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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

17
Mar16

O Factor Humano - Levantados do Chão

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Levantados do chão

 

Quando em 1986 entramos para a então CEE (Comunidade Económica Europeia), prometeram-nos o céu.

Logo a seguir baixou o preço da batata. Todos terão ficado contentes… menos os produtores de batata (e na nossa região havia muitos).

 

Mais tarde baixou o preço do leite. Nessa altura os produtores de leite juntaram-se na sua apreensão, aos produtores de batata. Mas ainda houve muitos que esfregaram as mãos.

 

Depois foi a carne e seguiram-se em catadupa o peixe, o vinho, os minérios, os produtos industriais.

 

Fomos pagos para arrancar vinha e olival e alguns esfregaram as mãos. Havia com ingenuidade, a ilusão que estávamos a “enganar a Europa”.

 

Passámos a ser um país onde predominavam os serviços. O interior foi-se despovoando e começaram a desaparecer os transportes públicos.

 

Muitos não se aperceberam da armadilha. Não se aperceberam que um país que não produz, perde a autonomia, a independência, a dignidade. Que de mão dada vem o desemprego, o endividamento, a emigração. E a seguir a baixa da natalidade e o envelhecimento da população.

 

Empurraram-nos para um beco sem saída. Os de lá de fora (Bruxelas) e os de cá de dentro (Governos nacionais).

 

Depois veio “ a cereja em cima do bolo” e meteram-nos no Euro. Nem todos podiam, mas nós estávamos no pelotão da frente!

 

Perdemos a autonomia de decidir sobre o valor da nossa moeda. Esse era um dos instrumentos essenciais, para estimular as exportações e a produção nacional, fortalecendo a economia e o país.

 

A seguir enganaram-nos com a ilusão de que ao termos acesso a crédito aparentemente barato, estávamos mais ricos. Não adiantou que os sindicatos alertassem para que era mais importante aumentar os salários do que facilitar o acesso ao crédito.

 

Em 2008 estalou a crise, as vigarices do sistema financeira atingiram um nível insustentável e o colapso passou dos bancos para a economia e para as pessoas.

 

Depois fomos chamados, com os nossos impostos, o nosso desemprego, a nossa emigração, para resgatar a banca e voltar a permitir os seus lucros obscenos.

 

Ficou-nos uma região deprimida, pobre, despovoada, sem perspectiva de futuro.

 

E ainda temos de ouvir reprimendas, dedos que nos apontam acusatórios, dos Senhores da Europa e dos seus lacaios em Portugal.

 

Temos de suportar ainda a arrogância de banqueiros, tantos deles, tão vigaristas.

 

Um dia Saramago escreveu o seu romance primordial, para mim o mais bonito: “Levantados do Chão”.

 

É esse o nosso caminho: levantarmo-nos do chão e com os pés assentes na nossa terra, mostrar que somos capazes.

 

Manuel Cunha (Pité)

 

 

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