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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

02
Mar16

Ocasionais - à Lareira

ocasionais

 

“À lareira”

 

 

Neste Blogue, sentimo-nos (quase) como em nossa casa, com se estivéssemos «à lareira» (nesta data é Inverno), a ganhar murras, a comer uma rodela de linguiça em cima de um naco de pão centeio ou um carolinho de folar com os amigos que frequentam esta casa.

 

A intimidade, entre todos, pode ser a mínima ou até nenhuma. Mas a afeição, ternurenta, apaixonada, ardente, à NOSSA TERRA é comum.

 

E isso me basta para sentir apreço por aqueles que, nesta lareira, falam do Passado, do Presente e do Futuro de CHAVES … e da NORMANDIA TAMEGANA.

 

Com isto quero dizer-vos que o título da notícia que me caiu no «Facebook», “Chaves recebe encontro luso-galaico de escritores”, agradou-me.

 

Depois de lida a «noβidade», continuei agradado.

 

Porém, senti que algo lhe estava a faltar.

 

Foi assim como que um estremecer de estranheza!

 

GIL dos SANTOS e ANTÓNIO ROQUE não contaram na Lista de convidados para a escrita de um Conto sobre “CHAVES”.

 

A singeleza das palavras de um e a elegância das palavras de outro não dão garantias de reverência à douta comissão de intelectuais presidida pela plumado presidente de câmara!

 

GIL dos SANTOS e ANTÓNIO ROQUE conhecem a «CIDADE» e as pessoas Flavienses como poucos.

 

Felizmente que não é preciso o convite do «pavão de Castelões» a entrar no seu «galinheiro» para que as “portas da Cidade” fiquem abertas à imaginação e à verdade (direis vós, à ficção e à realidade) destes dois afeiçoados Flavienses.

 

Não que os convidados exibidos não possuam qualidades de escrita a merecerem tal convite.

 

Nem por sombras, nem com um sopro ou um «moxête» pretendo beliscá-los!

 

Sejam bem-vindos!

 

O merecido prestígio de que gozam é garantia de uma consoladora presença na CIDADE e de uma agradável leitura da «história» que vão contar.

 

E, mesmo se alguma discordância (que não há) pudesse haver, ela estaria bem disfarçada com a presença de João Madureira.

 

Mas, como estamos, dentro de portas, «à lareira», na casa de um Flaviense dos mais autênticos e nobres, tenho de o dizer (e escrever).

 

Claro que nada está perdido: por aqui, neste Blogue, e «à lareira», vamos tendo sempre à mão e ao paladar os CONTOS do “Gil do Carregal”, do “Roque do Olival”, do “Luís …das Boticas”, do Fernando, e de muitos outros que nos regalam a vida com histórias da NOSSA TERRA!

 

Com vossa licença, vou meter o dente num «pastelzinho» de CHAVES (pastelzinho porque congelado)!

 

Com saudades

 

M., 27 de Fevereiro de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

02
Mar16

Chá de Urze com Flores de Torga - 120

1600-torga

 

Chaves, 3 de Setembro de 1993

 

Hoje foi a minha vez de atravessar a fronteira sem cancelas de nenhuma ordem. Nem fiscais alfandegários, nem polícia a carimbar o passaporte. Apenas um painel de doze estrelas a mandar seguir. Mas nem por isso andei por Espanha dentro de coração solto. Confrontado com a realidade do poder crescente que por toda a parte nela verifiquei, a minha velha suspicácia de ibérico livre veio à tona agravada. A arrogância e o desprezo, que lia na cara de cada interlocutor, causava-me ainda mais engulhos do que no passado. A tese de Franco na escola militar foi a ocupação desta faixa ocidental em poucas horas. E a da generalidade dos demais espanhóis, mesmo civis, é indisfarçadamente a mesma. No rótulo de uma caixa de melões que me mostraram há dias, vinha escrito: «Origem – Espanha. Região – Portugal.» Para todos os nosso vizinhos, somos independentes, sim, mas provisoriamente, enquanto os iluminados governantes que temos não acabem de abrir mão dos nossos últimos trunfos nacionais, e um outro Filipe II nos integre submissos no grande redil peninsular , desta vez sem necessidade de herdar, de comprar e de conquistar o rectângulo rebelde. Recebe-o gratuitamente de bandeja.

Miguel Torga, in Diário XVI

 

1600-fronteira (43)

1600-fronteira (44)

 

Após este registo no diário XV, Miguel Torga apenas fez mais vinte e oito registos no seu diário, todos escritos em Coimbra, terra que o Poeta escolheu para viver grande parte da sua vida, sendo o último registo datado de 10 de dezembro de 1993, intitulado Requiem Por Mim. São as últimas palavras publicadas de Miguel Torga que viria a falecer pouco mais de um ano depois em Coimbra a 17 de janeiro de 1995.

 

Coimbra, 10 de Dezembro de 1993

 

REQUIEM POR MIM

 

Aproxima-se o fim.

E tenho pena acabar assim,

Em vez de natureza consumada,

Ruína humana.

Inválido do corpo

E tolhido da alma.

Morto em todos os órgão e sentidos,

Longo foi o caminho e desmedidos

Os sonhos que nele tive.

Mas ninguém vive

Contra as leis do destino.

E o destino não quis

Que eu me cumprisse como porfiei,

E caísse de pé, num desafio.

Rio feliz a ir de encontro ao mar

Desaguar,

E, em largo oceano, eternizar

O seu esplendor torrencial de rio.

 

 Miguel Torga, in Diário XVI

 

Miguel Torga, pseudónimo do médico Adolfo Correia da Rocha, nasceu em S.Martinho de Anta em 12 de agosto de 1907 e faleceu em Coimbra, com 88 anos, no dia 17 de janeiro de 1995.

 

De acordo com o desejo do poeta, repousa em campa rasa no cemitério de S.Martinho de Anta, com uma torga plantada a seu lado.

 

1600-s-martinho-danta (35)

 

Terminadas que estão as referências à cidade de Chaves na obra de Miguel Torga, esta crónica “Chá de Urze com Flores de Torga” bem poderia terminar aqui, e com ela terminar uma pequena e merecida homenagem, como flaviense grato por Miguel Torga nos visitar e registar na sua obra e no seu diário ao longo de 38 anos (1955 a 1993), com mais de uma centena de textos (119). Poderia terminar aqui, mas não vai terminar ainda. Vai continuar por mais uns tempos, talvez não com a regularidade que teve até aqui, mas vai continuar com os diários e algumas referências de proximidade (em falta), que Miguel Torga também escreveu em Chaves, ou durante o período em que se hospedava em Chaves, mais concretamente textos sobre o Barroso aqui tão perto e de Verin e outras terras galegas próximas, assumindo-se assim toda uma região que já é habitué aqui no blog e Verin, que pomposamente faz parte dessa tal eurocidade Chaves-Verin.

 

 

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