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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Mar16

Chaves de ontem, Chaves de hoje

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Hoje fazemos um regresso ao ano de 1959, à Lapa, ainda com o antigo bairro da lapa adossado ao forte de S.Francisco. Os putos da bola de então que ficaram registados na imagem, hoje são flavienses de sessenta e tal anos.

 

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Fica então a imagem de Chaves de hoje, cujos arranjos são dos finais dos anos setenta e inícios dos oitenta do século passado, transformando o antigo capo da bola e recinto que acolhia os circos, no principal estacionamento da cidade. Quanto às casas adossadas à muralha, deram lugar a um espaço ajardinado.

 

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30
Mar16

Chá de Urze com Flores de Torga - 124

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Alturas do Barroso, 27 de Junho de 1956

 

Entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim, que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhe dá a simples proteção de as respeitar.

 

Miguel Torga, In Diário VIII

 

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 Alturas do Barroso

 

Montalegre, 28 de Junho de 1956

 

Feira do prémio. As elegâncias bovinas da região num concurso de beleza. Mas coisa a sério! Cada vedeta examinada e medida com um rigorismo de meter Hollywood num chinelo. Torci quanto pude por uma bezerra ruiva – Deus me perdoe a oculta transposição antropomórfica que se estaria a operar no meu subconsciente, fiz de jarrão à mesa do júri, apertei a mão aos donos das beldades eleitas, e, no fim, quando esperava ver coroada com uma chega de toiros a minha abnegação pecuária, arma-se tamanho sarilho entre duas povoações donas das bisarmas à altura da façanha, que parecia o fim do mundo. No meio de negociações complicadas, em que pus toda a diplomacia de que sou capaz – a escolha do terreno da luta, a verificação de que não havia navalhas de ponta e mola embutidas nas hastes dos cornúpetos, etc.,etc. -, insofrida, a virilidade humana antecipou-se à virilidade dos animais. Nas barbas da autoridade, dispensou galhardamente os actores contratados e, em vez duma turra de bois, ofereceu-me o espectáculo mais sensacional ainda de uma turra de gente. Com esta vantagem para mim: metido também na dança.

 

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Atónito no meio da insólita floresta de varapaus, tratei de me defender como pude das bordoadas, sem medir a grandeza da generosidade, e até propenso a considerá-la abusiva. Mas logo que a tempestade amainou, e tive de estancar o sangue no lanhaço de um dos heróis, testemunhei-lhe o meu alarmado reconhecimento. A resposta veio num simples sorriso sibilino, que interpretei desta cândida maneira: já que eu estava tão interessado em conhecer as coisas por dentro…

 

Miguel Torga, In Diário VIII

 

 

29
Mar16

8 - Chaves, era uma vez um comboio…

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Texas  o comboio   kimvoio

 

Vi-o a primeira vez  ainda na penumbra dos amanheceres,  a passar no fundo do estradão, a minha mãe de futuro em riste, levava a Zé por volta das sete e tal da manhã  à estação das Pedras, para ir para o colégio de Vila Pouca estudar, grande feito à época, bem  admirado bem invejado  o andar, andar a estudar e andar de comboio.

 

Lembro-me da ternura da Sra. Albertina  que morava no figueiredo e dizia que a mãezinha, a d. Aninhas tinha ido buscar a Zeizinha ó Kimvoio… E era assim… Como se o comboio,  além das pernas rodas nos carris, tivesse também braços e desse às mães vindos de um abraço ou colo qualquer,  os filhos sempre em segurança, num devagar se vai ao longe…

 

Sempre me fascinaram as rodas nos carris, num movimento para mim espiral que quase me fazia trocar os olhos por conseguirem  ir todas ao mesmo tempo, a meu ver eram elas  a voz e o instrumento  da orquestra que geravam o som tac a tac a tac o tal pouca terra pouca terra pouca  terra, gerando nas carruagens um movimento de samba folclórico ou de risadinhas constantes por cócegas.

 

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 CP0029 – Locomotiva: Não identificada, Data: 1977, Local: Vidago, Portugal, Slide 35 mm

 

Depois das rodas, a máquina, ora altiva cheia de soberba por ir à frente e puxar as carruagens como quem traz de arrasto os filhos distraídos, ora histérica em guinchos ensurdecedores  a exigir atenção de algum incauto que saia desgarrado  e ocupe a sua linha. Fumadora compulsiva, na altura, creio, mata ratos ou definitivos,  carvão direto aos pulmões   deixando no percurso lufadas de fumo, ambulantes nuvenzinhas de sonho esvaído num implacável céu.

 

À conta da sua falta de pontualidade a Nélia a Kika e o Nelo ainda levaram uma boa reprimenda, a Nélia umas boas chineladas no rabo, por assustarem as pessoas nas madrugadas dentro de um lençol com uma pilha, além de colocarem cartazes escritos das caixas de papelão, nas portas das pessoas fazendo jus às suas alcunhas.

 

Ouvia falar dele com frequência sazonal aquando de passeios de grupos , algumas criticas à sua lassidão.

 

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 CP0005  – Locomotiva: CP E209, Data: Não datado, Local: Régua, Portugal, Slide 35 mm

 

Um dia aí para uns  35 anos , vim da régua  com ele, trouxe-me direitinha com calma que mais valia chegar tarde neste mundo, que mais cedo ao outro, cheguei  a casa meio fusca com algumas faúlhas que se escaparam para nos enfarruscarem à socapa, sabendo que só dávamos conta quando chegássemos a casa, pois não dispúnhamos de espelhinho ali à mão.O balanço foi positivo, gostei, mas naquele tempo eu não sabia ainda o seu valor acrescentado , eu só tinha pressa, ele não estava ara aí virado para as pressas.

 

Lembro-me sempre com um arrepio na espinha de um senhor desesperado que decidiu atirar-se à linha quando ele passou, além das sistemáticas ameaças de senhoras que no auge da deceção pensavam alto em matar-se com a ajuda dele do kimvoio , do texas.

 

Às vezes era o bode expiatório para justificar a presença de indigentes na cidade , dado ser  em Chaves o fim da linha, os viajantes peregrinos tinham de sair e ficar à espera ,surgindo por uns tempos como estranhos na cidade.

 

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 CP0037  – Locomotiva: CP E209, Data: 1973, Local: Não identificado, Portugal, Slide 35 mm

 

O Mestre Nadir a propósito do meu apelido Seixas contou-me que no seu tempo de estudante  de faculdade quando regressava do Porto, o revisor de nome Seixas mandava sair as pessoas nas subidas do comboio texas e pedia ajuda aos homens para empurrar, entrando  todos os passageiros novamente nas descidas. Foi sempre algo incompreendido, talvez por  deixar tempo aos passageiros para irem às frutas e  às vinhas do caminho  buscar uvas para comer, enquanto brincavam às corridinhas  com o texas que se deixava facilmente apanhar, ainda foi protagonista de excursões a Vidago levando miúdos e graúdos a ver a paisagem  numa alegria intemporal…

 

Depois com o tempo envelheceu, reformou-se e jaz nas memórias, além da carruagem atrás da antiga Estação e da máquina recuperada por algum saudosista perto da linha de Curalha.

 

E a nós deixou-nos  o  memorando  de o lembrar aos nossos filhos e netos se os tivermos…

 

Isabel  Seixas

 

In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt)

Gentilmente cedidas para publicação neste post.

 

 

28
Mar16

Quem conta um ponto...

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283 - Pérolas e diamantes: o cordel democrático

 

A vida humana, já mo dizia minha avó, é o maior esbanjamento económico da natureza. Quando estamos preparados para começar a tirar rendimento da nossa experiência humana, morremos. E os que nos sucedem vão ter de começar do zero.

 

Afinal o que é a alma humana em pleno século XXI? Afinal onde param as fadas da modernização e do bem-estar?

 

As ideias deixaram de ser um bálsamo para passarem a ser um castigo.

 

Vivemos num tempo sem deuses e com homens (e mulheres, porque não dizê-lo por mais que isso custe aos cultores do politicamente correto) desinteressantes, dirigido por carreiristas e indivíduos corruptos, onde o capitalismo financeiro, com a cumplicidade ativa dos conservadores e neoliberais, agora fingidos de sociais-democratas, se empenham vorazmente no desmantelamento do Estado Social.

 

A narrativa e o argumentário perseguem-nos e moldam-nos o pensamento. É o medo vertido em expressões inconclusivas: descontrolo da dívida pública, quebra da poupança, crédito mal parado, necessidade imperiosa de reduzir despesas sociais e a urgente reforma das leis laborais. É o velho conto do vigário. A crise. A puta da crise.

 

A mando desses senhores convertemos as leiras em baldios e os pomares em eucaliptais. Atualmente os muros delimitam apenas espaços vazios e estéreis.

 

Mas temos de reconhecer que algo mudou: deixaram de nos tratar como escravos e passaram a tratar-nos como criados.

 

E nós, bem adestrados, passámos a utilizar o mecanismo psicológico das crianças que se imaginam invisíveis ao tapar os olhos com as mãos. Se não me vês, eu também não te vejo.

 

Tal como os nossos corpos, também as ilusões morrem e fedem depois de mortas. Independentemente dos perfumes com que as borrifemos.

 

Continua a ser bonito guardá-las. Chegámos mesmo a pensar defendê-las firmemente até ao fim. Mas até o bom vinho vai azedando dentro do pipo.

 

Agora, à semelhança dos bancos, a Comunidade Europeia, passou a intervencionar os Estados.

 

Mandam-nos a casa os homens vestidos de preto. Os cangalheiros financeiros passeando na brisa do Tejo com as suas pastas carregadas de discos externos.

 

Há quem sorria com as penhoras. Nada do que nos possa importar os afeta. Serve-lhes até de diversão.

 

As elites endinheiradas acreditam na liberdade individual. Sobretudo na deles. Creem na vontade e no esforço. São os vencedores que gastam o que ainda lhes resta de energia nos spa, nos court de ténis ou ainda nos luxuosos ginásios privativos, onde encontram outros vencedores como eles, que os ajudam a enriquecer graças a uma teia de influências que denominam de sinergias.

 

Foram ambiciosos, depois fantasiosos. Atualmente entretêm-se em ser mitómanos sociais.

 

Eles falam de transações de propriedades, trespasses, quintas que escrituram em nome de ex-mulheres, amigos, sobrinhos, cunhados, sogros, mães ou pais, alguns deles com alzheimer, ou outra espécie de senilidade, e falsificam até as assinaturas, tornando-os proprietários de apartamentos, lojas comerciais, sociedades de importação e exportação, pomares e até negócios escuros.

 

Alguns deles, muito poucos, vão parar à cadeia. Outros saem de lá como heróis. Mas a grande maioria safa-se sempre. Para que a planta cresça é necessário fertilizá-la com adubo ou estrume.

 

Nós somos como pássaros vivos com uma das patas presas por um cordel a quem dizem: Vá lá, voa, para que raio queres as asas?

 

Que rica democracia a nossa!

 

João Madureira

 

 

27
Mar16

O Barroso aqui tão perto... Solveira

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Cá estamos de novo no Barroso, em mais uma aldeia a caminho de Montalegre, esta dá pelo nome de Solveira.

 

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Mas vamos à história, primeiro a minha, a que retenho de Solveira. Embora hoje Solveira nos fique no caminho de Montalegre, nem sempre foi assim. Graças à minha família da parte materna ter toda origem em Montalegre, desde muito cedo que a Vila estava nos meus destinos do Natal e do Sr. da Piedade, mas também parte das férias grandes. Decorriam então os anos 60 e 70 do Séc. passado e as idas a Montalegre eram feitas nas carreiras de Braga, pela Nacional 103. Primeiro de Chaves até ao Barracão, e depois noutra camioneta do Barracão até Montalegre. Só muito mais tarde, já em finais dos anos 70 e anos 80 é que começámos  a utilizar a “estrada de Soutelinho da Raia”, e aí sim, descobri também pela primeira vez a aldeia de Solveira, com a estrada a passar pela a aldeia.

 

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Contudo os arranjos da estrada entre Montalegre e o concelho de Chaves fez com que em Solveira a estrada tivesse uma variante, a passar ao lado da aldeia, e de novo Solveira ficou apartada das nossas vistas e das nossas passagens. Ia mantendo na memória uma aldeia interessante no seu casario, cheia de vida, pelo menos na estrada (rua) que então a atravessava, onde havia sempre muita gente e animais e daí a passagem por lá se fazer com velocidades muito reduzidas.

 

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Pois há dois dias fui à procura dessa aldeia que retinha na memória e embora quase tudo se mantenha como quando a conheci, falta-lhe a essência, ou seja, a vida nas ruas mas também nas casas. Solveira é também uma das aldeias que sofre do mal que mais as afeta hoje em dia – o despovoamento e envelhecimento da população.

 

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Mas ainda tem alguma vida que até ainda mantém algumas tradições de pé, como a via-crúcis ou via-sacra que consiste na sexta-feira santa os fiéis percorrerem as estações (ou passos) da via sacra, quinze no total, representando a caminhada de Jesus a carregar a cruz desde o Pretório de Pilatos até o monte Calvário, em suma com a primeira estação na representação da condenação à morte de Jesus e a última em representação de Jesus a ressuscitar dos mortos. Em Solveira a via-crúcis faz-se precisamente ao longo da antiga estrada que ligava Montalegre a Chaves.

 

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Há dois dias, sexta-feira santa, quando por lá fomos (a Solveira), soubemos do acontecimento e fomos fazendo sala até que o mesmo acontecesse. Sorte nossa a de termos encontrado o antigo ferreiro da aldeia, hoje reformado mas que se dedica ainda com amor e carinho às coisas de “ferro” e em “ferro”, como quem diz de qualquer metal. Engenhos, geringonças, antigos utensílios domésticos ou de trabalho, aparelhos, ferramentas. Um autêntico museu do metal, mas não só, pois há também as malhadeiras, penso que sete, todas a funcionar.Não as vimos mas ficaram programadas para uma próxima visita. Mas não é só o museu e o juntar peças de metal, pois o Sr. Jaime quer tudo como deve de ser e coisas avariadas ou que não funcionam não têm lugar no seu museu e daí, passar o seu tempo livre, agora todo, no concerto e arranjo das peças, e se tiver de as construir/fabricar, constrói-as ou fabrica-as, tal como aconteceu com a fechadura para a chave gigante que comprou na cidade de Chaves na feira das velharias.

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Junto a um dos largos principais da aldeia, aquele que tem o grande tanque e fonte comunitárias, onde o longo lavadoiro corrido ao longo de todo o tanque nos faz imaginar a vida que o largo não teria quando o mesmo era utilizado pelas mulheres a lavar a roupa de casa, onde suponho que em frente o Sr.Jaime teria a sua oficina de ferreiro, no tal sítio onde hoje abriga o seu museu. Teríamos conversa e apreciação das peças de museu do Sr. Jaime para toda a tarde, mas havia a via-crúcis à nossa espera, mas já se sabe que em terras do Barroso e um pouco por todos os Trás-os-Montes, as boas regras da hospitalidade mandam oferecer e beber um copo com as visitas que também teria daquelas coisas boas como bucha se não fosse dia de jejum, que por estas bandas se cumpre com o rigor que a Igreja manda.

 

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Por falar em copos, curiosamente e coisa rara no Barroso, Solveira produziu (não sei se ainda produz) vinho. Com o Larouco ali bem perto, mas goza ainda do tal microclima de que já falámos em Vilar de Perdizes, e daí o vinho e daí também alguns lagares que vimos em algumas adegas em ruínas.

 

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Por falar em Vilar de Perdizes, para quem vai de Chaves para Montalegre, ainda antes de chegar a Vilar de Perdizes a estrada atravessa um rio que “corre ao contrário”. O Rio segundo apurei nas cartas disponíveis, incluindo as militares,  e nas pesquisas que fiz, o rio dá pelo nome de Rio Assureira. Pois este rio que hoje também trago aqui porque também passa ao lado, bem perto, de Solveira além de correr ao contrário na maior parte dos escritos que encontrei, dão-no como sendo natural e a percorrer terras do Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança. Mesmo nos quadros dedicados aos rios, o Rio Assureira é sempre mencionado como sendo de Bragança. Assim ou há dois rios com o mesmo topónimo ou então qualquer coisa está aqui errada, tal como correr ao contrário. Mas esta do correu ao contrário, coisas do relevo, até tem explicação.

 

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Geralmente os nosso rios nascem em Portugal e vão desaguar ao mar ou são afluentes de outros rios e, correm de norte para sul ou de Nascente para Poente. Se nascem em Espanha, acabam por seguir os mesmos caminhos e acabam por entrar em Portugal para seguirem o caminho do mar. Pois este nosso rio, o Rio Assureira, nasce em Portugal na Serra do Larouco, bem próximo da nascente do Rio Cávado. Embora inicialmente, tal como os outros,  tome a direção do mar, dá uma reviravolta para passar a correr em direção da Galiza, servindo mesmo de fronteira entre Portugal e Espanha (Galiza) ao longo de alguns poucos quilómetros (perto de 4km) para logo entrar em Espanha onde acaba por morrer quando se torna afluente de um outro Rio, também nascido no Larouco, o Rio Babul que, próximo de Verin, também é afluente do nosso Rio Tâmega. Curiosa as voltas que as águas dos rios dão, daí não admirar que o nosso Tâmega, em Chaves, em tempo de cheias, se enfureça e engrosse tanto, pois além das águas que o vale do Tâmega recolhe na Galiza, recolhe ainda grande parte das águas do Larouco e do planalto do Alto Barroso.

 

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Mas voltemos a Solveira, que embora hoje muito despovoada se nota ter sido uma grande aldeia, onde se destacam algumas construções, como a Igreja, o tal tanque comunitário, uma curiosa torre sineira utilizada para, noutros tempos, chamar as vezeiras. Segundo informações da aldeia a torre sineira não se encontra no seu sítio original. Há ainda o forno comunitário do povo para turista ver e fotografar, o cruzeiro e tanque/fonte anexa, uma fonte de mergulho com pátio pavimentado e o tradicional casario do barroso, algum ainda com a estrutura em pedra das antigas coberturas de colmo.

 

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Quanto a alguns dados oficiais da aldeia, recolhidos na página oficial da C.M. de Montalegre, na internet, a população presente de Solveira (Censos 2011) é de 150 habitantes, o Orago é Stª Eufénia e é a mais recente freguesia de Montalegre, saída de Vilar de Perdizes. O seu topónimo muito antigo provém do étimo sorbu + aria – sorbaria, planta semelhante ao buxo muito utilizada em obras de marcenaria.

 

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Acrescenta ainda a pág. da internet da C.M. de Montalegre: “o território desta freguesia foi habitado há muitos séculos. Aliás, a toponímia circundante certifica-o. Primeiro o sítio das Antas que nos levam até à pré-história; depois o próprio assentamento da povoação no Outeiro – altarium; depois o castro do Soutelo, a Cidadonha e finalmente Paio Mantela, uns e outros tradicionalmente considerados locais habitados. Solveira ao fazer parte da honra de Vilar de Perdizes estava abrigada a mandar homens à guarda do Castelo da Piconha, pelo menos até ao reinado de D. João I, mas há quem pense que a obrigação durou até à Restauração. Entre 1841 e 1853 pertenceu ao concelho de Ervededo que foi couto criado por D. Afonso Henriques para o seu amigo Arcebispo D. Paio Mendes, em 1132, tal como fizera ao Couto de Dornelas”.

 

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E prontos, tal como se costuma dizer por cá quando a coisa está concluída. Hoje ficam 14 imagens de Solveira, mas com muitas mais em arquivo para numa próxima oportunidade ficarem por aqui mais algumas. Restam os agradecimentos ao Sr. Jaime por nos ter recebido e mostrado o seu museu mas também à simpatia da população com quem fomos falando e um abraço para um seguidor nosso, natural de Solveira e emigrante em França, o Sr. João André que ainda há dias nos pedia Solveira. Pois aqui está, tal como prometemos, a caminho de Montalegre. Depois logo se verá. Para a semana contamos ir até Stº André. Até lá.

 

 

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