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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

24
Jan15

O S.Sebastião do Couto de Dornelas e Alturas do Barroso - 1


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Ora vamos lá até ao S.Sebastião, hoje o do Couto de Dornelas, pois não é a única povoação que celebra o 20 de janeiro com uma festa comunitária.

 

Então para apanhar tudo desta festa convém ir cedo. Para mim se chegar lá por volta das 8h30 ou 9 horas, já está bem, pois ainda se apanham as ruas despidas de gente e podemos apreciar a verdadeira dimensão da mesinha de S.Sebastião ao longo da rua principal da aldeia.

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De seguida há a visita obrigatória aos potes e ao pão. A entrada para a zona de trabalho, onde durante toda a noite os potes cozinharam o manjar a servir, não é de visita livre, e compreende-se, pois só incomodam quem trabalha, mas depois de negociar a reportagem com o “porteiro”, a porta abre-se. Claro que depois de tanta foto ao pão e aos potes, o “porteiro” acha por bem que também deve sair em uma e, como o prometido é devido, cá fica ela.

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Os potes são muitos, pão ainda mais, mas a gente é tanta que não há outro remédio e depois há que precaver, pois mais vale sobrar do que faltar.

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Depois há que esperar pela missa. É tempo de dar uma voltinha pela aldeia, e assistir à chegada dos peregrinos. Uns mais carregados que outros, mais ou menos abrigados, vão marcando lugar à mesa e enchendo a rua principal da aldeia.

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Neste tempo livre uma ou mais passagens pelo largo do Cruzeiro são sempre obrigatórias, mesmo porque é por ele que se vai até à igreja, quer se vá a missa ou não.

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Entretanto poucas são as ombreiras das portas que ficam livres. Abrigam um pouco do ar de neve e parecendo que não dão sempre um certo descanso ao corpo para além de ser um sítio sempre privilegiado para ver quem passa.

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À missa nem todos vão e ainda bem, pois embora a igreja até nem seja das mais pequenas, seria impossível comportar todos os peregrinos, mas há sempre os mais devotos que mesmo que não tenham lugar dentro, ficam à porta ou no adro.

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Terminada a missa há que seguir a cruz, o S.Sebastião e o Padre que partem em procissão até à bênção do pão.

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Acabada a bênção a cruz e o Padre regressam à igreja mas o S.Sebastião fica. Juntam-se a ele o homem das esmolas, o homem da vara (medida) e os homens das toalhas de linho e começando a desenrolar-se estas em cima da mesa, logo vai a vara medir onde cairá um pão, um caçoilo de arroz e um pedaço de carne , com vossa licença, de porco.

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Logo de seguida aí vai mais uma vara para medir onde cairá outro pão, mais um caçoilo de arroz e um pedaço de carne , com vossa licença, também de porco. E assim sucessivamente durante umas centenas de metros quase mil, entre as esmolas que vão caindo na cestinha e o beijar o S.Sebastião.

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Passada a procissão da distribuição do comer, há que lançar a mão à navalha, cortar o pão e a carne e bora lá, há que comer, pois o frio e a espera já se tinham encarregue de abrir o apetite e a barriguinha já agradece.

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Comida do pote e pão do forno a lenha. A comida não tem pela certa a apresentação ou os enfeites de “la fine cuisine”, então o arroz… mas garanto-vos que é uma iguaria, um autêntico manjar dos deuses.

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Se alguém duvidar das minhas palavras que vá lá, este ano já não vai a tempo mas para o ano há mais, ou então perguntem a quem lá foi ou tem promessa de lá ir, mas já se sabe que por mais deliciosas que as palavras sejam, vão-lhe faltar sempre o sabor, o momento, a companhia.

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E merenda comida companhia desfeita, mas em festa, sempre em festa, pois embora pareça que a festa acabou e que o S.Sebastião regressou ao seu altar, é pura ilusão. Em Couto de Dornelas é um até para o ano que vem, mas uns quilómetros mais à frente e uns bons metros mais acima, há mais S.Sebastião, mais festa comunitária, mais manjar, é para lá que ruma agora a procissão de peregrinos, mas essa fica para amanhã, hoje o tempo de antena deste blog vai inteirinho para o Couto de Dornelas, sito no concelho de Boticas, em Barroso, Terra Fria de Trás-os-Montes, apenas um cantinho deste Reino Maravilhoso.

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Ah!, já ia esquecendo a promessa feita às meninas da Universidade Sénior, aquelas que também queriam sair na televisão. Pois embora por aqui a imagem seja estática não é tão efémera como na TV, e cá ficam.

E quanto ao S.Sebastião do Couto de Dornelas fica um – até para o ano!

 

 

 

24
Jan15

Fugas


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Por terras da Curia, Luso e Buçaco

 

O nosso destino fica relativamente perto. Saímos de casa são nove da manhã e rolamos calmamente até à Figueira da Foz onde paramos um pouco na avenida marginal. Seguimos pela Serra da Boa Viagem e à medida que vamos subindo admiramos a magnífica vista sobre o mar. É uma estrada de curvas e contracurvas, esquecida, e por onde o tempo parece não ter passado. Na berma encontramos ainda alguns sinais de trânsito feitos em cimento, bem à moda antiga. Não resisto a parar para ir tirar umas fotografias.

 

Passamos por Cantanhede, entramos na Estrada Nacional nº 1 em direcção a Norte e chegamos ao cruzamento que diz “Curia”. Já aqui passámos imensas vezes noutras ocasiões, mas nunca nos desviámos da nossa rota. Paramos no parque de merendas em frente à estação. Todas as mesas estão ocupadas por excursões vindas de vários pontos do país. À boa maneira portuguesa vêem-se toalhas aos quadrados, cestos de vime e até alguns garrafões de vinho. No ar ouvem-se conversas e aventuras de viagens. Há uma mesa que fica livre e sentamo-nos para saborear o nosso almoço trazido de casa.

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 Fotografia de Luís dos Anjos

 São duas horas e vamos visitar o parque das termas. O ambiente é calmo e extremamente belo. Tomamos café numa agradável esplanada e logo depois alugamos uma “gaivota” para dar uma volta pelo lago. Aproveito para tirar mais algumas fotografias de pormenores da mãe natureza. Dali seguimos para Anadia para visitar o Museu do Vinho. Não esqueçamos que estamos numa zona vinícola, cujo produto mais conhecido é, sem dúvida, o espumante. Aproxima-se a hora do jantar e não há espaço sequer para hesitações: vamos à descoberta do famoso Leitão da Bairrada.

 

O domingo amanhece convidativo para prosseguirmos viagem. Seguimos para o Luso, pequena vila conhecida em todo o país pela sua água. Um pouco mais acima o Palácio do Buçaco, construído em finais do século XIX e agora convertido em hotel. Ao seu redor, dispersos por toda a extensa mata, surpreendem-nos fontes, capelas e miradouros. É um pequeno paraíso perdido que nos faz perder a noção do tempo. Infelizmente, temos de voltar a casa. Na bagagem, várias fotografias, um fim-de-semana para recordar e até uma ou outra peripécia mais engraçada...

Luís dos Anjos

 

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