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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Out14

Pecados e picardias


Pecados vários

Restos de adeus

 

Restos de ternura escondem-se no disfarce,

do tempo e na cabeça grisalha meu amor,

Luares lambem lábios, noite, amor tece…

Beijos destilam juras sem futuro em licor …

 

Sem pudor, restos de desejo correm nas veias,

Concebidos em pecado, suspiros em coro

Murmúrios num refrão de canto de sereias

Batismo e despedida num lascivo choro

 

Balbucio só o teu nome nos teus lábios,

lava num crepitar até à foz da rendição

Apagamo-nos no mais doce dos calvários

Sós, como dois náufragos afogados na paixão

 

Restos de adeus num último beijo no rosto

Ébrios meu amor, até ao fim do sol posto…

 

 

Isabel Seixas in entre a espada e a parede

 

19
Out14

Castelões, uma vez mais.


Há aldeias e aldeias. Há aquelas que não resistiram à pressão da modernidade e aos poucos foram perdendo as suas caraterísticas que as tornava tão singulares, diferentes, interessantes. Com a invasão da modernidade e dos novos materiais que luziam nas cidades, muitas das aldeias tornaram-se iguais e perderam toda a sua essência e interesse para quem entra nelas à procura da ruralidade e, daquilo que é verdadeiramente nosso, com os nosso saberes e sabores.

 Felizmente que não é o caso de Castelões, uma aldeia onde ainda dá gosto ir, estar por lá e deixar que os nossos olhares se percam em apreciação de uma rua, de um beco, de um pormenor que seja. Uma aldeia onde a modernidade também chegou, é certo, mas sem incomodar muito o seu núcleo histórico, o seu coração, a sua essência. E assim dá gosto ir por lá e, de cada vez que o faço, descubro um novo pormenor e sei, sempre, que nunca volto de lá de mãos vazias em registos de olhares.

 Mesmo por entre ruinas se encontram preciosidades, como o arrumar das telhas, daquelas que hoje já não se fazem, à espera de novos dias. Vamos esperar que sim.

Uma chave na porta de madeira à qual a pintura poderá não resistir ao rigor dos invernos mas onde a velha madeira teima em mostrar a sua fibra e resistência. Uma gabela de lenha que se calha irá aquecer um forno para nele cozer o pão e encher a aldeia de aromas a pão cozinho, o fio azul que bem podia ser utilizado como símbolo da reutilização e de um verbo que nas aldeias sempre se soube conjugar nas diversas formas, um cão que espreita a luz do dia e os cheiros de quem passa enquanto espera pela liberdade da caça ou de um mimo do dono. Enfim, alguns pormenores que recolhi de uma das últimas vezes em que passei por lá e que hoje deixo aqui, porque as nossas aldeias também são feitas de pormenores únicos.

 

 

 

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