Pecados e picardias

A Taverna- Noite
Chegaram os diários para jantar
Zé da bisca, com outro camionista
O TS!... só faltava cá este, a babar
Tem uma lata ,passa tudo em revista
A ver se encontra alguém…com quem sonhar
Fantasias eróticas …julga não haver quem resista
O TS figura bizarra
Fato a regar o cebolo
A presunção estampada na cara
No sorriso a anuência de dolo
Num pensamento que encarna
O veneno embrulhado num bolo
Um olfacto prodigioso
Cheirando a fêmea a léguas
Tresanda a erecção
De um sexo religioso
Que nem a ele dá tréguas
Deixando-o em ebulição
Sentiu o desagrado do servente
Pousar-lhe, como cocó de ave
Sabia que hoje era o dia…
Faltava essa, não estar presente
Vinha jantar ,tomar conta da chave
Do lugar de visão da sua alegria
Cada um olha por si
Queria lá saber do taverneiro
Queria-a só para ele, aqui…
Se ele deixasse… imaginou o gesto
Invejoso, conhecia-o, sorrateiro
Dedo médio erecto a oscilar, em protesto
Queria ele era que os outros deixassem o dinheiro
Aspirou a antevisão do prazer
Divinal a francesa…Hum…
Por agora o rancho…precisava de comer
-Então? Dona Bertinha muito que fazer?
Quero uma dose bem servida
Um bom jantar para se fazer pela vida
De sobremesa café e um cálice de rum
Ia ficar a aguardar
Era dos primeiros
Ficou contente, sabia esperar…
E também vinham os matreiros
E muita mais gente ia chegar
A noite esconde outro tipo de obreiros…
Chegaram o patrão e um amigo
Querem jantar? Pergunta o servente
-Duas de rancho, traga pão de trigo
Uma caneca do da casa para a gente
Chegou a comida, rancho a fumegar
Cozinhava bem a Bertinha
E o prato do dia era sempre a aviar
Punha tudo na mesa, enquanto ia e vinha
Será que o doutor viria?
Hum… duvidava
A mulher punha-o na ordem
Coitado …era ela quem decidia
Bem feita, pensava
Lá para as onze já dormem.
Ainda bem não suportaria
Partilhar com ele a noite…
Nem o que esta trazia
Vê-lo… era pior que um açoite
-Ó patrão olhe o rancho a arrefecer
Coma faça por não se esquecer
Nem sei como conseguiu vir
A patroa que disse? diz a rir
Encolheu os ombros, sorriu…
Forma eficaz de responder
-Não disse nada… Anuiu
Como quem diz por dizer
Lembrou a cara da mulher
Um silêncio devastador
Sem a indiferença esconder
0 Rosto velado do desamor
Hoje ia permitir-se sonhar
Com a vinda do javardo
Fazia falta desanuviar
Da sua vida amorosa…um fardo
Sentia o martírio dela…
Cada noite que a solicitava
Estática sem qualquer emoção
Aceitava-o como qualquer devoção
Fazia-o sentir um…quando acabava
Só passava com uma escapadela…
Isabel Seixas







