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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Mar16

Aveleda - Chaves - Portugal

1600-aveleda (96)

 

Desde que tenho lembranças sempre gostei mais de ouvir e observar do que ser observado e escutado. Ainda hoje assim é, mas se durante muitos anos ouvir e observar era suficiente, com o tempo dei-me conta que não é suficiente, pois o que ouvia e observava em catraio, aquilo que mais despertava os meus interesses de então, não são os mesmos de hoje, ou de há 10 ou 20 anos atrás. Assim, com o tempo fui-me dando conta que era necessário algo mais, um registo que vá além daquilo que ficou registado apenas na memória que, quando solicitada, continua a dar-nos o registo daquilo que registámos com a idade de então. Com isto quero dizer que é frequente a memória atraiçoar-nos e fazer, por exemplo, grandes, coisas que são pequenas, e esquecer grandes coisas que não altura do registo para nós não tinham qualquer importância. Daí a fotografia surgir também na minha vida como um auxiliar da memória que faz registos fiéis e duradoiros no tempo. Tudo isto surge para vos justificar a primeira foto de hoje, de há 10 anos atrás, uma imagem que há 30 e tal anos quando passei na aldeia da Aveleda pela primeira vez, se a vi, não me ficou registada na memória e que hoje, é uma de difícil acesso.

 

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Uma descoberta leva-nos sempre a outras descobertas. Se para quem passa apenas na estrada sem a visão da primeira imagem a Aveleda não se apresenta particularmente interessante, a imagem do seu acomodar entre montanhas convida-nos à descoberta da sua intimidade. E foi assim que pelas primeiras vezes fui entrando na aldeia – convidado pelo que via lá do alto.

 

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Mas muitas das vezes aquilo que se vê ao longe, não é bem aquilo que a nossa imaginação desenha. O pormenor não é lá muito amigo das distâncias e se algumas vezes ficámos desiludidos com o pormenor, outras o pormenor continua a surpreender-nos. Mas tudo isto, insisto, surpreende ou não conforme a idade que temos e os nossos interesses atuais, e a Aveleda desde que a descobri e registo na sua intimidade em fotografia, surpreende-me agradavelmente por ser uma aldeia diferente da maioria das nossas aldeias do concelho, tudo por ser uma das poucas aldeias do xisto que temos por cá. Por outro lado há a desilusão, esta generalizada a todo o concelho, a desilusão do despovoamento, do envelhecimento da população e do abandono das casas, às vezes já a desilusão da ruína. E lamento, não imaginam como lamento, de não ter registos fotográficos de há trinta e tal anos atrás, quando fui por lá das primeiras vezes. Registos da vida de então, de, sempre, muita gente na rua, crianças e animais. Sei que trinta anos para a história (das palavras) é uma insignificância, mas para as da imagem, fazem toda a diferença.

 

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Mas como com lamentos não chegamos a lado nenhum, resta-me o consolo de pelo menos de há 10 anos para cá ir fazendo os meus registo fotográficos, às vezes, aparentemente, disparatados e sem qualquer importância, mas que daqui a 30, 50 ou 100 anos, irão fazer toda a diferença e ser um documento precioso para se poder fazer alguma história não manipulada, porque na imagem (fotografia) está lá tudo, ou quase, pois faltam-lhe os sons e os cheiros ou aromas.

 

 

 

12
Mar16

Pedra de Toque - Não Tardará, meu amor...

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NÃO TARDARÁ, MEU AMOR…

 

 

Dormi contigo tantas vezes, sem tu saberes.

Abracei-te muitas noites e tu não estavas.

 

Não foi um atrevimento.

Foi um impulso incontrolável e encantatório.

Não pensem que não a conheço, porque eu conheço-a.

 

Um dia distante vi-a numa sala de aula.

Adivinhei a sua pele acetinada nas rosáceas do seu rosto.

Senti-a num bailarico quando as nossas faces irremediavelmente se colaram.

Dedilhei-lhe as costas, enquanto o bolero soava e nos meus dedos ficavam os seus tremores.

O veludo da pele dela, bem como o aperto forte da mão que correspondera ao meu, permaneceram para sempre.

As primeiras horas foram uma girândola de sensações que a memória gostosamente ainda retém.

Da sua boca rubra demolhada só consegui um brevíssimo toque de lábios que não saciou meu desejo.

 

Durante tempos, demasiado longos, desapareceste.

Soube-te nas voltas da vida, algumas que deixaram feridas.

Sei que renasceste quando nossos olhos se cruzaram nas esquinas do tempo.

A brisa por vezes arrefece-me o rosto quando vagueio no meu rio contigo por dentro.

À sombra que os meus passos projetam, juntam-se os teus que o destino por vezes coloca a meu lado.

 

Como o coração tem asas, não tardará o dia, meu amor, que no topo da nossa montanha verdejante, o meu coração abraçará o teu.

 

Não tardará o dia, meu amor.

 

António Roque

 

 

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