Quem conta um ponto...

231 - Pérolas e diamantes: a realidade e a sua representação
Olhando para a onda de corrupção que assola o nosso país, quer entre os nossos políticos e os altos cargos da administração do Estado, quer entre os “facilitadores de negócios”, quer ainda entre os banqueiros e fauna idêntica, convém lembrar que um líder é apenas tão corrupto como o sistema que o produz. Agora pensem nas figuras e nos partidos, bancos, etc., que estão na génese do nosso “Estado Democrático” pós 25 de abril e a explicação é tão óbvia que até assusta.
Bem podem eles (Bloco Central dos Interesses - PSD/CDS/PS) falar em diálogo, que todos sabemos que para essa gente o processo sugerido se encontra sujeito às suas próprias condições, se reveste apenas de simbolismo, para levar os eleitores a votarem nos partidos tradicionais.
Dessa forma criam uma espécie de suspense necessário que apenas tem por objetivo sustentar uma fachada política que nos faça crer que o ensaio da sua participação política transforma a representação em realidade.
Fartos dos arremedos democráticos deste BCI estamos nós.
Tal como Espinosa, dizemos que exigir a um ser humano o que é impossível, exercer um poder onde ele não pode ser exercido, é tirania.
É tirania condenar, como o faz Pedro Passos Coelho, mais de três milhões de portugueses ou à miséria ou à indigência. É tirania, como o faz o PM de Portugal, condenar centenas de milhares de portugueses ao desemprego, especialmente a nossa geração mais jovem e bem preparada de sempre. É tirania, e estupidez, a pretexto da dívida, o PSD e o CDS quererem vingar-se do povo grego por motivos meramente eleitoralistas.
É política e eticamente inqualificável o nosso PM ter estado cinco anos sem pagar contribuições à Segurança Social e, quando pressionado pela notícia de um jornal, desembolsar nesse mesmo mês cerca de 4 mil euros para tentar iludir os portugueses. É por isso que a Segurança Social está como está.
É indecoroso e abjeto o ministro da tutela vir justificar o PM com uma desculpa estúpida, tentando fazer dos portugueses parvos.
Mas se do lado do governo PSD/CDS chove, do lado da oposição protagonizada pelo PS de António Costa troveja.
Os jornais afirmam, insistentemente, com um misto de estupefação e desalento, que começam a surgir no PS sinais evidentes de irritação e desespero com a forma politicamente inábil como A. Costa tem gerido a agenda política.
E temos de reconhecer que têm razão. O líder do PS começou por dizer coisas muito acertadas e por fazer diagnósticos corretos sobre o país e a Europa. Mas sobre as possíveis soluções nada adianta. Costa apenas diz generalidades inócuas. Sobre todas as questões essenciais guarda um silêncio prudente.
O mutismo sobre os tristes desfechos do BES e da PT, sobre a privatização da TAP, sobre a Justiça e também sobre a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde é muito esclarecedor sobre a sua postura política.
Com o país a ser consumido em fogo lento pelas políticas neoliberais do governo do PSD e do CDS, António C. dá-se o luxo de planar acima de toda a crua realidade.
Vai andando por aí, ora assumindo o papel de presidente da Câmara de Lisboa, ora o de secretário-geral do PS. Sempre aos ziguezagues. Contornando, dessa forma, as questões e os obstáculos com um sorrisinho nos lábios.
Todos concordamos que quem pretender ganhar as eleições, desta vez vai ter cuidado com as promessas que fizer.
Mas uma coisa é ter cuidado com as promessas, outra, bem diferente, é não fazer nada, e dizer outro tanto, sobre a forma como se pretende agir quando se chegar ao poder.
António Costa está metido num sarilho dos grandes. Quando fala desce nas sondagens, mas quando está calado acontece-lhe o mesmo.
É verdade que o líder do PS não consegue dizer nada de substantivo. A princípio pensávamos que era por questões de estratégia política. Mas o problema é bem mais complicado do que parece. A. Costa, afinal, não tem nada para dizer. E é preocupante que assim seja. O principal partido da oposição não pode ser um vazio de ideais.
Os portugueses já se deram conta de que o PS de Costa é o mesmo que era liderado por Sócrates.
Quanto mais os portugueses conhecem A. C., mas o mito cai.
Todos sentimos que a maioria absoluta que o PS de António C. almejava já se esboroou. O enigmático é que está seriamente em risco a vitória do PS nas próximas eleições legislativas.
João Madureira
PS – Tchékhov dizia que “a arrogância é uma qualidade que fica bem aos perus”. Por isso, mais uma vez solicitamos ao senhor presidente da CMC e aos seus distintos vereadores, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme.
PS 2 – Também em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior.
PS 3 – Era um ato de coragem redentora, o senhor presidente deixar-se de desculpas de mau pagador e pôr fim ao deplorável espetáculo dos esgotos a céu aberto em Vale de Salgueiro – Outeiro Seco.



