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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

20
Set15

Por terras de S.Vicente da Raia


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 Segirei

Raramente falho aqui no blog. Ontem não apareci e hoje apareço tarde e mal, mas para tudo há uma justificação e eu tenho-a. Pensando como haveria de me justificar, porque isto das justificações é mais complexo do que aquilo que parece, pois parto logo do princípio que o, eu, não aparecer por aqui não tem importância nenhuma, aliás a grande maioria do pessoal que aqui vem nem sabe quem eu sou, nem onde penduro o pote, e isso até pouco importa, pois o que importa mesmo é que neste espaço esteja aqui qualquer coisa das nossas, diferente, todos os dias, senão, lá se vão os clientes… mas, para haver aqui qualquer coisa é preciso cá pô-la e aí, quer queiram ou não, lá terei de entrar eu, pois sou eu que ponho aqui as coisas. E já que assim é, vão ter que me aturar um bocadinho, pois não gosto de ser aldrabão como os políticos. Talvez aldrabão seja muito forte, digamos antes, então, não gosto de faltar à palavra dada (que é a mesma coisa que ser aldrabão, mas é muito mais soft, que traduzido para português (suave), significa mais macio, mas não deixa de ser aldrabão).

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Aveleda

Continuando o pensamento da minha justificação onde eu até nem interesso, vou ter de regressar uns trinta e tal anos no tempo, ao tempo em que estudava filosofia (por obrigação) e com a qual nunca me dei muito bem, tudo por intelectualizar, ou seja complicar, as coisas simples que toda a gente sabe. Mas às vezes, admito hoje, até dão jeito. Pois então, para a minha justificação de ausência regressei às Leis do Pensamento, até Aristóteles e à lógica clássica, até ao Princípio da não contradição em que defende que, duas afirmações contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, ou seja, que uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo. Pois foi o que aconteceu com a minha ausência, ou seja, uma vez que não estive por aqui, não pude estar aqui – e prontos, estou justificado. E até pode parecer brincadeira, mas é bem mais sério do que aquilo que parece…

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S.Vicente da Raia

Mas vamos ao que interessa, pois sou ciente que, o que querem é mesmo ter por aqui qualquer coisa de novo e, como ainda estamos em fim de semana, os habitués, querem por aqui o nosso mundo rural, aquele que hoje vos deixo um pouco em imagem – terras de S.Vicente da Raia, que sem mais explicações, corroboram a tentativa de hoje haver uma justificação de ausências. Não, fiquem descansados que não vou começar a filosofar outra vez, mas diz-me a experiência que entre as imagens ficam sempre bem umas palavrinhas explicativas, mesmo que pouco expliquem.

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Orjais

Ir até terras de S.Vicente da Raia é embrenharmo-nos ou adentrarmo-nos num mar de montanhas onde, de vez em quando, acontece vida organizada em forma de povoação. Ou era assim, pois embora as povoações ainda existam, a vida organizada nelas apenas resiste aos novos tempos, mas por pouco tempo, pois quando os resistentes partirem para a sua morada definitiva, apenas vai restar o que restar das povoações físicas. Mas pelos vistos isto pouco interessa a quem pode modificar as coisas, senão estejam com atenção ao atual campanha eleitoral que atravessamos (se tiverem paciência para), a dos senhores que são candidatos ao poder e ao destino de modificar as coisas e atentem quantas vezes se vão referir ao despovoamento e envelhecimento rural deste mundo interior…

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Cidadella (Galiza)

Voltemos ao rego e às terras de S.Vicente da Raia que para quem não sabe é constituída por quatro aldeias, a de S.Vicente da Raia, sede de freguesia, e Aveleda, Orjais e Segirei, a mítica Segirei que não podemos separar da sua estreita relação com Cidadella galega que esta sim, nos leva até às entranhas do mar de montanhas da raia.

20
Set15

Pecados e picardias


pecados e picardias copy

 

Na taverna os seus pecados
O uso e os abusos da pinga
 
Enfim quase conseguiu distrair-se
Os benefícios do trabalho
Os problemas quase a esvair-se
Como numa noite de orvalho
A necessidade de evadir-se
E o Gerardo que não descia…
Sentiu como de noite mal dormia
Assombrado pelas perdas
Mulheres sofria por Elas…
Lembrou-se que o sentiu estremecer
Quase sentiu pena dele… a esmorecer
 
Meu Deus como pensava na vida
O que significava a noite anterior?
Qual a diferença entre paixão e amor
E Ela o que era? O hábito? Estaria viva
Nem se dava conta que era sua inimiga?
 
O que representava seria importante?
O trabalho árduo uma só  constante
Um  humor normal sem oscilações
Uma relação sem intensas emoções
Era isso que Ele precisava sensações
 
Ela inspirava a força da lida
Expirava toda a rotina da vida
Demonstrava firmeza sem nunca vacilar
Chamavam-lhe mulher de raça …a brincar
E ali estava cheia de dúvidas…quase  a penar
 
O que realmente tinha acontecido?
A descoberta da traição do marido?
O que a afectava realmente?
A presença … da amante?
Teria sido a forma como aconteceu?
De madrugada o mundo não era seu
 
Até a taverna corava de vergonha
Da exposição aos jogos proibidos… de prazer
Ébrio cheio e invadido de peçonha
Que  os transformava? Em que tipo de ser
 
Enfim se calhar o problema era ser atrasada
Só viver em função do trabalho
E era assim que ele ou a própria vida lhe pagava
Caramba sentiu-se um paspalho
Dos que olham e olham e não vêem mesmo nada
 
Temperou as iscas de fígado
Sal, vinho branco e bastante alho
Agora o remédio era seguir
Se preciso por algum difícil atalho
Sabia que era preciso agir
Com  a lucidez do destemido…

Isabel Seixas

 

 

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