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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

22
Dez15

Intermitências


800-intermitencias

 

A Casa debaixo da Árvore

 

Era um lugar pequeno. Para ele bastava. Um lugar pequeno, sem muito do mundo moderno, uma casa debaixo da árvore. Aí, ele ria-se em silêncio dos que o visitavam por curiosidade ou uma suposta "pena" da sua solidão. Queriam fazer-lhe crer que o mundo tinha mudado e que ele não estava a aproveitar a "evolução". Sim, "a vida agora era muito mais simples do que antigamente!".

 

Era um lugar pequeno. Para ele bastava. Um lugar pequeno, sem muito do mundo moderno, uma casa debaixo da árvore. Aí, ele ria-se em silêncio, pois nada tinha mudado. A natureza, a guerra de poder e dinheiro, a ganância do Homem, para ele, o mundo não tinha mudado muito, apenas havia dotado as pessoas de artíficios e distracções para que se mantivessem aparentemente felizes com a direcção que alguns haviam escolhido para o mundo e as gentes. Um mundo global, aparentemente um mundo global.

 

Era um lugar pequeno. Para ele bastava. Um lugar pequeno, sem muito do mundo moderno, uma casa debaixo da árvore. Aí, ele ria-se em silêncio dos que não questionavam o mundo, pois quem melhor e mais sábia que a Natureza para responder ao sentido das coisas? Ela estava presente deste o ínicio dos tempos, testemunha da "evolução", e era matéria viva, inspirando e expirando lentamente ao longo das eras.

 

A Casa debaixo da Árvore.jpgErvededo, Outubro de 2015, Fotografia de Alberto Morando

 

 Era um lugar pequeno. Para ele bastava. Um lugar pequeno, sem muito do mundo moderno, uma casa debaixo da árvore. A vida nunca tinha sido simples e não eram objectos inventados para criar novas ilusões e dependências que iriam facilitá-la. Ele vivia no mundo local, como antes as suas gentes haviam feito, e cultivava aí as suas necessidades. "Deves-te aborrecer aí tanto tempo sozinho, sem ir muitas vezes à cidade...". Aí, ele ria-se em silêncio dos que pensavam que a vida na casa debaixo da árvore era um capricho, um ócio ou até mesmo um luxo. Cuidar das necessidades básicas de um ser humano era um trabalho a tempo inteiro, tanto físico, como emocional e social. Um dia parecia demasiado curto para tratar da terra, dos animais e dos homens, felizmente ainda havia uns poucos que compreendiam e valorizavam "a união que faz a força".

 

Era um lugar pequeno. Para ele bastava. Um lugar pequeno, sem muito do mundo moderno, uma casa debaixo da árvore. Um mundo livre, aparentemente um mundo livre.

 

Sandra Pereira

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