Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

03
Nov14

Quem conta um ponto...

avatar-1ponto

 

213 - Pérolas e diamantes: o absurdo do disfarce

 

Quando penso no enorme embuste programático e na imensa insensibilidade social do governo da nação e na enorme falta de coragem da Câmara presidida por António Cabeleira em assumir uma auditoria externa às suas contas, há uma frase de François de La Rochefoucauld que me vem logo à memória: “Estamos tão acostumados a disfarçarmo-nos perante os outros que acabamos por nos disfarçarmos a nós próprios.”

 

Podemos dizer que as duas atitudes têm quase um caráter absurdo. Mas, como escreveu Camus, “o absurdo não liberta, prende”.

 

E já que estou com a mão na massa, deixem que, e tendo por pontos de referência os dois exemplos indicados, cite o poeta Arthur Rimbaud: “Quando somos mais fortes – quem recua? Mais alegres – quem cai a rir? Quando somos muito maus – o que nos podem fazer?”

 

Por vezes também me lembro do convento descrito por Alejo Carpentier (Os Passos Perdidos), que possuía altares barrocos, magníficos tetos de caixotões e, ainda, uma sala onde os mestres se flagelavam, ao pé de um Cristo negro, frente à horripilante relíquia da língua de um bispo, conservada em álcool para lembrança da sua eloquência.

 

Antigamente a simbologia era muito forte. Hoje é apenas residual. Ou inexistente. Como Carpentier escreveu: “A consciência da nossa própria consciência impede-nos de gestos tão metafóricos.”

 

Mas a pergunta impõe-se, para lembrança da eloquência – e da sua verdade apregoada aos quatro ventos –, dos nossos políticos de hoje que relíquia deles guardaríamos em álcool?

 

Todos vamos tendo cada vez mais saudades de outros tempos, onde existia retidão nos procedimentos, existia respeito absoluto pela palavra dada, pela honra e pelo cumprimento das obrigações que enobreciam. A fidelidade a esses valores era eterna e impossível de ignorar, excluindo qualquer possibilidade de discussão.

 

A este fenómeno está associado um outro: o rápido desaparecimento da cultura, no sentido que tradicionalmente se deu a essa palavra.

 

Todos nos transformámos em consumidores de ilusões.

 

Juan, um personagem do romance de Torrente Ballester “Os Prazeres e as Sombras”, talvez não deixe de ter razão sobre o destino dos que teimaram em ficar nas suas terrinhas: “Àquele que fica por lá vedam-se-lhe os caminhos, menos a mediocridade e a bebedeira.” “Este país é o país da inveja e do esquecimento; se te descuidas, esmagam-te; se não produzes, de hoje para amanhã ninguém se lembra de ti. É como viver em pé de guerra.”

 

O mesmo Juan se dá conta do enorme embuste que representa a política, sobretudo a provinciana, quando pergunta: “Que mentiras tem que contar um homem para que confiem nele?”

João Madureira

 

 

PS – Afinal o que seria a nossa vida sem o inalterável fluxo de obrigações desagradáveis, de compromissos vagos e de vocações frustradas.

 

Um personagem do livro de Alberto Manguel, Todos os Homens São Mentirosos, distinguia entre o falso verdadeiro e o verdadeiro falso, sendo que o primeiro lhe parecia mais real.

 

Da pluma de Berens, outro personagem do livro de Manguel, presenteamos o senhor presidente da CMC, mais a sua distinta vereação, com esta «citação grátis»: “Sempre pode haver um trevo / entre a erva selvagem / que embora igual na terra / difere pela sua coragem.”

 

Certos de sermos compreendidos nesta nossa mensagem, mais uma vez reiteramos o pedido de aprovação de uma auditoria externa às contas da nossa autarquia, pois quem não deve não teme e etc.

 

PS 2 – E, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, da qual foi digno presidente, até 2013, o agora vereador João Neves (ex-MAI e presentemente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão garbosamente solicitou, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da Câmara de Chaves, com toda a certeza verá com bons olhos, e até aplaudirá de pé, uma auditoria realizada às contas do seu próprio mandato.

 

03
Nov14

De regresso à cidade sem Santos

1600-santos-14 (733)

Eis-nos de regresso à cidade, ainda com fotos do último dia de Santos, mas sem Santos. Olhares que aconteceram à margem da feira, numa Rua Direita quase despovoada, coisas da chuva e das barracas andarem por outros lados, e outra da entrada do Forte de S.Francisco com ar outonal, esta sim, mais próxima da feira.

1600-santos-14 (811)

Voltamos à normalidade dos dias, pelo menos até ao São Martinho, que está aí à porta. Venham lá as castanhas e as sardinhas.

 

Sobre mim

foto do autor

320-meokanal 895607.jpg

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Anónimo

      Assisti a construção das aldeias de Criande e Alde...

    • Cláudia Luís

      Ola bom dia gostaria de saber a morada e o contato...

    • Amiel Bragança

      Com um Abraço votos de Santa Páscoa.Amiel Bragança

    • Anónimo

      Que bom sabermos particularidades da vida de um gr...

    • Fer.Ribeiro

      Obrigado pelo comentário. Em relação ao Chaves Ant...

    FB