Pecados e picardias

A Taverna
Estava ansioso o servente
Do javardo nem sinal
Não lhe saia da mente
Será? ela viria afinal?
A taverna cheia…
Todos a queriam ver
Mas a ele pertencia-lhe
O direito de só ele a ter
Como a queria dizia-lhe
Não via a hora
Da mulher se deitar
Céus como demora
A cozinha a arrumar
-Ó Bertinha vai descansar
-Estás aflito homem
Deixa-me acabar
Quero a cozinha em ordem
Meu Deus e se ela não viesse?
Sentiu a necessidade premente
Como viveria se ela não existisse
Onze horas! Entrou mais gente
Um casal? Um homem e uma mulher
Envolvidos… só…um com o outro…
Sentaram-se pediram uma caneca de mistura
Na mesa do canto era de se prever
Mais uns a viverem o amor lá do canto
A beleza do sentimento transformada em agrura
Pensou na última vez
Há umas semanas, um mês?
Hoje ia ser melhor …
Pensou na forma de demonstrar
O que sentia, amor a deflagrar…
O javardo e a sua viola…
Instrumento? Qual sacola…
Fazia as delícias dos clientes
Mantinha as normas vigentes
Convencia a mulher a ir embora
Que se teria passado?
Hoje nunca mais vinha
Quem traria para o serão?
A filha? a francesinha?
Que segredo bem guardado
Escondia desde então?
A Bertinha olhou a taverna
Noite! Clientes à perna
A mudança de humores
A necessidade dos favores
Faltava-lhe uma rotina
Repor o vinho do serão
Baptizado com aguinha
Ia buscá-lo… ao porão
A taverna estava cheia
A um canto o Zé da bisca
Com mais três joga a sueca
Gostava do Zé…farrista
Amigo do javardo por ser camionista?
Ali havia coisa!... com a breca
O javardo!... A Panaceia…
O patrão e o amigo
Que dois… na conversa
Enfim que castigo
Que será que a todos interessa?
Noite adentro...
Isabel Seixas






