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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

23
Set14

Crónicas Estrambólicas

Suponho que hoje ainda vamos ter por aqui mais uns “Estratos” da Rita, mas enquanto eles não chegam e como por aqui, ultimamente, o que é ocasional virou a moda, inauguramos hoje mais uma crónica de um autor que há muito vem colaborando com o blog, precisamente em “Crónicas Ocasionais” mas às quais decidimos dar nome numa rubrica própria, que acontecerá ocasionalmente. A crónica passará a ser intitulada por “Cronicas Estrambólicas” e a autoria é do Luís de Boticas. Fica então a primeira, desta nova série:

 

 

As Intermitências Do Pimba

 

Em 2040, Portugal era o país mais intelectual do mundo. A aplicação de políticas de excelência com uma aposta muito forte na educação e o regresso em massa dos cérebros que tinham emigrado, transformou Portugal num país extremamente refinado. A população era composta por 95% de licenciados (80% deles tinham também um doutoramento) em universidades locais, que estavam classificadas como as melhores do mundo, ultrapassando as americanas e inglesas. A população vivia um estilo de vida intelectual com dedicação fanática. Os livros esgotavam rapidamente, os jornais de qualidade nunca eram suficientes e os espectáculos de artes eram muito procurados. As televisões abriam de manhã com concertos de ópera ou jazz e as tardes eram preenchidas por debates profundos sobre artes ou ciências, sempre com grande sucesso de audiências e muita competição entre os canais (aos Domingos à tarde, quando a SIC passava uma ópera do Mozart, a TVI não se ficava atrás e passava outra do Vivaldi). Apesar disso, os resquícios da cultura pimba dos anos 10’s preenchiam completamente a programação da RTP 2, que tinha a pior audiência de todos os canais. Nesse canal (altamente subsidiado pelo estado) podiam ver-se coisas como concursos de música pimba, noticiários de 2 horas com bastante coscuvilhice, 7 novelas diárias, etc. Este era o canal dos pimbalectuais, gente que adorava o pimba, mas que estranhamente se apresentava como os antigos intelectuais, com óculos redondinhos e aparências cuidadosamente descuidadas. A classe intelectual, para contrastar, vestia-se como as donas de casa do antigamente. O estado subsidiava fortemente a cultura desta minoria pimbalectual. Enquanto os espectáculos de ópera e jazz esgotavam rapidamente, os concertos de música pimba sobreviviam apenas porque eram subsidiados. O teatro de revista também vivia à custa do estado, ao contrário dos teatros que passavam peças de Shakespeare ou Becket, tão concorridos que as pessoas passavam noites nas filas para as bilheteiras enquanto se entretinham a ler coisas como o Guerra e Paz ou o Quixote. O futebol também perdera toda a popularidade e os estádios tinham sido vendidos a companhias que os enchiam com multidões fanáticas que assistiam aos espectáculos do campeonato nacional de dança contemporânea, onde actuavam dançarinos idolatrados, pagos em milhões, que faziam vender três jornais diários dedicados exclusivamente à dança contemporânea e ao ballet, com mais um ou outro artigo sobre valsas. Os pimbalectuais detestavam toda esta cultura popular intelectual que era fortemente publicitada por todos os meios de comunicação social. Durante o verão, acontecia o descalabro, todas as vilas e aldeias tinham festas e festivais de jazz e clássica onde os intelectuais dançavam elegantemente e com entusiasmo. Do outro lado, os pimbalectuais zurziam e desdenhavam (em crónicas na revista Maria e em debates no canal 2) de todo este mainstream das multidões intelectuais, com um desprezo especial pelos dançarinos pagos em milhões. No meio desta confusão intelectopimbactual, havia um pequeno grupo completamente desorientado: os hipsters. Estes já não sabiam o que fazer e apareciam nos bares da moda com tangas de pele de leopardo, lanças na mão, etc. Não sabendo já onde se posicionar, pelo sim e pelo assim-assado, passavam exclusivamente música obscura chinesa nos seus bares fora de moda.

Luís de Boticas

 

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