Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

02
Dez14

Um breve regresso no tempo


1600-(41319)

Ontem calhou almoçar com um amigo de infância que já não via há alguns longos meses e, é um dos que vou vendo com mais frequência. Com a brevidade de uma conversa de almoço e o olho posto no relógio para o regresso ao trabalho, deu mesmo assim para regressarmos ao nosso antigo bairro, a Casa Azul, aos tempos em que os putos mais putos e os putos mais graúdos povoavam a rua do bairro. Contava-me o meu amigo que uma vez se deram ao trabalho de nos contar e éramos mais de cem, todos naquela sala de convívio que era a rua com ponto de apoio na taberna do bairro, de onde todos os mais velhos, as famílias, eram clientes de caderneta da mercearia, do pão e onde os filhos iam passando o tempo, mais ou menos organizados em pequenos grupos de interesses ou de conversas, de brincadeiras ou passatempos, que transformavam a taberna, num centro social ou de convívio, onde os putos mais putos eram rejeitados das conversas e diversões dos putos maiores, mas que podiam contar com eles, sempre que eles eram necessários para uma emergência de um tombo mal dado com a bicicleta, de um peão que acertou na cabeça dum parceiro, ou de outra qualquer coisa.

 

Para a cidade vinha-se aos bandos, de 10, 15, 20 ou mais, dependia do dia e dos trocos contados ainda em tostões, coroas ou poucos escudos, mas ninguém ficava de fora, havia sempre para todos, para ir ao cinema, às verbenas, tomar um café com direito a fazer sala toda a noite.

1600-(41102)

Recordámos alguns amigos há muito ausentes, lamentámos os que já nos deixaram, relembrámos aventuras de então, algumas bem arrojadas, mas que sempre terminaram em bem e de novo recordar um ou outro amigo que ainda vamos vendo por aí, às vezes, e coincidimos, do fundo do coração e com toda a sinceridade do mundo, que mesmo não nos vendo há 10, 15, 20, 30 ou 40 anos, os anos da nossa juventude foram marcantes e importantes na nossa formação e que mesmo ausentes a tanta distância, mantém-se e manter-se-á a amizade para sempre, pois aquilo que então se vivia era mesmo uma amizade ligada por laços de família, de sangue, mesmo sem sermos nada uns aos outros, a não ser um irmão ou irmã que sempre havia por perto, pois nenhum de nós era filhos único, no tempo ainda não se usavam.

1600-(41318)-bino

Coincidimos também em recordar um amigo que anda sempre por aí, igual ao que era há 40 anos atrás, quer fisicamente quer no seu modo de vida. Todos lhe reconheciam a amizade e a loucura saudável que tinha, sempre bem disposto, inteligente mas para quem a vida nunca sorriu, foi a tropa, fugiu da tropa, uma duas, três, quatro, não sei quantas vezes, tantas, que se cansaram de o vir buscar, e todos, os amigos da Casa Azul, reconhecem que poderia ter sido alguém se tivesse estudado, se a família tivesse dinheiro para o estudar, se tivesse família para além dos amigos do bairro, se…, se…, se. Continua a habitar o lado de cá do rio, o lado da veiga, agora a Madalena porque a Casa Azul há muito que morreu, mas conhece toda a cidade, percorre-a sozinho, com um olhar muitas vezes triste mas sempre pronto a dar um sorriso a quem o cumprimenta porque o conhece e, quando os amigos da Casa Azul lhe dão um bocadinho de companhia ou conforto, o seu sorriso é acompanhado de um brilho nos olhos. É o Bino, nunca lhe conheci um apelido e o Avelino, foi companheiro de almoço e deste pequeno regresso ao passado.

 

 

 

01
Dez14

Quem conta um ponto...


avatar-1ponto

217 - Pérolas e diamantes: recuperar a Esperança

 

Não me sai da cabeça uma frase de António Pires de Lima, o cínico entertainer parlamentar, e também gerente do Ministério da Economia, pois não consigo perceber se ela é uma habilidade semântica ou uma rematada imbecilidade. Na dúvida, aqui a deixo inteirinha para que os estimados leitores possam decidir naquilo em que eu fui manifestamente incompetente.   Ei-la, a tal pérola: “A recuperação do investimento é como «ketchup» e golos do Ronaldo: quando começa ela vem em golpes mais fortes.”

 

Cá para mim, isto tem tudo a ver com o clima eleitoral que se aproxima. Ninguém sabe ao certo qual a margem de manobra para o PSD e o CDS cumprirem as promessas que vão fazendo e com as que se preparam para fazer. Mas mais legítimo é perguntar sobre qual o nível de credibilidade do PS para cumprir as promessas que anda a proclamar, como os feirantes dos Santos.

 

Cá para nós, que os conhecemos há muito tempo, a resposta é simples: a margem de manobra é nula. E quem tiver dúvidas, é favor consultar o último relatório de avaliação da Troika.

 

Os partidos tradicionais são constituídos por uma maioria de pessoas medíocres que apenas raciocinam na lógica da salvaguardada dos seus próprios interesses. O caso mais paradigmático, e recente, é o do ex-primeiro-ministro José Sócrates.

 

Enquanto cidadãos, na velha tradição democrática e republicana, todos os portugueses se devem sentir sinceramente lesados pela forma como o país tem sido gerido nas últimas décadas.

 

Vivemos na lógica do salve-se quem puder.

 

Quarenta anos desta nossa democracia partidocrática, baseada no poder exercido invariavelmente pelo PSD, CDS e PS, levou-nos a tocar o fundo.

 

O resultado está aí à vista de todos: um Estado falido; empresas com maioria de capital estrangeiro defendendo os interesses de terceiros; e uma dívida que nos asfixia a todos.

 

Portugal é já um Estado insolvente, desacreditado e abúlico.

 

A modernização visível assenta em infraestruturas de discutível pertinência, feitas à custa de empréstimos externos, e não da criação de riqueza interna, que nos estão a custar os olhos da cara.

 

Mas, pior do que isso, é que no interior do sistema, cresceu, e prolifera, um mundo de cumplicidades entre o Estado e o mundo dos negócios, que tolhe qualquer réstia de esperança.

 

É evidente que a insolvência do Estado advém da nossa indigência cultural e moral. E de estadistas do calibre de Dias Loureiro ou José Sócrates.

 

O PSD e o PS, para já não falar do CDS, possuem o mesmo tipo de discurso porque, bem vistas as coisas, alimentam-se da mesma dependência da máquina do Estado. Daí o facto de o discurso político nacional ter estagnado.

 

É urgente, e necessário, o ressurgimento de uma terceira alternativa. Uma alternativa séria, competente e independente.

 

No fundo, Portugal continua a ser o mesmo que o retratado em 1871, por Eça de Queirós: 1 - “O país perdeu a inteligência e a consciência moral.” 2 – “A prática de vida tem por única direção a conveniência. “ 3 – “Não há princípio que não seja desmentido.” 4 – “Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.” 5 – “Alguns agiotas felizes exploram.” 6 – “O Estado é considerado, na sua ação fiscal, como um ladrão e tratado como um inimigo.” 7 – “O país está perdido.”

 

Não sabemos se o país está perdido. Mas uma coisa intuímos: é fundamental que apareça algo de novo que nos dê esperança, com outros intérpretes, com nova postura, com diferente cultura, com distinta ética. Com outra moral.

 João Madureira

 

PS – Para que os vereadores do PS da CMC também se ponham de acordo quanto à sua verdadeira posição relativamente ao pedido de auditoria externa às contas da CMC – até porque não é bonito atirar um calhau ao (ex-) vereador do MAI e esconder a mão relativamente à posição de um seu vereador que, num primeiro escrutínio votou favoravelmente a realização de uma auditoria externa às contas da autarquia flaviense, para depois, numa segunda fase, dar o dito por não dito, e votar em sentido inverso –, vimos por este meio solicitar mais uma vez ao senhor presidente António Cabeleira, que, pelos vistos sofre de surdez crónica, e aos seus distintos vereadores, que tenham a coragem de assumir a necessidade de uma auditoria externa às contas da autarquia. Pois quem não deve não teme e à mulher de César… etc.

 

PS 2 – E, também em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior, da qual foi insigne presidente, até 2013, o risonho vereador João Neves (ex-MAI e atualmente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão insistentemente reivindicou, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da CMC, com toda a certeza verá com bons olhos, e até enaltecerá fervorosamente, uma auditoria realizada às contas do seu íntegro mandato.

 

Pág. 5/5

Sobre mim

foto do autor

320-meokanal 895607.jpg

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

1600-(61066)-21-anos

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Anónimo

      Caríssimo, sou seu seguidor desde há muito muito t...

    • cid simoes

      Caro Fernando, é uma notícia triste, criei uma afe...

    • Anónimo

      É pena que assim aconteça! Este Blogue, quanto a m...

    • Anónimo

      Que pena!Mesmo assim, como se diz em inglês, "You ...

    • FJR

      Só me resta agradecer tudo o que fizeste e não foi...

    FB