Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

17
Fev16

Chaves de ontem, Chaves de hoje

 

ontem-hoje

 

Muitas vezes insurjo-me aqui contra as “verdades” da História, e não é por mero acaso, mas simplesmente porque sei que a História é feita conforme quem a transcreve, ou seja, se houver dois historiadores a fazer a História de um mesmo acontecimento, pela certa que vamos ter duas versões da mesma história, mesmo que documentada e mesmo que aparentemente semelhantes, há sempre pormenores que fazem a diferença e alteram toda a verdade. Hoje, nas imagens que vos deixo, temos um bom exemplo de uma verdade (ou não) alterada por um pormenor. Se repararem bem nas duas primeiras imagens que a seguir vos deixo, há pequenas diferenças entre ambas, começando na data em que foram tomadas, pois a primeira é de 1965 e a segunda de há dois dias atrás.

 

1 - cheia-1.jpg

Foto 1 -  de 1965

 

2 - ontem-hoje (19)-1.jpg

Foto 2  -  de fevereiro de 2016

Entre ambas as datas das fotos anteriores, o edifício em questão sofreu obras de reconstrução e à vista salta logo uma pequena diferença entre ambas, mais propriamente nas três janelas superiores que na versão atual são mais pequenas. De resto mantem-se quase tudo igual, não fosse esta placa (foto nº3) que assinala a altura que alcançou a cheia do Rio Tâmega de 22 de dezembro de 1909.

 

3- 13271-2.jpgFoto 3  -  de fevereiro de 2016

 

A placa foi ampliada da seguinte foto (4), que é uma foto atual:

 

4 - 13271-1.jpg

 Foto 4  -  de fevereiro de 2016

 

Mas vejamos a placa no contexto da fachada do edifício (foto 5) que é a foto atual, a mesma que a foto 2 só que a placa está agora assinalada dentro dum círculo vermelho, entre traços vermelhos que correspondem à altura da janela do lado:

 

5 - ontem-hoje (19)-2.jpg

 Foto 5

 

Então agora, fazendo o mesmo exercício na foto de 1965, observem onde estava então a placa da cheia (foto 6).

 

6 - cheia-2.jpg

 Foto 6

 

Segundo uma estimativa minha, a placa após as últimas obras de reconstrução do edifício, foi colocada cerca de um (1) metro acima. Inocência ou falta de referências de que a recolocou!? – Poderia ter sido, mas penso que não, é mais a nossa velha mania de empolarmos os acontecimentos fazendo das coisas pequenas grandes coisas. E assim se vai enganando quem vê a placa e a observa com espanto. Penso eu que seria de bom tom repor a verdade recolocando a placa no seu devido sítio. Mas aqui surge-me uma dúvida e essa é a dúvida da verdade, pois quem me garante a mim que a primeira placa estava no seu devido sítio!? – Sendo como somos, é bem possível que a primeira placa já tivesse sido colocada um (1) metro acima da verdade, o que a ser verdade, a verdade de hoje está 2 metros acima da grande cheia de 22 de dezembro de 1909. Contudo, pela foto seguinte dessa cheia, pela diferença que a água leva até à parte superior do arco o à parte inferior da janela do outro edifício, facilmente se poderá repor a verdade verdadeira, ou não. Mas vejamos a foto:

 

ca (533).jpgCheia de 1909

 

Pois o “ou não” do parágrafo anterior é que sabemos que a foto é da cheia de 1909, no entanto não sabemos se foi tomada no dia em que a cheia atingiu a sua altura máxima, e daí voltamos à estaca zero e lá teremos que acreditar, ou não, em mais uma mentira da história. Mas também pode ser verdade. E isto faz-me sempre lembrar o caso do Silveira e do Pizarro nos acontecimentos das segundas invasões francesas em Chaves (tinha de dizer isto...).

 

Enfim, mas tudo isto são balelas minhas, pois como não sou historiador, tudo que por aqui deixo não vale de nada…

 

 

17
Fev16

Chá de Urze com Flores de Torga - 118

1600-torga

 

Chaves, 24 de Agosto de 1993

 

Num molho, mas cheguei. O que me vale é saber Portugal de cor tão bem sabido, que, mesmo a atravessá-lo ofegante e mareado, o vejo sempre inédito e deslumbrador como da primeira vez.

Miguel Torga, in Diário XVI

 

 

Chaves, 25 de Agosto de 1993

 

Sabe tudo do Barroso. Mas falta-lhe o principal: não é capaz de o imaginar.

Miguel Torga, in Diário XVI

 

1600-larouco (172)

 

Chaves, 27 de Agosto de 1993

 

Envelhecer não é para covardes. E, morrer, muito menos. Corajosamente, envelheci, e corajosamente morro. Mas levo comigo uma dúvida: fui, realmente, corajoso, ou vivi sempre em pânico, com medo de o não ser?

Miguel Torga, in Diário XVI

 

 

Sobre mim

foto do autor

320-meokanal 895607.jpg

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Fer.Ribeiro

      Pois não sei, mas posso tentar saber.

    • Anónimo

      O post está muito bom. Já agora aproveito para per...

    • TELMO A.R.RODRIGUES

      Cara amigo Luis Sancho o meu é Telmo Afonso R. Rod...

    • Anónimo

      Parabéns pelo seu trabalho, que é de louvar. Sobre...

    • Anónimo

      Gostaria imenso de obter a genealogia da família A...

    FB