Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

23
Jan16

A Mesinha de S. Sebastião - Couto de Dornelas - Cerdedo - Vilarinho Seco e Alturas do Barroso

1600-dornelas 16 (13)

 

Aos sábados aqui no blog é dia da nossa ruralidade, daquela que vai além da cidade e das vilas, a ruralidade mais rural, a das nossas aldeias, não só as de Chaves, mas de toda a região envolvente, incluindo todo o Barroso onde o comunitarismo desde sempre fez parte da sua força para vencer os trabalhos de uma terra quase sempre ingrata. Comunitarismo que se reflete também nas celebrações religiosas e que se transforma em festa envolvendo toda a aldeia e comunidade. Mas há festas comunitárias e festas comunitárias que o são mesmo, abertas a toda a comunidade que nela queira participar. São assim as de S.Sebastião no Couto de Dornelas e das Alturas do Barroso, ambas do concelho de Boticas. Festa que desde que a descobrimos fizemos promessa de lá voltar todos os anos.

 

1600-dornelas 16 (24)

 

As imagens de hoje são dessas mesmas festas comunitárias que vão sendo apresentadas pela sua ordem cronológica, em que a primeira imagem que vos deixo coincide com a nossa chegada ao Couto de Dornelas à Mesinha de S.Sebastião. E assim vai sendo, com o decorrer da manhã e do dia até entrarmos na noite, já noutra aldeia. Mas lá chegaremos.

 

1600-dornelas 16 (37)

 

Comecemos então pelo Couto de Dornelas, topónimo pelo qual é vulgarmente conhecida a aldeia, mas penso que não é bem este o seu topónimo, pois o oficial é mesmo a Vila Grande de Dornelas.

 

1600-dornelas 16 (125)

 

Mas falemos da festa onde gostamos de chegar logo pela manhã para não perder pitada, ou quase, pois para por lá a festa começar logo de manhã, grande parte dos seus habitantes já anda há dias a trabalhar para ela. Então na noite que antecede a manhã da festa, nem se fala, é que dar de comer a milhares de pessoas, não é pera doce.

 

1600-dornelas 16 (136)

 

Mas passemos a explicar as imagens. A primeira é da nossa chegada onde a mesinha do S.Sebastião já estava montada na rua principal, mais coisa menos coisa são 400 metros de mesa. Logo pela manhã começam a chegar as pessoas das aldeias vizinhas, mas também os residentes da aldeia marcam presença nas ruas, algumas vestindo ainda as tradicionais capas de burel. Na cozinha comunitária ultima-se a confeção das últimas carnes e arroz em mais de vinte potes dos grandes. Ao lado, o pão já cozido, aguarda a distribuição pela mesa, tal como as gigas de vime cheias de pratos e malgas de madeira.

 

1600-dornelas 16 (240)

 

A visita à cozinha é obrigatória, embora à área de trabalha o acesso seja restrito, pois é apenas para quem trabalha ou para quem como nós blogers e fotógrafos, jornalistas e televisões querem fazer a reportagem e captar outras imagens que só lá dentro são possíveis. Entretanto pela manhã a cozinha serve algumas sopas em malgas para os primeiros forasteiros, e gente que trabalha, consolar os estômagos, pois a comida só sai para a mesinha (a tal dos 400 m) depois da missa e de benzido o pão. Coisa que só acontece por volta do meio dia. Assim, até lá, há tempo de dar uma volta pela aldeia e de apreciar o seu casario mais típico.

 

1600-dornelas 16 (452)

 

Entretanto a mesinha, que pela manhã estava vazia (veja-se a primeira foto), ao meio dia está repleta com milhares de pessoas a aguardar que de vara a vara (a medida) caia um pão, uma caçarola de arroz e um naco de carne sobre uma toalha de linho que previamente cobriu a mesinha de madeira.

 

1600-dornelas 16 (438)

 

Mas ainda antes de a comida chegar à mesa, há o ritual do peditório para ajudar a festa e o desfilar da imagem do S.Sebastião, que os crentes, um a um, vão beijando à sua passagem.

 

1600-dornelas 16 (399)

 

Depois sim, a comida. Pão caseio mistura de centeio e milho, arroz e o naco de carne de porco. É tudo bom, com o sabor que só os potes lhe sabem dar, mas quem vem de fora vai acrescentando sempre qualquer coisinha à mesa, como bolos de bacalhau, linguiças e salpicões, presunto, vinho entre outras coisas, que os estômagos agradecem sempre.

 

1600-dornelas 16 (509)

 

Nós marcamos sempre lugar no final da mesa. Assim podemos ir fazendo as fotos ao longo dos 400m de mesa e no final também saborear a oferenda. É ponto também de reunião de outros amigos fotógrafos ou não, como no caso da última foto com o nosso amigo A. Tedim, Luís Alves e um “cerdedense” vizinho do Couto de Dornelas que de tanto nos falar da sua terra resolvemos passar por lá para a conhecer, e em boa hora, pois foi a surpresa do dia, que o resto já conhecíamos. As próximas seis imagens são de lá, de Cerdedo.

 

1600-cerdedo (36)

 

Lembram-se de há dias eu dizer por aqui que havia dois Barrosos, o agreste e o verde. Pois por aqui misturam-se os dois, ou seja, nas terras mais baixas o verde é tão intenso que parece ter luz própria mas, mesmo ao lado, começa a subir-se à croa das montanhas, a luz apaga-se e o agreste predomina.

 

1600-cerdedo (38)

 

Então em dia de chuva com neblinas altas, Cerdedo apresentou-se como uma revelação desenhada com a mestria de um artista, daqueles mesmo artistas, verdadeiros. Nada ficou ao acaso, o desenho dos caminhos, os recortes dos muros, a colocação dos canastros, os tons da pintura dos verdes nos lameiros salpicados de amarelos torrados de bois e vacas, os sépias das folhas secas que teimam não soltar-se das árvores.

 

1600-cerdedo (67)

 

Até o casario parece ter sido arrumado de modo a não incomodar a harmonia da restante composição, fundindo-se com ela, fazendo parte dela.

 

1600-cerdedo (30)

 

Este encanto podia ter sido magia do momento, com as neblinas altas que mais não eram que nuvens de chuva a apagar por completo o azul do céu e a intensidade da luz do sol para que as sombras não apagassem o brilho da chuva caída sobre o todo de uma paisagem que mais parecia uma tela roubada do caixilho de uma pintura para não quebrar a coerência da composição.

 

1600-cerdedo (79)

 

Por último, ainda em Cerdedo e ainda as pinturas, agora numa tela de Silva Porto, “Guardando o rebanho” que recordo desde miúdo por ter uma reprodução pendurada numa das paredes da sala de casa dos meus pais, só que, o pastor de Silva Porto caminhava para nós, e o pastor do Cerdedo, como cena final, afasta-se de nós.

 

1600-cerdedo (91)

 

Poderia terminar aqui o post que já ficavam bem servidos, mas hoje estou generoso e quero contar-vos, sobretudo em imagem, o resto do dia, pois embora a última imagem seja de Cerdedo, quase não tínhamos saído, ainda, de Couto de Dornelas, e o nosso destino nesse momento era mesmo Alturas do Barroso.

 

1600-gestosa (38)

 

E tínhamos ainda pela frente que subir quase toda a Serra do Barroso e fazer uma passagem com paragem obrigatória em Vilarinho Seco, mas antes, ainda havia tempo de parar no meio da serra para apanhar umas imagens, nem que fossem apenas as dos tais devaneios.

 

1600-gestosa (17)

 

E depois sim, Vilarinho Seco que tal como o Cerdedo foi uma agradável descoberta de há anos atrás e por isso temos de parar sempre por lá para ver se continua tudo lugar e não houve qualquer doidice que estragasse a composição, mas há também o Pedro, onde é também obrigatório parar para botar um copo, mesmo que seja um café.

 

1600-Vilarinho-seco (356)

 

Por último as Alturas do Barroso onde se celebra com festa, também comunitária, o S.Sebastião, mas aqui de forma diferente. Infelizmente chegamos lá sempre tarde, já quase em hora de termos que regressar, mas cumprimos sempre a promessa. Fotograficamente falando é que as coisas se complicam, pois se em Cerdedo até deu jeito a luz não estar muito intensa, aqui, dava-nos jeito haver mais alguma, mas enfim, não se pode ter tudo. Assim,  fica uma imagem noturna.

 

1600-alturas-16 (28)

 

E com isto ficam aqui vinte imagens sobre o Barroso, que temos aqui tão perto e que é sempre tão interessante ir por lá para recordar o que conhecemos e descobrir novas pérolas, quase sempre com o atrativo da sua simplicidade ou mesmo virgindade.

 

 

 

23
Jan16

Uma imagem, para já...

1600-gestosa (17)

 

E é mesmo uma imagem, para já. Uma imagem, ou um devaneio, de muitas imagens que hoje ainda vão ficar por aqui para ilustrar uma reportagem prometida, mas isso será mais logo, pois embora as imagens já existam, faltam-lhe as palavras. Até mais logo.

 

 

23
Jan16

Pedra de Toque - Então fui eu...

pedra de toque.jpg

 

“ENTÃO FUI EU…”

 

Eu não queria ter sido eu…

 

Mas se tu o dizes, Maria!...

 

O que é que eu posso dizer face ao deslumbre do sol a pôr-se “lá longe ao cair da tarde”.

 

Maria, quê?

 

Nunca o descobri nem o quis saber.

 

Foi na rua da grande metrópole, que cruzamos o olhar que prolongamos até às mesas do café.

 

Depois “saltamos” cadeiras e quedamos frente a frente na primeira que se nos ofereceu.

 

A tua voz quente e límpida foi a segunda descoberta.

 

Trocamos sorrisos mas mantivemo-nos nas palavras do Eugénio poetadas nos versos do livro que trazias.

 

Murmuramos poemas e acabamos por trocar juras.

 

Quando depois de horas que pareceram instantes nos despedimos, tu disseste que me levavas contigo mesmo que este fosse, o nosso único encontro.

 

Ruborizei, paguei a conta e trouxe-te nos meus olhos fundos, nos meus dedos longos.

 

1600-barroso XXI (471).jpg

 

Passados poucos meses, um amigo que me tinha visto com ela naquela tarde, revelou-me que a Maria lhe contara grata, que eu lhe abri as portas da felicidade.

 

Eu quis saber porquê.

 

Ele então continuou dizendo-me que ela no momento vivia um grande amor nos braços de um jovem e talentoso poeta, que adorava como nós o grande Eugénio.

 

Em mim ela permaneceu ainda longo tempo, nos meus olhos, nos meus dedos.

 

Também fiquei feliz com o meu modesto contributo para a felicidade dela.

 

Eu não queria ter sido eu…

 

Mas se tu disseste, Maria!...

 

 

Então fui eu…

António Roque

 

 

Sobre mim

foto do autor

320-meokanal 895607.jpg

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Fer.Ribeiro

      Pois não sei, mas posso tentar saber.

    • Anónimo

      O post está muito bom. Já agora aproveito para per...

    • TELMO A.R.RODRIGUES

      Cara amigo Luis Sancho o meu é Telmo Afonso R. Rod...

    • Anónimo

      Parabéns pelo seu trabalho, que é de louvar. Sobre...

    • Anónimo

      Gostaria imenso de obter a genealogia da família A...

    FB