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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

17
Out14

O Barroso aqui tão perto... Histórias da Vermelhinha

 

GAITA-DE-FOLES COM OLHOS E BOLSA ROTA…

 

Um dia o Prica foi à feira da Venda Nova. Andava ele a ver o toural do gado, esbarra com o Lobete da Coimbró e o Raposo do Salto a marralharem o preço duma vaca.

 

Chamam-no para fechar o negócio.

 

Ora o Prica ficou, por assim dizer, entre o diabo e a mãe. O Lobete era primo; o Raposo, vizinho de porta.

Pergunta o Raposo, que, no caso, era quem vendia:

 

- Ó Prica, diz lá: a vaca é boa ou não é?

 

- É boa é! – responde o Prica em voz alta. E depois, cosendo-se com o primo em surdina: - Mas abortou há quinze dias…

 

Mas o Lobete ouvia mal…

 

- Que dizes?

 

- Que a vaca é boa! – Repete o Prica, arredondando a voz. E, entre dentes: - Mas abortou há quinze dias…

 

- O quê? – Volta o Lobete, pondo a mão em concha atrás da orelha.

 

- Que a vaca é boa! – Grita o Prica. E, voltando costas: - Vai-ta-foder…

 

Mas meia hora depois, o Raposo estava direito com ele.

 

- Vamos beber um copo.

 

- Obrigado, mas por agora não me apetece – responde o Prica, ainda com a má consciência de ter enfiado o barrete ao primo.

 

- Não me faças uma desfeita dessas! – Insiste o Raposo. – Com um sol destes, quem não há-de ter sede? Cá por mim, estou com um secão que nem me tenho nas pernas. Vamos ali ao Machado, que tem lá um verdinho detrás da orelha.

 

Realmente estava calor e o Prica sentia a garganta seca.

 

Aceitou o convite.

Estavam eles no balcão, aparece o Lobete. Atrás do Lobete, vieram outros. Agora pago eu, depois pagas tu, pelo varrer da feira o Prica estava com uma zurca de todo o tamanho. Comprou um quarteirão de sardinhas para levar à patroa, meteu-as entre a camisa e a coirata e juntou-se aos vizinhos que regressavam a casa. Lá veio vindo, monte arriba, de canto em esquina. À entrada do povo, apeteceu-lhe mijar. Desabotoou a carcela, puxou da cabeça duma sardinha para fora e pôs-se a mijar pelas pernas abaixo.

 

Sentido o mijo nas coxas, começou a gritar:

 

- Ó rapazes? Quereis lá ver que se me rompeu a veia da urina? Ai a minha desgraça…

 

E, olhando para a sardinha na mão direita, à luz do luar, benzeu-se com a esquerda:

 

- Tó, diabo! Há sessenta anos que te tenho, e só agora reparo que tens olhos…

 

Bento da Cruz, In Histórias da Vermelhinha

 

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