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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

20
Jul14

Aldeias, capitalismo e globalização

 

Ao longo dos tempos a humanidade tem passado por várias transformações. A História dá-nos conta disso, mas nenhuma irá ter comparação com a que vivemos, a que começou com a revolução industrial, e vá-se- lá saber quando terminará. Poeticamente falando, se é que é possível meter poesia onde não a há, poderemos dizer que a revolução industrial foi a aurora de uma longa noite para o despertar de um longo dia, pois a partir de aí nada continuaria a ser como dantes e,  se com esta nova era a humanidade se tornou mais humanizada em termos de direitos,  de qualidade de vida, de liberdade… por outro lado também passou a ser marioneta do sistema, e vai-se movendo como o sistema manda ou permite. Presos nesta liberdade, somos cada vez mais reféns de palavras poderosas como o capitalismo e a globalização, tão poderosas como perigosas, isto se tivermos o mínimo de preocupação com a nossa identidade, com a nossa cultura, com as nossas tradições. Em suma, se tivermos alguma preocupação connosco, nós próprios,  sem perder a nossa condição gregária, temos que forçosamente olhar para a globalização como nossa inimiga, pois ela conduz-nos para a nossa perda de identidade e tende para nos tornar todos iguais.

 

 

Todo o discurso do primeiro parágrafo é para entendermos melhor o porque nas nossas aldeias estarem a ficar despovoadas, pois a globalização tende e tem a intenção de concentrar pessoas onde haja consumo daquilo que o grande capital produz e, as aldeias autossuficientes que ainda por cima escoam os produtos sobrantes com qualidade, não entram nas contas do capitalismo e da globalização e não foi por mero acaso que apareceu a ASAE e uma fiscalização apertada e proibitiva sobre os produtos caseiros, aqueles de que verdadeiramente gostamos e são tão nossos, como o fumeiro, por exemplo, ou como o leite tomado quase diretamente da teta da vaca, aquele que as leiteiras de Outeiro Seco transportavam todas as manhãs em cântaros, em cima de burros, para alimentar a cidade de Chaves, por exemplo, que conhecíamos a origem e até os porcos e as vacas que nos davam esses produtos. Hoje penso que se alguém se atrevesse a ter  a intenção de ter umas vacas em casa, mugi-las pela manhã, para transportar o leite em cântaros e cima de burros para vender na cidade, era logo multado ou preso quando tivesse a ideia, no entanto ninguém pergunta, ou sabe de onde vêm ou como são feitos os hambúrgueres do McDonald’s, ou as salsichas, ou toda essa quantidade de embalados à venda nas grandes superfícies, incluindo o leite…mas garantem-nos que são produtos garantidos e de qualidade, mesmo que venham da China ou de cascos de rolha, tanto faz.

 

 

Mas o mal da globalização, é que todos alinham nela, ou são forçados a alinhar por quem tem o poder, sobretudo o económico, aquele que domina a política e vai dai, globalizam-se escolas, como que diz concentram-se numa única, com o pretexto de uma melhor educação das criancinhas e não importam as outras aprendizagens não formais e informais que aprendiam nas aldeias com os avôs, com o agricultor, com o pedreiro, com o sapateiro, como se fazia o pão, aquecia o forno, como se fazia o vinho, quando era tempo da fruta madura, que aprendiam com a mãe que fazia alheira e chouriças, que apanhava os frutos maduros das árvores para comer em casa, que fazia compotas com a fruta que sobrava, marmelada e geleia dos marmelos, que lhe estrelava o ovo que tinha trazido da capoeira, que matava o galo, o perú ou o cabrito para comer no dia de festa, aqueles que criou com tanto amor e carinho, mas sobretudo, nas aldeias, as criança aprendiam valores  que iam passando de geração em geração e só possíveis em famílias estruturadas à volta de uma verdadeira família com pais, tios, primos, avôs todos a viver na proximidade, mas sobretudo aprendiam com os mais velhos e respeitavam-nos porque sabiam tudo e de tudo, mesmo que fossem analfabetos.

 

Custa ver perder as nossas aldeias mas sobretudo a nossa cultura e os nossos valores.

 

As fotografias de hoje são de Vilas Boas ou que vai restando desta aldeia, mas para ilustrar o texto de hoje, poderiam ser de uma qualquer das nossas aldeias, exceção para as da periferia da cidade, que já há muito perderam a sua ruralidade e não passam de freguesias urbanas, iguais em todas as cidades, com o mesmo tipo de pessoas, hábitos e costumes, com muitos vizinhos, mas que raramente se conhecem… e com esta me vou.

 

Fernando DC Ribeiro

 

 

20
Jul14

Pecados e picardias

 

Ao cair da tarde

na placidez do ultimo voo

uma só brisa  de  silêncio,

amortece a raiva surda muda dos acossados,

Respiram  mágoa

Inocentes e condenados

à  maldição da pobreza…

 

Ao cair da tarde

 esmorecido  o crepúsculo,

escurece nas  encostas da alma,

  passos trôpegos de quem já não  se vê descem as ruas,

anoitecem  tristes

esperanças sem corpo, nuas

de futuro e certeza…

 

Ao cair da tarde

pela mão  implacável do tempo

branqueiam  têmporas da vontade,

refém das memórias, promessas de  sonhos, infiéis

para si próprios,

ficam na história, cruéis

afogadas  pelo medo…

 

 

Ao cair da tarde

Cansados do dia já passado

Voltamos a ser,  anjos de pecado…

 

Isabel seixas in Espólio

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