Quem conta um ponto...

245 - Pérolas e diamantes: o pasteleiro de Massamá
Passos Coelho, como eficaz político medíocre, resolveu encomendar a uma funcionária do PSD um arremedo de biografia.
Mas quem é, afinal, Passos Coelho? O que pensa sobre o futuro do país?
Que eu saiba, nada de consistente e fundamentado.
Que eu me lembre, na sua história recente, que é a que verdadeiramente interessa, pois a outra é tão insignificante que até dói, nos anos que antecederam a sua vitória nas eleições legislativas, foi liberal relativamente à revisão constitucional e um acérrimo defensor do Estado nos congressos do seu partido.
Evoluiu, em apenas ano e meio, do combate à austeridade e aos seus efeitos recessivos, para o combate ao aumento dos impostos e para a defesa com unhas e dentes da TSU.
Ou seja, tudo e o seu contrário. Agora é um “refundador do ajustamento”, da troika em versão ligth.
Quer tornar definitivos os despedimentos na função publica, reduzir significativamente as prestações sociais, cortar na educação, na saúde, nas forças armadas e nas forças de segurança.
Um futuro com Passos Coelho passa inevitavelmente pelos sistémicos pacotes de austeridade, sobretudo sobre a função pública, o “inimigo permanente” do país.
A não ser que o PS se deixe levar no canto de sereia da “boa” revisão constitucional defendida pelo PSD/CDS, Passos Coelho vai tentar ludibriar a Constituição Portuguesa através de “pequenos golpes de estado” assertivos, transformando Portugal num país, por um lado, de pelintras, pobres e desajeitados e pelo outro de ricos, papões e demais aves de rapina.
Com Passos Coelho e Paulo Portas, a classe média lusa deixará pura e simplesmente de existir.
Convém não esquecer que a sua chegada ao poder foi antecedida de um “pequeno golpe de estado constitucional”, que começou com o chumbo do PEC IV, através de uma conspiração de Cavaco Silva, o voto contra de Passos Coelho e com a “pequena” traição de Teixeira dos Santos (que teve até direito a uma medalha no 10 de Junho – está visto que Roma paga aos traidores), o que levou à entrada da troika e à derrota clamorosa de José Sócrates.
Convém ainda não esquecer que Passos Coelho é o chefe de um governo com sucessivas previsões erradas, demonstrando uma ignorância atávica do país, patenteando uma incompetência generalizada, muitas das vezes governando em cima do joelho, avançando e recuando, revelando uma notória incompetência em aprender com os erros e, sobretudo, a arrogância face ao sofrimento dos portugueses e à destruição sistemática do tecido social e económico do país, em nome de uma “refundação da pátria”.
Sobre o livro de PPC, Pulido Valente definiu o PM de “diletante”, acusando-o de não se preparar para o seu trabalho, reincidindo num “amadorismo destrutivo e patético, no comentário néscio e numa biografia (Santo Deus!) que envergonha as pedras.”
Pacheco Pereira considera o livro de Sofia Aureliano “de uma vacuidade geral e de um terrível mau gosto”.
Rui Carvalho Martins, também no Público, diz acreditar “que o mau gosto é intencional”.
Mas a revelação que mais me tocou foi a de que em Massamá, lá em Lisboa, vive um primeiro-ministro que confeciona, com as próprias mãos, os papos-de-anjo no Natal e estende a roupa e a guarda.
Alguma coisa melhorou na Europa, e em Portugal, fruto da política neoliberal: as drogas estão mais puras.
Para não me acusarem de efabulador ou consumidor de substâncias ilícitas, transcrevo diretamente do Público parte do relatório do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência: “A cannabis nunca foi tão potente, a heroína nunca foi tão pura, o ecstasy nunca teve tanta MDMA.”
Bem vistas as coisas, Rui Carvalho Martins tem razão. Afinal vivemos num momento político “ em que verdade e mentira deixaram de ser opostas”.
João Madureira
PS – Tchékhov dizia que “a arrogância é uma qualidade que fica bem aos perus” (ou talvez aos pavões que são aves de cauda mais vistosa). Por isso, mais uma vez solicitamos ao senhor presidente da CMC e aos seus distintos vereadores, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme.
PS 2 – Em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior.
PS 3 – Era um ato de coragem redentora, o senhor presidente deixar-se de desculpas de mau pagador e pôr fim ao deplorável espetáculo dos esgotos a céu aberto em Vale de Salgueiro – Outeiro Seco.



