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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

07
Jul14

Quem conta um ponto...

 

197 - Pérolas e diamantes: encerramentos seguidos, novamente, de lamentos

 

Tudo o que aprendi na vida de mais significativo foi à minha custa, que é a forma, todos o sabemos, mais fiável de aprender.

 

Quarenta anos após o 25 de Abril fiquei a saber que atualmente já não existe lugar para as revoluções. E muito menos para as utopias. Estes são os tempos prolíferos para o triunfo dos desavergonhados de toda a espécie. Este é o tempo dos que sabem tirar proveito com rapidez.

 

A mediocridade e a vulgaridade triunfaram em todas as frentes. Os sonhos de algumas décadas atrás, assentes na liberdade, na justiça, na igualdade e na paz, estão hoje reduzidos a cinzas.

 

O sucesso, e o sonho, são do tamanho dos BMW dos triunfadores políticos ou especuladores financeiros, do cartão de crédito dos vigaristas ou da indistinta carta de curso dos governantes.

 

Uma trupe de homens práticos, e de técnicos a soldo dos interesses partidários, instalou-se pelo país fora. Especialmente no coração das autarquias, com o resultado que todos conhecemos. Ganham muito dinheiro dizendo que dizem e fazendo que fazem. E quase sempre sob o manto diáfano do anonimato.

 

As amizades também se pagam.

 

Mas nem só eles têm toda a culpa. Antes assim fosse. Foi lendo a sociedade que os desiludidos da minha geração aprenderam que as revoluções acabam ardendo perpetuamente na fogueira da realidade.

 

Na História da Revolução Francesa, Carlyle escreveu que as revoluções são sempre sonhadas pelos idealistas utópicos dos movimentos, são realizadas pelos seus fanáticos e quem acaba sempre por tirar proveito são os desavergonhados de todas as espécies.

 

Quem, por altura das comemorações do 25 de Abril, ouviu na Assembleia Municipal de Chaves alguns discursos sobre essa data proferidos por algumas personagens atualmente no poder autárquico não pode deixar de chorar tanto de rir. E também de tristeza.

 

Na política, como na vida, há gente que se limita a exercer o talento com que nasceu e a esperar que essa qualidade seja constatada pelos seus concidadãos. Há quem pratique atos desesperados, ou até humilhantes, para atingir a cadeira do poder, trocando a palavra dada por um prato de lentilhas. Há ainda quem se submeta a humilhações públicas para amanhar um tacho. Há mesmo quem consiga ser genial. Mas também existem os que, simplesmente, inventam artimanhas e expedientes que, de algum modo, lhes garantem o sucesso.

 

Querem saber concretamente daquilo que falo? Ai querem? Então aí vai.

 

No dia 4 de junho realizou-se em Vidago a 27ª Cimeira Luso-Espanhola, com a presença dos chefes dos governos de Portugal e Espanha. Também estiveram presentes, em representação da Comunidade Intermunicipal de Chaves (CIM), o seu Presidente, António Cabeleira, acompanhado pelo seu Secretário (aqui grafado com “S” maiúsculo, para não se confundir com outro qualquer, não vão acusar-me depois de faltar ao respeito ao senhor Dr.), João Batista.

 

Na ordem de trabalhos constaram, entre outros assuntos, a permanente desclassificação de serviços, a reforma do mapa judiciário, o encerramento de escolas, o ensino superior e o sistema multimunicipal de água. Temas aos quais, dizem os jornais, o nosso primeiro-ministro respondeu positivamente, garantido a sua intervenção de forma objetiva.

 

E de facto assim foi. A resposta positiva recebemo-la passados apenas alguns dias: a tutela resolveu encerrar a Unidade de Cuidados Continuados de Chaves, que presta assistência a mais de 400 utentes, extinguir mais algumas valências do Hospital de Chaves e fechar várias escolas do 1º ciclo no nosso concelho.

 

O senhor presidente da CIM que, por puro acaso, também é o presidente da Câmara Municipal de Chaves respondeu na sua forma contundente e proativa, como agora sói dizer-se: “Mais uma vez lamento o sucedido.”

 

João Madureira

 

 

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