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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Jan16

O Tâmega ontem

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Ontem deixava por aqui a hipótese do Tâmega galgar as margens e vir dar uma voltinha cá fora, e tal aconteceu. Não foi muito mas foi uma pequena amostra do que fazem dois ou três dias de chuva intensa, com o rio num vale a receber todas as águas caídas no vales e montanhas desde a sua nascente, bem próxima por sinal, mas o suficientemente longe para o rio transbordar.

 

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Pois já que ao longo dos tempos fui recolhendo imagens das nossas cheias do Tâmega, hoje também lá fui espreitar.

 

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Ficam então quatro imagens dos locais onde o rio galgou as margens. Apenas uma amostra da fúria que um rio pode atingir quando as chuvas incomodam a sua calmaria, mas ainda bem que aconteceu, assim como aconteceu, pouca cheia mas água preciosa para um ano que até aqui se tinha mostrado seco para as necessidades.

 

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Por incrível que pareça ou então para fazer jus à voz do povo, “depois da tempestade vem a bonança”, e em termos de chuva foi o que aconteceu ontem, onde até o sol ainda deu uns ares da sua graça e sem chuva.

 

 

12
Jan16

2 - Chaves, era uma vez um comboio…

800-texas

 

Depois da apresentação desta crónica na semana passada, é tempo de passarmos aos textos que constam no livro “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, publicado em Agosto de 2014 pela Lumbudus, Associação de Fotografia e Gravura, bem como as fotografias que o ilustram. Hoje fica a introdução ao livro que, em resumo, conta um pouco da história dos caminhos de ferro em Portugal e em particular da Linha do Corgo, que iniciava na Régua e terminava em Chaves.

 

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CHAVES

 

Cedo divulgado como meio de transporte de pessoas e bens o caminho de ferro surgiu em Portugal na segunda metade do século XIX pela necessidade de construção de vias de comunicação, tal como já vinha sucedendo em diversos países europeus.

 

Em 1844 surge a Companhia das Obras Públicas cujo principal objectivo era dotar o país de meios de comunicação capazes de ligar Portugal à Europa. O caminho de ferro foi o meio que obteve maior consenso por parte da sociedade política, económica e intelectual portuguesa.

 

É, em 1851 com Fontes Pereira de Melo, que se encontram reunidas as condições para o início deste modo de transporte em Portugal, cuja inauguração decorreu em 28 de Outubro de 1856, entre Lisboa e o Carregado, na distância de 36 km.

 

Em 1877, com a construção da Ponte Maria Pia pela Casa Eifell, o Porto e Lisboa ficaram ligados por comboio.

 

A rede ferroviária a norte do rio Douro, construída pelo Estado – Direcções do Minho e do Douro – iniciou-se em 1875, com a abertura das Linhas do Minho e do Douro.

 

A Linha do Corgo como complementar da Linha do Douro foi construída em via métrica. Em 1907, o comboio chega a Pedras Salgadas, em 1910 a Vidago e finalmente a Chaves, em Agosto de 1921.

 

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 CP0002 – Locomotiva: CP E205, Data:1972, Local: Chaves, Portugal, Slide 35mm

 

Recentemente, o Município de Chaves recuperou e valorizou o antigo espaço ferroviário local, transformando o antigo edifício da estação em espaço sócio-cultural e o cais de mercadorias em galeria de exposições.

 

O museu aqui integrado ocupa uma antiga cocheira de carruagens.

 

A estação de dois pisos, edifício emblemático da arquitectura ferroviária, é decorada com azulejos de motivos florais que contornam a base do edifício e enquadram a fachada da estação.

 

O visitante inicia o seu percurso no espaço exterior, tomando contacto com os componentes de via estreita e material circulante para mercadorias, dois vagões de bordas baixas.

 

No interior o visitante encontra material a vapor que circulou na linha do Corgo.

 

A locomotiva de via estreita E 161 construída em 1905 pela Henschel & Sohn que inaugurou o primeiro troço da Linha do Corgo entre Régua e Vila Real em Abril de 1906.

 

A Locomotiva E41 foi construída em 1904 por Hohenzollern que foi utilizada nos trabalhos de construção da Linha do Corgo. Podemos ver os vários componentes da locomotiva, bem como os instrumentos de lubrificação.

 

A Locomotiva E203 foi construída pela Henshel & Sohn, em 1911 adquirida pelos Caminhos de Ferro do Estado (Minho e Douro), e da qual podemos observar alguns pormenores.

 

Em 1927 a CP procede ao arrendamento das Linhas dos caminhos de Ferro do Estado - Minho e Douro e Sul e Sueste e subaluga a Linha do Corgo à Companhia Nacional dos Caminhos de Ferro.

 

Em 1947, num processo de gestão unificada do caminho de ferro nacional, todas as linhas passaram para a CP, com a excepção da Linha de Cascais, que continua alugada à Sociedade Estoril.

 

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CP0001 – Locomotiva: CP E205, Data:1972, Local: Não identificado, Portugal, Slide 35mm

 

Exemplo das múltiplas funcionalidades e contributos do caminho de ferro na vida das populações e do país, a Ambulância Postal, conhecida como comboio correio de 1954. Destinava-se ao transporte do correio. Durante a viagem os funcionários, que pertenciam aos CTT, procediam à separação do correio por localidades, funcionando este comboio como uma verdadeira estação de correios.

 

Intrínseca à circulação ferroviária, a inspecção da via é retratada no quadriciclo a motor fabricado na Alemanha no início da década de 30, utilizado pelo Inspector de Via.

 

Utensílios oficinais como uma bigorna, macaco fazem parte da colecção do museu e induzem no visitante o ambiente oficinal.

 

O chefe da estação e os utensílios a ele relacionados estão patentes na recriação de um gabinete.

 

A segurança, indissociável do modo de transporte ferroviário, é representada pela sinalização.

 

Armando Ginestal Machado, ferroviário que estará para sempre associado à museologia ferroviária, contribui para a preservação e valorização do património ferroviário nacional.

 

Por força da directiva comunitária 440/91, a infra-estrutura ferroviária e a exploração do transporte por caminho de ferro, passam a ter gestões separadas, invertendo-se o sentido da Lei 2005 - lei da Coordenação de Transportes de 1945.

 

Em 1997 a infra-estrutura passou a ser gerida pela REFER, e a exploração foi confiada à CP. Ao mesmo tempo, autonomizam-se várias actividades e surgem as Unidades de negócio.

 

É a abertura de um novo ciclo no caminho de ferro, numa época de globalização, que exige novas formas de gestão, de parcerias e de cultura, em que o passado é uma referência histórica e um cumular de experiências dignificado pela museologia.

 

No Museu, nós damos-lhe tempo… Um tempo histórico – referência cultural e afectiva do transporte do futuro que honra e preserva um passado que nos conduziu até hoje!

 

Texto cedido por Ana Sousa – Comboios de Portugal, E.P.E.

 

In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira ( http:outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt )

Gentilmente cedidas para publicação neste post.

 

 

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