarda nada, o governo, para tapar mais um buraco orçamental, taxará o ar que respiramos e o sol que tomamos ao domingo, quando espreita.

 

Este governo de má memória parece que tem prazer em aparecer aos olhos dos portugueses carregado de hostilidade, sobretudo para com os pensionistas e os funcionários públicos.

 

A governação resume-se cada vez mais à arte de “aparecer”. O fazer é o que menos importa. Este governo demonstrou que além de ser constituído por políticos fracos, é um alfobre de “rapazes” incompetentes, produzidos pelas máquinas partidárias ou trazidos dos bancos das universidades privadas e dos grupos económicos.

 

Quem manda em Portugal já nem sequer são os políticos. São os banqueiros.

 

O nosso parlamento é cada vez mais entendido como um corpo inútil. E por detrás de toda esta crise do Estado persiste o modo como os partidos políticos se movem entre o poder local e o poder nacional.

 

São evidentes os sinais de crise do regime democrático. O tráfico de influências e lugares, o nepotismo e a corrupção no interior dos partidos vai corroendo a já pouca confiança que ainda poderão inspirar.

 

Se a tudo isto juntarmos a crise na justiça, a crise da representação partidária e a subordinação do poder político ao poder económico, ficam desta forma definidos os principais fatores da crise do regime.

 

A prostituição dos corpos e dos espíritos, a mesquinhez e o salve-se quem puder cresce dia a dia. Basta ler os jornais para disso nos apercebermos.

 

A fome é grande, os bens escassos e os empregos desaparecem todos os dias. O reino das cunhas mantém-se incólume. Daí resultando a obediência cega, o silêncio temerário e a “gestão individual da carreira”.

 

As oligarquias partidárias continuam submissas aos grandes interesses, ao tráfico de influências, à corrupção. É normal escutarmos, em relação aos políticos, a expressão: “São todos uns ladrões.”

 

Infelizmente, os portugueses pouco mais são do que um pano de fundo, em toda esta crise. E os de sempre continuam a jogar o seu jogo simples: manobrando quem tem poder ou quem poderá vir a tê-lo, quem ganha poder hoje para ser apoiado amanhã, quem sobe e quem desce, quem come e quem é comido.

 

Por isso é que o povo continua a votar em autarcas demagogos e naqueles que numa dezena de anos endividaram as câmaras até ao limiar da bancarrota.

 

E o mais triste de tudo é que o patriotismo dos portugueses se resume apenas ao futebol.

 

João Madureira

 

23
Jun14

De regresso à cidade, depois de uma procissão e um jogo da bola com os americanos


 

Na minha habitual visita dominical de fim de tarde à cidade deparei-me com um movimento estranho ali para os lados da Madalena e Jardim Público. Para uma cidade onde aos Domingos geralmente nada acontece, ali havia coisa… e havia sim senhor – uma missa campal a celebrar o Corpo de Deus, que manda a tradição religiosa ser feriado nacional na quinta-feira a seguir ao Domingo da Pentecostes, 60 dias após a páscoa, mas que os hereges dos nossos governantes disseram que não senhor, que este povo o que tem é de trabalhar, mesmo em dia santo, que esta coisa das tradições não dá dinheiro para os gajos que lhes garantem o poleiro. Mas se a Igreja amouxou e disse que sim senhor, quem sou eu para vir para aqui com este paleio, ainda para mais, que embora católico com catequese, comunhões e crisma (com chapada do bispo e tudo), não sou lá muito de ir à missa e muito menos ajoelhar ao passar da procissão, mas gosto de as ver passar e até com todo o respeito, nem que seja pelo respeito àqueles que têm mesmo respeito a sério e fé, que não há coisa mais bonita que isso – acreditar em qualquer coisa…

 

 

Pois já que lá estava aproveitei para fazer alguns registos fotográficos que a dado tempo me dei conta de repetidamente serem iguais aos dos anos anteriores, quando neste dia da procissão sou sempre surpreendido com ela, mas já que lá estava… e claro, neste dia, também não sei porque, repetidamente tomo uma foto à ponte romana, mais ou menos do mesmo local, mas aqui, de ano para ano, sou surpreendido com diversas condições meteorológicas, queria eu dizer diferentes , o que fazem com que o boneco também seja ligeiramente diferente e às vezes com algum interesse acrescentado. E prontos (sei que há muitos que se irritam com o prontos, mas eu gosto), é assim que regresso de novo à cidade e já a saber que Portugal, depois de terem levado no corpo dos alemães, agora com os americanos já reservou o bilhete de regresso à terrinha, pois só um milagre os salvará, mas com os hereges de Lisboa a tirar a santidade aos dias santos, duvido que haja milagre. E com esta me vou!

 

 

22
Jun14

Pecados e picardias


 

Vamos

 

sombra da  vida

dor  passar ao sofrimento,

esperança como caução,

sombras no pecado

sem crédito a cisma, de perdão perdida

na rua sem com paixão…

 

Ciúme herdado

agoiro atento em mentes tristes,

descer a incerteza, passo  inseguro

olhar sem ver,

vamos, pelos vales do medo

de coragem pronta a sofrer…

 

Aninhados no tempo

Já  à espera de nada,

Vamos, já não  sopra o vento

Acende-se  madrugada

 

Puída por quanto se usa

língua de vergasta,

Vergonha se escusa

Vamos, já  basta…

 

Isabel Seixas In Entre a espada e a parede

 

 

22
Jun14

Moure - Uma aldeia do mundo rural flaviense


 

Os que por aqui vêm com regularidade sabem que aos fins de semana as aldeias têm de marcar presença neste blog, contudo não é de todo muito fácil cumprir essa promessa, pois para as trazer aqui tenho que, com alguma antecedência, passar e estar nessas mesmas aldeias. É certo que não há aldeia do nosso concelho onde eu ainda não tenha estado e lamento, mas lamento mesmo, mas mesmo muito, que das primeiras vezes em que fui às nossas aldeias não tivesse então uma câmara fotográfica para fazer alguns registos, os de então, e não vai lá muito tempo, pois as minhas primeiras incursões pelo mundo rural flaviense aconteceram nos anos 70 do século passado.

 

 

Para a História 30 ou 40 anos nada significam, principalmente quando a nossa História é milenar e tão rica em acontecimentos importantes, mas a par dessa História milenar e rica de grandes acontecimentos há toda a História de um povo que ninguém conta nem cabe nos livros História.  Há dias, aquando do encontro de fotógrafos Lumbudus em terras do Barroso tive oportunidade de, no Ecomuseu do Barroso, comprar uma suposta segunda edição do livro Negrões – Memória Branca, com fotografias de Gérard Fourel e textos de Gilles Cervera. As imagens são impressionantes, mexem connosco e fazem toda a tal História que não cabe nos livros de História. Trago aqui o exemplo deste livro porque o mesmo é feito com imagens de há trinta e tal anos atrás, do tempo em que eu não tinha câmara fotográfica, mas que ainda retenho na memória imagens idênticas.

 

 

 

Claro que em trinta e tal anos as nossas aldeias não se modificaram assim tanto e ainda é possível entrar por elas adentro e encontrar muitas das casas, ruas e lugares de então, pois é, mas a grande diferença é que então, há trinta e tal anos,  era quase impossível tomar uma imagem numa aldeia onde não aparecessem pessoas, crianças ou velhos,  ou galinhas, ou cães, ou vacas, ou burros ou até mesmo tudo isto numa só imagem (as imagens de Gérard Fourel são um testemunho disso), hoje, na maioria das nossas aldeias, entra-se, está-se e sai-se sem encontrar alma viva. E regresso ao livro de Gérard Fourel, ao prefácio da primeira edição, onde o Padre Fontes a alturas tantas dizia: “ (…) São assim mansas, ainda que negras, enlameadas, solitárias e submergidas as aldeias transmontanas. Esta quietude bíblica, pastoril, onde o tempo caminha a passo de caracol, onde nem crianças nem velhos sabem quanto anos têm, e todos sorriem à chuva, à neve, à nudez, criando para si este mundo de granito, a desafiar os séculos. E esta terra e esta gente que deslumbra a alma do poeta, do artista, do guloso fotógrafo que tenta guardar na retina da película o prato suculento, estendido na toalha branca da natureza nevada, ou negra pela lama e chuva. Hoje seremos únicos no mundo, mas foi assim (…)” Pois é, mas foi assim, era assim, mas já não é, já não há história para contar a jeito de gente de crianças e velhos sem saberem a idade. Já agora um aparte, aparte da história de hoje – A segunda edição do livro Negrões – Memória Branca, embora aumentada, está muito mais pobre sem as sábias palavras do prefácio do Padre Lourenço Fontes, que, vá-se lá saber porque, não constam nesta segunda edição.

 

 

Pois as imagens de hoje (tomadas ontem) vão de encontro àquilo que por aqui disse. Nem crianças nem velhos nas ruas, pitas e cães nem vê-los, uma estação abandonada que faz as memórias e um comboio que há 30 anos ainda lá parava, pinturas de vende-se por tudo que é sítio e, curiosamente, umas vistosas e novas placas toponímicas colocadas nas ruas e portas de casas abandonadas, não vá alguém perder-se nas poucas ruas desertas. Valha-nos a natureza que contra tudo e contra todos insiste em nascer e renascer para nos dizer que a beleza, embora selvagem, ainda existe.

 

As imagens de hoje são de Moure, aqui a meia dúzia de quilómetros de Chaves, uma aldeia que por sinal é bem simpática com olhares lançados para poente e para o Rio Tâmega cujo sussurro o silêncio da aldeia deixa ouvir, que ainda tem alguma vida (eu sei) mas que de todas as vezes que por lá fui nos últimos anos insiste em não sair à rua.       

 

 

21
Jun14

Fugas


 

De Fermentelos à Mizarela

 

Saímos ao final de sexta-feira e rumamos para Norte. O nosso destino é Fermentelos, uma pequena localidade a meio caminho entre Águeda e Aveiro. Cerca de duas horas depois, no final de mais uma curva, eis que finalmente a avistamos: a Lagoa de Fermentelos, e bem na sua margem a estalagem que nos vai albergar nas próximas duas noites. Enquanto esperamos na recepção retiro um folheto e descubro que a lagoa também é conhecida por Pateira de Fermentelos, nome que lhe vem do grande número de patos que dela fazem o seu habitat. Descubro ainda que em tempos passados foi reserva natural e privada do Rei D. Manuel I. Terminadas as formalidades da chegada, subimos e instalamo-nos. Segue-se o jantar e o descanso merecido.

 

O sábado amanhece envolto numa neblina matinal. Venho à varanda e logo descubro um pescador a tentar a sua sorte. Descemos para o pequeno-almoço numa sala envidraçada e com uma vista fantástica para a lagoa. Sabe bem começar o dia assim...

 

Fotografias de Luís dos Anjos

Saímos de carro e dirigimo-nos ainda mais para Norte. Passamos por Sever do Vouga, Vale de Cambra e subimos a Serra da Freita para ir descobrir a Frecha da Mizarela onde o rio Caima se precipita de uma altura de 70 metros num espectáculo digno de admiração. Observamo-lo do miradouro e depois, por entre uma densa vegetação, descemos a encosta para ver mais de perto.

 

Retemperadas as forças com um bom almoço vamos até à aldeia de Castanheira para observar as Pedras Parideiras, um fenómeno geológico único no país e raro no mundo inteiro. Aqui a erosão forma nódulos dentro dos penedos de granito e estes acabam por rachar e expor as pequenas pedras em que se fragmentam.

 

Para domingo não temos nada planeado, mas um panfleto na recepção dá-nos de imediato uma boa sugestão. Vamos até Ílhavo visitar o Museu da Vista Alegre, a famosa fábrica de porcelana. Para além das peças mais utilitárias que todos conhecemos, surpreendemo-nos com magníficas esculturas, algumas delas peças únicas, e tomamos consciência do elevado grau de dificuldade e do enorme trabalho que exigem.

 

Estamos a meio da tarde e são horas do regresso a casa. Pelo caminho pensamos já numa próxima saída…

 

Luís dos Anjos

 

21
Jun14

Discursos Sobre a Cidade - Por Isabel Seixas


 

O  derradeiro escorrega

 

Na altura o parque infantil era nas escadas do tribunal, no largo do arrabalde, descíam o corrimão largo e liso sentados como quem escorrega nas sensações de liberdade que dão graciosamente os prazeres inocentes.

 

Os pais não tinham tempo de dar conta da falta deles, afogueados pelos trabalhos duros sem qualquer horário de trabalho.

 

Os garotos vinham da rua direita, da ladeira da brecha, do olival e escorregavam à vez, nem o comentário dos adultos que passavam os  afetava.

 

- Esta canalha dá-lhe pra cada uma, continuem meninos até quando rasgarem as calças.

 

 O dia era de sol, as férias da Páscoa deixavam tempo livre entre os recados que tinham que se fazer às mães, o garoto das longras mais expedito deu a ideia,

 

- E se escorregássemos antes estendidos  de cabeça para baixo?

 

- És burro ó quê, queres esmoucar-te?

 

- És bem caguinchas, olha pra mim.

 

Deitou-se de barriga para baixo deu impulso com  os pés e quando chegou ao meio deu a volta ficou de  cabeça para cima com uma agilidade invejável terminando a escorregar com os pés para baixo pousando-os no chão com segurança.

 

Os miúdos olharam-no com admiração, o baixinho disse logo vou experimentar.

 

-Ó coiso empurra-me.

 

O garoto da rua do rio empurrou o baixinho que desceu pelo escorrega com pressa , só não conseguiu dar a volta a tempo, mergulhando no piso do largo do tribunal de cabeça.

 

O sangue começou a escorrer da testa logo que o baixinho se levantou, os garotos aflitos fugiram, ficou só com um amigo.

 

-Fizeste um lanho do catano, “escope-lhe”.

 

- Tenho medo que o meu pai dê conta,” inda” me dá cabo do focinho como quando caí de bicicleta.Olha vamos mas é às poldras vou meter  a cabeça na água e depois colo-lhe uma folha ..

 

-Ca sim és burro, põe-lhe mas é ´”auga”das caldas que faz bem a tudo.

 

-Estás armado em carapau, sou alguma galinha para ser depenado?

 

-Dói-te?

 

- Pensas que sou algum medricas

 

Foram os dois a correr como se nada se passasse em direção ao jardim do tabulado em direção às poldras.

 

-“ Alembrei-me” agora até lá “Inquanto ”não lhe ponho a folha boto-lhe escupe…

 

Isabel Seixas  in olhando ó pra trás

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