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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

29
Mar15

Pecados e picardias


pecados e picardias copy

 

A Taverna


Estava ansioso o servente
Do javardo nem sinal
Não lhe saia da mente
Será? ela viria afinal?
 
A taverna cheia…
Todos a queriam ver
Mas a ele pertencia-lhe
O direito de  só ele a ter
Como a queria dizia-lhe
 
Não via a hora
Da mulher se deitar
Céus como demora
A cozinha a arrumar
-Ó Bertinha vai descansar
-Estás aflito homem
 Deixa-me acabar
Quero a cozinha em ordem
 
Meu Deus e se ela não viesse?
Sentiu a necessidade premente
Como viveria se ela não existisse
Onze horas! Entrou mais gente
 
Um casal? Um homem e uma mulher
Envolvidos… só…um com o outro…
Sentaram-se pediram uma caneca de mistura
Na mesa do canto era de se prever
Mais uns a viverem o amor lá do canto
A beleza do sentimento transformada em agrura
 
Pensou na última vez
Há umas semanas, um mês?
Hoje ia ser melhor …
Pensou na forma de demonstrar
O que sentia, amor a deflagrar…
 
O javardo e a sua viola…
Instrumento? Qual sacola…
Fazia as delícias dos clientes
Mantinha as normas vigentes
Convencia a mulher a ir embora
 
Que se teria passado?
Hoje nunca mais vinha
Quem traria para o serão?
 A filha? a francesinha?
Que segredo bem guardado
Escondia desde então?
A Bertinha olhou a taverna
Noite! Clientes à perna
A mudança de humores
A necessidade dos favores
 
Faltava-lhe uma rotina
Repor o vinho do serão
Baptizado com aguinha
Ia buscá-lo… ao porão
 
A taverna estava cheia
A um canto o Zé da bisca
Com mais três joga a sueca
Gostava do Zé…farrista
Amigo do javardo por ser camionista?
Ali havia coisa!... com a breca
O javardo!... A Panaceia…
 
O patrão e o amigo
Que dois… na conversa
Enfim que castigo
Que será que a todos interessa?
 
Noite adentro...

Isabel Seixas

 

 

29
Mar15

Agrela - Chaves - Portugal


1600-agrela (211)

Hoje fazemos uma breve passagem pela Agrela da freguesia de Ervededo e uma das nossas aldeias da raia, embora não tão próxima desta, tal como acontece com a maioria das restantes aldeias da raia do concelho, isto se considerarmos que dois quilómetros é longe.

1600-agrela (127)

Uma aldeia que também sofre do mal que é comum as aldeias mais distantes da cidade – o despovoamento e envelhecimento da população residente, mas neste caso parece-me que o envelhecimento da população é mais marcante.

1600-agrela (166)

Há quase trinta anos que passo pela Agrela regularmente, no entanto só há meia dúzia de anos a descobri, tudo porque engana para que a vê da estrada que lhe passa ao lado. Assim, para se conhecer, temos mesmo de deixar a estrada principal que liga o Couto à Torre, um ligeiro desvio que vale a pena fazer, isto se quisermos sentir a aldeia.

 

 

29
Mar15

Pedra de Toque - Domingo de Ramos


pedra de toque copy

 

Domingo de Ramos

 

         Hoje, os leitores compreenderão, escrevo para a minha madrinha.

         Também tive uma madrinha.

         Sei que com cuidado e carinho me pegou ao colo quando na Matriz, na moleirinha cabeluda, o padre verteu a água fria da pia baptismal.

         Dizem-me que dei os berros da praxe.

         A minha madrinha, que também era minha tia, sempre me mereceu respeito, amizade sincera que lhe devotei no dia-a-dia e que, consagrava neste Domingo antes da Páscoa, quando lhe oferecia o ramo.

         Era um ritual bonito, uma solenidade simples.

         Julgo, com tristeza, que caiu em desuso.

         Neste meu lamento não há passadismo nem sequer conservadorismo e muito menos revivalismo, considerado por alguns, eventualmente senil.

         Para esses, sinceramente, estou-me nas tintas.

         Esforço-me, no entanto, para compreender este tempo que também é meu.

         E é curioso, a reflexão me ter conduzido à certeza que o futuro nunca terá futuro se não se alicerçar nas lições do passado sempre que estas sejam exemplos de solidariedade, de fraternidade, de carinho, de amor que devem revestir as relações humanas.

         O trovador brasileiro diz na canção que só com afecto se pode cozinhar o doce predilecto.

         As fotografias do passado que publico nos meus textos, pretendem tão só realçar os ângulos que gostaria de ver no presente para que nunca se perca a esperança no porvir.

         E era afecto, que o ritual de levar o ramo à madrinha, tantas vezes um “parentesco” nascido pelo baptismo, sempre traduzia.

         E mantinha-se no decurso da viagem da vida.

 

         A minha madrinha está muito longe.

         Hoje, contudo, está muito perto.

         Pela sua amizade, pela sua ajuda desinteressada que me prestou quando dela necessitei, pela afeição com que sempre me envolveu, hoje vou levar-lhe o meu ramo.

         Não o faço com o “papillon” e a camisa, nascida das mãos hábeis da Sr.ª Marquinhas Roque (a primeira paixão da minha vida), nem com as calças à golfe costuradas com perfeição pela senhora Preciosa no topo das escadas íngremes depois de provas difíceis.

         Não irei também com brilhantina no cabelo a segurar uma poupa arrebitada e luzidia.

         Caminharei como homem de idade adulta a quem a vida vai gastando e oferecerei o ramo, em forma de crónica, composto de palavras floridas, com toda a cor e perfume que a minha imaginação conseguir.

         E daqui do papel, sem complexos, mas com todo o respeito e muita ternura, saudando-a, não deixarei de lhe pedir

         “- A sua bênção, madrinha!”

 

António Roque

 

 

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