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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

02
Set14

Intermitências

 

Cinema

 

 

- Defina-me a vida numa só frase.

 

- Tudo me muda, (mas) nada me modifica.

 

- ... os locais, as pessoas surgem de repente sem aviso, aproximam-se das vidas, fazem parte delas, e de mansinho, sem aviso, afastam-se, e é como se nunca tivessem existido...

Cannes, França, Agosto 2014 - Fotografia de Sandra Pereira

- E eu quedo-me comigo. Como sempre.

 

- ... como um filme que emociona e finda sempre, no bem ou no mal...

 

- E eu quedo-me comigo. Como sempre. Sonhando com o estrelato, (mas) repetindo os mesmos cenários.

 

Cannes, França, Agosto 2014 - Fotografia de Sandra Pereira

 

- ...pois você não é actor! 

 

- Não. A minha vida não é um filme. É um fotograma. Tudo vai mudando, (mas) nada modifica.

 

- ... está agora perto de mim, mas já começo a afastar-me, em direcção ao longe... Não restará nada de mim em si? Nem uma marca?

 

- Se restar algo do fotograma... ou tudo ficará perdido e retido numa doce memória, e aí, é como se nunca tivesse existido.

 

Sandra Pereira

 

01
Set14

Quem conta um ponto...

 

204 - Pérolas e diamantes: semear ventos

 

Numa tarde deste tempo pesado que nos toca viver, neste tempo de vacas magras e empréstimos camarários gordos, li no Público uma entrevista a Mario Vargas Llosa. Dela retive duas ou três coisas que passo, com vossa licença, a partilhar.

 

O maior inimigo da democracia encontra-se no seu próprio seio. É ele o desaparecimento da cultura enquanto questionamento constante da realidade.

 

Ou seja, em Estados pretensamente democráticos como o nosso, a própria cultura tornou-se uma derrota em si mesma.

 

As estruturas políticas estão muito distanciadas da realidade. “A corrupção, por outro lado, contribuiu muitíssimo para o desprestígio da política.”

 

Adriano Moreira, fundador e líder histórico do CDS, em entrevista ao Jornal I pôs o dedo na ferida: “A resposta que se é contra o Estado social porque não há dinheiro implica a pergunta se também não há princípios.”

 

Quanto mais não seja, numa coisa o acompanho: Este neoliberalismo repressivo, que teima em multiplicar as sanções, aumentando os impostos e restringindo a maioria dos nossos direitos, é antidemocrático.

 

Como ele sou “contra este neoliberalismo repressivo”.

 

De facto, o êxito passou a ser o prémio destes novos caçadores de recompensas. A fé inabalável nos mercados veio substituir a “velha” crença nos valores.

 

Os aprendizes de feiticeiro incorporaram a filosofia de que a iniciativa privada em total liberdade é a responsável pelo progresso e pela abundância. Ora isso é rotundamente falso. E a prova aí está à vista de todos. Portugal definha. O sacrifício neoliberal pode levar-nos à desagregação social e à violência política. 

 

O distinto professor lembra aos mais distraídos que as pequenas pátrias estão a querer mostrar-se. E isso afeta a unidade dos Estados.

 

Também o nosso, infelizmente, dá indícios de desintegração. O abandono do Interior é um sinal disso mesmo. Não sei durante quanto tempo mais, as populações que teimam em habitar este vasto território português vão aguentar ordeiramente que lhes roubem os principais serviços, condenando-as a uma vida de subserviência e de subdesenvolvimento.

 

O governo do PSD/CDS desculpa-se com o Tribunal Constitucional. Mas a resposta de Adriano Moreira é concludente: “Se alguma coisa contraria o governo, é a Constituição, não o Tribunal que a defende.”

 

A finalizar a entrevista coloca o dedo na nossa ferida mais evidente, o «Sistema»: “Um dos piores vícios é a promiscuidade entre o poder político e o poder económico.”

 

É caso para dizer que o nosso primeiro-ministro e o nosso, salvo seja, presidente da Câmara, ao mesmo tempo que são frusta-talentos, agudizam a memória do nosso passado pobre, fazem-nos estar fartos do nosso paupérrimo presente e encaminham-nos para a eterna desconfiança de um futuro isento de promessas dignas.

 

Toda esta crise me leva a estar cada vez mais de de acordo com António Costa: “O fim da austeridade não é uma promessa: é uma necessidade.”

 

João Madureira

 

PS – Para que os vereadores do PS da CMC também se ponham de acordo quanto à sua verdadeira posição relativamente ao pedido de auditoria externa às contas da Câmara de Chaves – até porque não é bonito atirar a pedra ao (ex-) vereador do MAI e esconder a mão relativamente à posição de um seu vereador que, num primeiro escrutínio votou favoravelmente a realização de uma auditoria externa às contas da autarquia flaviense, para depois, numa segunda fase, dar o dito por não dito, e votar em sentido inverso –, vimos por este meio solicitar mais uma vez ao senhor presidente António Cabeleira, e aos seus distintos vereadores, João Neves incluído por inteiro, que tenham a coragem de assumir a necessidade de uma auditoria externa às contas da autarquia. Pois quem não deve não teme e à mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo. Até porque estamos todos com necessidade de dormir um pouco mais descansados.

 

 

01
Set14

Pecados e picardias

 

Prosmeiras

 

Era um tempo de maledicência

Da ousadia do moralismo

que se atrevia

A condenar sem perdão

a inocência

que escorregava

pelo abismo

como quem morria,

por detrás da janela 

pelas nesgas da cortina,

a velha, sem ser velha, escurecia,

espreitava  a desgraça

pra contar em surdina

às beatas doentes de bulimia

de engolir e vomitar dos outros, a chalaça…

de manhã sorrateiras

encontros na padaria

lançam farpas

à vizinha

com filha ainda solteira

aludem ao como foi

aludem ao como  seria

desafinam  em notas falsas

e rumores de coitadinha

terem visto

desde as trevas

e ou do estado de soneira

a rapariga manceba

em suspiros de rameira

nas escadas dando abebas

ao rapaz a quem se entrega…

nisto a vizinha enfadada

queima com olhar aceso

sai pela porta destrambelhada

chama à velha mal amada

à beata encalhada

a ambas invejosas e  sedentas de peso..

 

olham-se ambas admiradas

mas que bicho lhe mordeu

querem lá ver que era ela nas escadas

para mais tarde dar cornadas

no marido camafeu?!…

 

Afiam a língua sem barreiras

Cumprimentam de vénia, as prosmeiras…

 

Isabel Seixas

 

 

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