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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

03
Out14

Humberto Ferreira, com 20 Sombras, na Adega Faustino


Hoje às 18 horas inaugura mais uma exposição promovida pela Associação de Fotografia Lumbudus. “20 Sombras” de Humberto Ferreira, fotógrafo Lumbudus e também ele blogger flaviense, com o blog http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/ . Uma exposição diferente onde só as sombras, as silhuetas, o contraluz tem lugar, respondendo assim a um repto lançado pela Lumbudus de uma exposição em que a fotografia fosse além do simples registo de uma imagem, tal-qual os nossos olhos as veem. Uma exposição que abordasse a arte fotográfica.

Houve tempos em que se lançava a discussão de se a fotografia poderia ou não ser considerada como uma arte. Hoje em dia, com essa discussão ultrapassada e a fotografia já confirmada como uma arte, com a sua vulgarização de todos transportarem consigo uma câmara fotográfica e fazerem fotografia a todos os momentos, com a possibilidade de publicação imediata nas redes sociais da internet, a fotografia entrou numa nova era e o artista fotógrafo já não é aquele que tem uma boa câmara fotográfica toda xpto e aquele que domina a técnica da fotografia, aliás esses ingredientes nunca foram condições suficientes para se fazer arte com a fotografia, embora possam ajudar. Hoje são mais as tendências e os tratamentos fotográficos que fazem a moda e a arte fotográfica, pelo menos a arte mais popular nas camadas mais jovens que na maioria das vezes recorrem apenas às câmaras fotográficas dos telemóveis. Depois vem a fotografia feita com arte, em que na sua essência está na composição e, principalmente, na qualidade do olhar, com tratamento ou não, com bom equipamento ou não - é tipo de fotografia que faz a praia dos fotógrafos amadores, daqueles que amam e se apaixonam pela arte de fotografar, que fazem fotografias que dizem coisas, que são sensíveis aos momentos.

Há ainda os velhos fotógrafos que vêm do tempo da fotografia analógica, os mestres da fotografia, mas aqui a discussão já é mais complexa, pois há os resistentes, os puristas e aqueles que aderiram e se renderam às novas tecnologias de captação e tratamento de imagem, sem a olhar com desdém, e os que eram bons fotógrafos continuam a ser bons fotógrafos, ou melhores ainda. Por último, há o comércio e os lobby da fotografia, mas esses, prefiro deixá-los de fora da minha apreciação.

É, é assim. Uma exposição fotográfica do Humberto Ferreira tem de nos levar obrigatoriamente à discussão da fotografia e a tudo que diz respeito à fotografia, não fosse ele um amante maior desta arte, de tudo que diz respeito à fotografia, desde a sua origem/história até aos nossos dias, e a testemunhá-lo está a sua impressionante coleção de tudo que diz respeito à arte fotográfica.

 

03
Out14

Discursos Sobre a Cidade - Por Isabel Seixas


 

 

Cemitérios vivos

 

Olá Pai

Enigmas do além

impedem-me de ajuizar

sobre as estações do ano e os apeadeiros

em que repousas dos silêncios

solitários do tempo etéreo

onde agora tu habitas…

 

Por cá, na vigília

dos sentidos, corre nas veias

lamúria como luto, após o enterro sucessivo

dos valores, de honestidade

e isenção, por quem padece, de poder

mentir, ao invés da verdade.

 

Há um futuro justo

Num local secreto cego

Onde deuses ateus conspiram contra todas as doutrinas

Sem o pudor do medo prisioneiro

arma letal e ditadura de ideias

túmulo da liberdade.

 

 

O amieiro

Não mudou a pele sazonal

Verdejante vive afrontamentos de menopausa

Sopros de calor, tiritar de frio, com chiliques

Sem folhas caídas sem tapete debotado,

outono , sem ser avisado…

 

Tua filha

Isabel

 

 

02
Out14

Mais uma da Rua Direita, com chuva


Não se preocupem com a chuva que os dias continuam vindimeiros, a foto é que já tem quinze dias. É assim, nem tudo é o que parece, como por exemplo algumas anomalias que irão acontecer no blog durante poucos dias (assim o espero), como esta de não conseguir centrar as fotografias no post ou de não conseguir carregá-las do sítio do costume, mas não é por minha culpa, antes do SAPO, que tem andado com remodelações na casa e que como é habitual nos primeiros dias alguma confusão é instalada, coisa que os sapinhos lá de casa costumam resolver, pois verdade seja dita, os blogueiros do sapo não se podem queixar da atenção que eles põem nas nossas preocupações (estou a engraxar um pouco na esperança de que resolvam o problema mais depressa), no entanto não é por essa razão que a foto de hoje sai com chuva. Até daqui a mais um bocadinho, com mais um “discurso sobre a cidade”.

02
Out14

Discursos (emigrantes) Sobre a Cidade


 

 

A Farsa

“Este mundo não morrerá de uma bomba atómica, como dizem os jornais, morrerá de riso, de banalidade, transformando tudo em farsa e, ainda por cima, em má farsa”.

 

Assim prevê o ultimamente muito badalado escritor barcelonês Carlos Ruiz Zafón, em “A Sombra do Vento”, confirmando que a ficção é muitas vezes a melhor arma para dar um tiro certeiro “nos tempos que correm”.

 

A afirmação e o apego à identidade cultural e linguística rugem mais do que nunca na Catalunha, com o aceso braço-de-ferro entre o “ayuntamiento” regional e o Governo espanhol, que quer travar a todo o custo a realização de um referendo sobre a independência catalã. Em Setembro, nas festas da cidade, La Mercê, regressaram os manifestos da revolta contra uma cidade desaparecida (retratada no best-seller de Zafón), abafada e descaracterizada pelo turismo massivo. Cada vez mais, Barcelona é hoje uma cidade de renúncia.

Fotografia de Sandra Pereira - Barcelona, Festas de La Mercè, Setembro 2014

Fará sentido tentar rebuscar o que a evolução do tempo vai apagando e reconstruindo, como acontece na natureza? Fará sentido tentar recuperar o perdido em vez de afeitar o que a imparável força da mudança nos impõe? A luta pela afirmação do orgulho catalão não cairá na banalidade e no ridículo ao omitir os verdadeiros problemas da cidade, pois já está generalizado o sentimento de que está tão pensada para quem a visita que esquece quem nela vive? O discurso nacionalista e inflexível dos catalãs, de tantas vezes repetido, não se irá transformar numa farsa, numa má farsa, motivo de riso?

 

Readaptar e reajustar as tradições parece ser o lema que Portugal vem adoptando ultimamente com casos de sucesso à vista, ao tentar reavivar e dar um novo visual ao que sempre foi mas deixou de ser (também devido à crise), desde a confecção própria e promoção dos seus produtos gastrónomicos aos edifícios reconvertidos em outros usos. A prova do sucesso está no aumento de turistas este Verão e na excelente imagem que o país e os portugueses gozam no estrangeiro. Em vez de renunciar a mudanca, os portugueses – cada vez mais a aguçar o engenho no auto-empreendedorismo - estão a reinventá-la.

 

Num país traumatizado a viver o período pós-troika, os resistentes que povoam a região transmontana e os concelhos do Alto Tâmega, em vez de se fecharem na farsa do que "era antigamente", também devem seguir a tendência da reinvenção, pois o caminho ainda nem vai a meio. Contra a erosão do tempo, o melhor remédio é não deixar-se cair no imobilismo, no saudosismo, no "mesmimo", na banalidade de que Zafón fala. É disto que o povo precisa, é deste saudosismo cheio de orgulho que o emigrante precisa para regressar, defender e dar uma mão à sua terra.

 

Sandra Pereira

 

 

 

 

 

01
Out14

Chá de Urze com Flores de Torga - 54


 

Chaves, 14 de Setembro de 1987

 

Tratei-o durante anos de várias mazelas, e hoje foi ele que se prontificou a tirar-me uma dor das costelas. Espalmou a mão direita sobre o sítio doente, ergueu a esquerda à laia de antena, e pôs-se a murmurar não sei que reza. A pontada ficou na mesma, por minha única culpa, que não estive à altura da fé que dantes o fazia acreditar cegamente na medicina dos doutores, e agora o traz rendido à dos bruxos. O fascínio do sobrenatural! Poucos lhe resistem. O homem é pequeno naturalmente. E só se desmente quando se convence de que pode mover montanhas com um simples gesto. Está louco, mas tem asas. A humildade e a renúncia de que eu necessitei para continuar a ser ali um pobre clínico mortificado ao pé daquele taumaturgo iluminado!

 

Miguel Torga, in Diário XV

 

 

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