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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

22
Mar15

Pecados e picardias


pecados e picardias copy

 

A Taverna- Noite

 

Chegaram os diários para jantar

 

Zé da bisca, com outro camionista

O TS!... só faltava cá este, a babar

Tem uma lata ,passa tudo em revista

A ver se encontra alguém…com quem sonhar

Fantasias eróticas …julga não haver quem resista

 

O TS figura bizarra

Fato a regar o cebolo

A presunção estampada na cara

No sorriso a anuência de dolo

Num pensamento que encarna

O veneno embrulhado num bolo

 

Um olfacto prodigioso

Cheirando a fêmea a léguas

Tresanda a erecção

De um sexo religioso

Que nem a ele dá tréguas

Deixando-o em ebulição

 

Sentiu o desagrado do servente

Pousar-lhe, como cocó de ave

Sabia que hoje era o dia…

Faltava essa, não estar presente

Vinha jantar ,tomar conta da chave

Do lugar de visão da sua alegria

 

Cada um olha por si

Queria lá saber do taverneiro

Queria-a só para ele, aqui…

Se ele deixasse… imaginou o gesto

Invejoso, conhecia-o, sorrateiro

Dedo médio erecto a oscilar, em protesto

Queria ele era que os outros deixassem o dinheiro

 

Aspirou a antevisão do prazer

Divinal a francesa…Hum…

Por agora o rancho…precisava de comer

-Então? Dona Bertinha muito que fazer?

Quero uma dose bem servida

Um bom jantar para se fazer pela vida

De sobremesa café e um cálice de rum

 

Ia ficar a aguardar

Era dos primeiros

Ficou contente, sabia esperar…

E também vinham os matreiros

E muita mais gente ia chegar

A noite esconde outro tipo de obreiros…

Chegaram o patrão e um amigo

Querem jantar? Pergunta o servente

-Duas de rancho, traga pão de trigo

Uma caneca do da casa para a gente

 

Chegou a comida, rancho a fumegar

Cozinhava bem a Bertinha

E o prato do dia era sempre a aviar

Punha tudo na mesa, enquanto ia e vinha

 

Será que o doutor viria?

Hum… duvidava

A mulher punha-o na ordem

Coitado …era ela quem decidia

Bem feita, pensava

Lá para as onze já dormem.

 

Ainda bem não suportaria

Partilhar com ele a noite…

Nem o que esta trazia

Vê-lo… era pior que um açoite

 

-Ó patrão olhe o rancho a arrefecer

Coma faça por não se esquecer

Nem sei como conseguiu vir

A patroa que disse? diz a rir

 

Encolheu os ombros, sorriu…

Forma eficaz de responder

-Não disse nada… Anuiu

Como quem diz por dizer

 

Lembrou a cara da mulher

Um silêncio devastador

Sem a indiferença esconder

0 Rosto velado do desamor

 

Hoje ia permitir-se sonhar

Com a vinda do javardo

Fazia falta desanuviar

Da sua vida amorosa…um fardo

 

Sentia o martírio dela…

Cada noite que a solicitava

Estática sem qualquer emoção

Aceitava-o como qualquer devoção

Fazia-o sentir um…quando acabava

Só passava com uma escapadela…

 

 Isabel Seixas

22
Mar15

Assureiras de Baixo - Uma das três vilas


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 Já há muito que tinha chegado à conclusão que são as coisas simples as que mais me apaixonam. E entenda-se por coisas simples tudo que é simples, não só aquilo que é material, mas também o imaterial, os sentimentos por exemplo, as atitudes, os atos, os gestos, e as coisas que as pessoas fazem quando são simples, com sonhos simples, apenas do tamanho da necessidade e mais um bocadinho, mas apenas se puder ser.

 

É na simplicidade que se encontra a beleza, o amor, a felicidade. É um pouco como ser criança durante toda a vida, comer quando se tem fome, adormecer quando se tem sono. É por isso que gosto dos fins de semana e de regressar às aldeias, a um mundo que já não existe.

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E com tudo isto chego também à conclusão que é complicado entender as coisas simples, ser-se simples, com essa simplicidade que hoje só se encontra às vezes esquecida ou ignorada no meio de tanta complexidade. Digo eu, que de vez em quando também gosto de dar liberdade à escrita para dizer o que penso que me vai na alma para justificar e explicar coisas que às vezes não têm explicação.

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Não sei se entenderam o discurso, mas se não entenderam, não se preocupem, que eu, o próprio que o escreveu ainda estou pra ver se o entendo. Mas uma coisa vos garanto, é sincero, mesmo que não tivesse dito nada daquilo a que me propunha dizer. Há dias assim!

 

 

22
Mar15

Fugas


Fugas - banner

 

De férias no Gerês

 

De Melgaço a Lamas de Mouro, uma das portas de entrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês, separam-nos 18 quilómetros por uma estrada de montanha que percorremos calmamente, apreciando a paisagem. À chegada procuramos o parque de campismo para nos instalarmos. Após os breves formalismos da inscrição somos inesperadamente convidados a sentarmo-nos numa mesa ali ao lado em cima da qual estão desdobrados vários mapas. E então, sem que nada nos fosse perguntado e quase sem tempo para reagir, o Senhor Baltasar vai-nos esboçando vários croquis para partirmos à descoberta da região. A forma como fala denota um profundo conhecimento, mas acima de tudo uma ainda maior paixão pelo Parque da Peneda-Gerês. As opções são variadas: o trilho da água, as piscinas naturais, as pontes românicas, as brandas e as inverneiras... Ficamos agradecidos com as sugestões e decidimos ainda nesse dia ir até Castro Laboreiro. A vista sobre o vale do rio Laboreiro é magnífica, mas não nos podemos demorar porque ainda queremos subir ao castelo: 600 metros a pé, assinalados nos marcos do percurso, outros tantos para o regresso, em ritmo lento, para a mais nova da família poder acompanhar. E logo ali, no início da caminhada, lá está ela, a enorme rocha em forma de tartaruga, o primeiro de vários pontos de interesse que levamos assinalados nos nossos croquis. No final da caminhada, para recuperar as forças, entregamo-nos a um magnífico bacalhau com broa.

Foto Geres.jpg

 Fotografias de Luís dos Anjos

O dia seguinte amanhece com bom tempo. Preparamo-nos e logo à saída do parque somos agradavelmente surpreendidos por um grupo de cavalos selvagens que se passeia, tranquilamente, ali mesmo, à beira da estrada. Paramos para umas fotografias. Segue-se um passeio por várias aldeias dos arredores e sucedem-se os motivos de admiração. No cruzamento para a Senhora do Numão deparamo-nos com a enorme rocha em forma de águia. No Santuário propriamente dito, agrada-nos o silêncio e a imponência de toda aquela envolvente... E pelo caminho, enquanto contemplamos o verde da vegetação e o azul do céu, quando menos esperamos, surpreendem-nos pontes românicas, debaixo das quais correm cursos de água límpida... São tantas coisas para registar mas, mais do que o registo fotográfico destas férias, ficam-nos, sem dúvida, impressas na alma as mais admiráveis emoções para um dia mais tarde recordar.

 

Até uma próxima...

 

Luís Filipe M.Anjos

"A Voz de Chaves" - 18 de Julho de 2008

 

 

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