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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

24
Mar15

Crónicas estrambólicas - A flora de Chaves


estrambolicas

 

A flora de Chaves

 

Andei a folhear uma publicação antiga, a Ilustração Transmontana (Archivo Pittoresco, Literario e Scientifico das Terras Transmontanas). No volume de 1909, há alguns artigos sobre Chaves. Num artigo sobre a flora (escrito no português de antes do grande acordo ortográfico de 1911, aquele que mudou os PH’s para F’s) conta-se que a flora da zona nunca foi estudada, excepto uma vez, há uns cem anos atrás. Em 1797, dois allemães illustres, o conde de Hoffmansegg e o professor Link, vieram a Portugal estudar a flora, mas a zona transmontana ficou em claro por o professor ter sido chamado a apresentar-se na universidade de Rostock. O conde voltou sozinho em 1800 e visitou Chaves, depois duma passagem por Montalegre.

 

As conclusões, que o conde publicou no livro Viagem em Portugal, são descritas nesse artigo:

 

“O termo de Chaves, com vinte e oito leguas quadradas de extensão, comprehende cento e oitenta e seis aldeias, sete mil e setenta e oito fogos, e trinta e tres mil e oitenta almas—o que dá mil duzentos e sete habitantes por legua quadrada, população bastante consideravel. A villa contém seiscentas e oitenta casas, e tres mil seiscentas e cincoenta almas.”

 

Queixamo-nos, agora, da desertificação... Se calhar o alemão tinha razão, há gente que chegue.

 

“Dois quintos da comarca são cobertos de castanheiros e algumas outras arvores; um quinto está inculto e dois quintos são agriculturados. Cultiva-se muito centeio, colhe-se milho maez, trigo e batatas, mas pouco vinho e quasi nenhuma seda. As outras producções consistem em linho, de que se recolhe annulamente seis mil arrobas (a arroba tem vinte e oito libras); em lã quatro mil arrobas por anno; e em cera duzentas arrobas.”

 

Já na altura a agricultura não era afamada.

 

Seria engraçado recriar algumas coisas desse tempo, como a cultura da seda e do linho.

 

“Emprega-se uma charrua especial, cuja relha é curva e abre sulcos pouco profundos e afastados uns dos outros deseseis pollegadas; como o sulco da relha não tem mais de quatro pollegadas de largura, fica entre cada sulco um espaço inculto de dez a nove pollegadas. Este methodo, usado em muitas províncias em Portugal, é sem duvida uma das causas principaes do pouco rendimento das terras. Não se estrumam os campos, porque se imagina que é inutil. Lavra-se quatro vezes e estorroa-se ou grada-se outras tantas, as grades são semelhantes às nossas mas os seus dentes são feitos de pau. O desterroador não está em uso, porque se julga demasiadamente trabalhoso o leval’o todos os dias para o campo e tornal’o a trazer.”

 

Estamos sempre atrasados tecnologicamente, até nessa altura as charruas não lavravam fundo e as grades ainda tinham dentes de pau, não de ferro, como os alemães! Adiante.

 

“Ainda que o lavrador portuguez não goste do trabalho, entrega-se no entanto a uma operação fatigante que repete duas vezes por anno, a de sachar a terra em volta do milho e doutros cereaes.”

 

A ideia que já nessa altura os alemães tinham de nós...

 

O artigo da revista transmontana é assinado por Gonçalo Sampaio, da Academia Polytechnica do Porto.

 

Luís de Boticas

 

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