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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Jul15

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo


discursos-chico

 

Sentir orgulho na cidade faz bem à alma!

 

Muitas vezes nos dizem que o sentido mais profundo do pensamento humano radica em tempos recuados e, todo o devir, parece nada acrescentar ao que sabemos ser bom.

 

Hoje, quando ouvimos aqueles que nos governam, aqui ou em Lisboa, somos levados a considerar que mais depressa nos desejam confundir, do que esclarecer. Assim pensamos por nos garantirem que tudo está melhor, que hoje já se respira confiança mas, nós, o povo, sofremos maior penúria de emprego, de salários, de saúde, de justiça e de educação.

 

Que bom seria ouvir hoje, 25 séculos depois, a oração fúnebre aos mortos do primeiro ano da Guerra do Peloponeso que Péricles fez no ano 430 a.C. Podem achar estranho ter escolhido uma oração fúnebre mas, o momento da nossa vida pública no concelho, no país e na União Europeia outras orações não inspira.

 

O que se pode dizer sobre o “in conseguimento” de quem atualmente nos governa pode e deve ser feito por contraponto. É isso que o discurso de Péricles nos permite. Pode o discurso ser utilizado como um aferidor, um aferidor com 25 séculos, que já inspirou William Pitt, no seu agradecimento público pela vitória de Trafalgar, por Abraham Lincoln, no seu discurso em Gettysburg e por John Kennedy no seu discurso em Berlim Ocidental, entre outros.

 

Oração fúnebre aos mortos do primeiro ano da Guerra, Péricles, 430 a.C.

 

(discurso de Péricles que Túcidides escreveu para a sua História da Guerra do Peloponeso, partes aleatórias)

(…)

Começarei, pois, a elogiar os nossos antepassados. Pois é justo e equitativo render homenagem à recordação.

 

Esta região, habitada sem interrupção por gente da mesma raça, passou de mão em mão até hoje, guardando sempre a sua liberdade, graças ao seu esforço. E se aqueles antepassados merecem o nosso elogio, muito mais o merecem os nossos pais. À herança que receberam juntaram, ao preço do seu trabalho e dos seus desvelos, o poder que possuímos, que nos legaram. Nós o aumentamos. E no vigor da idade ainda alargamos esse domínio, abastecendo a cidade de todas as coisas necessárias, tanto na paz como na guerra. (…)

 

A nossa constituição política não segue as leis de outras cidades, antes lhes serve de exemplo. O nosso governo chama-se democracia, porque a administração serve aos interesses da maioria e não de uma minoria.

 

De acordo com as nossas leis, somos todos iguais no que se refere aos negócios privados. Quanto à participação na sua vida pública, porém, cada qual obtém a consideração de acordo com os seus méritos e mais importante é o valor pessoal que a classe a que se pertence; isto quer dizer que ninguém sente o obstáculo da sua pobreza ou da condição social inferior, quando o seu valor o capacite a prestar serviços à cidade. (…)

 

Para amenizar o trabalho, procuramos muitos recreios para a alma; instituímos jogos e festas que se sucedem a cada ano; e diversões que diariamente nos proporcionam deleite e diminuem a tristeza. A grandeza e a importância da nossa cidade atraem os tesouros de outras terras, de modo que não só desfrutamos dos nossos produtos como daqueles do universo inteiro. (…)

 

Temos a vantagem de não nos preocupar com as contrariedades futuras. Quando chegam estas, enfrentamo-las com boa têmpera, como os que sempre estiveram acostumados com elas.

 

Por estas razões e muitas mais ainda, a nossa cidade é digna de admiração. Ao mesmo tempo em que amamos simplesmente a beleza, temos uma forte predileção pelo estudo. Usamos a riqueza para a ação, mais que como motivo de orgulho, e não nos importa confessar a pobreza, somente considerando vergonhoso não tratar de evitá-la. (…)

 

Nós consideramos o cidadão que se mostra estranho ou indiferente à política como um inútil à sociedade e à República. (…)

 

Se vos antojar ler todo o discurso, sem cortes, consultar Adriano Moreira, 1986, O ideal democrático – o discurso de Péricles in O legado político do Ocidente – o Homem e o Estado, Estudos Sociais e Políticos, nº14, ISCSPU.

 

Boas férias!

 

Francisco Chaves de Melo

 

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