Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Fev16

Quem conta um ponto...

avatar-1ponto

 

276 - Pérolas e diamantes: a agulha e o buraco

 

O sofrimento transforma-se em conhecimento. Por isso é que os laicos são uma espécie de cínicos peripatéticos. Aleksandr Soljenitsin pôs na boca de uma sua personagem as palavras da sua avó: “As agulhas prestam enquanto têm buraco, e as pessoas, enquanto têm alma”.

 

Mas a vida é assim mesmo, geralmente o sentido das coisas surge-nos finalmente claro quando o seu conhecimento já não nos serve para nada.

 

Por isso me rio daqueles que imaginam ser oximoros vivos e andantes, quais primatas vaidosos. Atrevo-me por vezes a pensar se são mesmo aquilo que parecem. E chego à conclusão que não senhor. Ninguém é aquilo que parece.

 

Passam a vida disfarçados. Mas, como escreveu Martino, o narrador de N., de Ernesto Ferraro, qualquer máscara acaba por revelar precisamente o que pretende ocultar.

 

Um dos entrevistados de Svetlana Aleksievitch (O Fim do Homem Soviético) resume tudo numa frase: Os merdocratas destruíram tudo… estamos enterrados na bosta.

 

Não são as grandes vitórias que tornam um país grande. Portugal é disso exemplo paradigmático.

 

Só quem é nada é que pode ser aquilo que os outros imaginam que ele seja. Têm a sua própria legitimidade: estão isentos de passado. Os mais corajosos chegam a autarcas ou mesmo a ajudantes de ministros. Escrever policiais, biografias políticas ou livros de receitas dá uma grande ajuda.

 

Paulo Portas, nos bons tempos do Independente, bem avisou: “O que se diz, e parece certo, é que há medíocres a mais. (…) Regra geral, o chefe de gabinete subiu a secretário de Estado, o diretor-geral ascendeu a ministro e o cacique paroquial chegou a deputado. Uma vez promovidos calaram-se. O sistema foi posto em silêncio…” e não há declarações de voto que disfarcem a subserviência.

 

Claro que já os oiço a dizer: Uma vez mais o mal está no olhar crítico que só descobre desgraças em tudo o que nos rodeia. A esses eu respondo: pois sim senhor, mas o que nos rodeia é a própria realidade.

 

Slavoj Zizek lembra que a esquerda europeia até já morreu. E duas vezes. A primeira sob a forma de esquerda comunista totalitária e a segunda sob o formato de esquerda democrática moderada, que, nos últimos tempos, tem perdido, de forma gradual, terreno em Itália, França e mesmo na Alemanha. No seu ponto de vista, este processo pode ser explicado pelo facto de os partidos centristas, e mesmo conservadores, terem adotado numerosos pontos programáticos tradicionalmente de esquerda (Estado Social, direito das minorias, etc.), “a tal ponto que, se por exemplo, uma Angela Merkel apresentasse o seu programa nos Estados Unidos, seria acusada de esquerdismo radical”.

 

A verdade é que temos de modificar a nossa maneira de pensar. Atualmente vivemos, como diz o filósofo New Age, “num estado de denegação fetichista: sabemos muito bem o que terá de acontecer mais cedo ou mais tarde, mas, apesar de o sabermos, não somos capazes de acreditar que será assim”.

 

A “verdadeira realidade” é, por exemplo, sustentada pelos grandes “humanitaristas” como Brad Pitt, que faz maciços investimentos no Dubai.

 

Aos lusitanos aconteceu-lhes o mesmo que à fruta normalizada pela Europa. Agora não há bons nem maus portugueses, há simplesmente portugueses indiferentes, cidadãos anódinos, gente cinzenta e medíocre. Dá pena. E, além do mais, é mentira.

 

A patetice pegou moda. Do CDS ao PCP é tudo tão provinciano que aflige. Chegamos ao cúmulo de já não nos sentirmos portugueses e de não sermos sequer ibéricos, quanto mais europeus. Eu, por causa das coisas, pego no meu transmontanismo e vou à vida. Não me atrevo a mais. Sou como sou e disso não peço desculpa a ninguém.

 

Por isso é que votar vai sendo cada vez menos uma satisfação para se transformar num grande sacrifício.

 

A razão da desilusão está na génese e na militância dos partidos. Sei que dentro deles há muito quem rosne, mas ninguém tem a coragem de morder a mão que lhe dá de comer.

João Madureira

 

 

Sobre mim

foto do autor

320-meokanal 895607.jpg

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Fer.Ribeiro

      Pois não sei, mas posso tentar saber.

    • Anónimo

      O post está muito bom. Já agora aproveito para per...

    • TELMO A.R.RODRIGUES

      Cara amigo Luis Sancho o meu é Telmo Afonso R. Rod...

    • Anónimo

      Parabéns pelo seu trabalho, que é de louvar. Sobre...

    • Anónimo

      Gostaria imenso de obter a genealogia da família A...

    FB