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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

02
Abr16

Imagens de Bobadela a pretexto de umas palavras…

1600-bobadela (163)

 

De tão habituados que estamos a conviver com as nossas aldeias e com a nossa interioridade,  vamo-nos, pacifica e acomodadamente, conformando com a nossa realidade. Protestamos sem protestar,  e ousadamente,  às vezes, até reivindicamos sem reivindicar.

 

1600-bobadela (161)

 

Eça, nos Maias, já nos alertava para a nossa realidade “Lisboa é Portugal (…) Fora de Lisboa não há nada. O país está todo entre a Arcada e S.Bento!”. Depois Torga, incansavelmente, percorreu todo este Portugal, deixando-o e descrevendo-o em pedaços nos seus diários e é precisamente no Portugal mais profundo, no Barroso e aqui por Chaves que o poeta melhor descreve a realidade – “Que povo este! Fazem-lhe tudo, tiram-lhe tudo, negam-lhe tudo, e continua a ajoelhar-se quando passa a procissão.”

 

1600-bobadela (19)

 

E já que estamos em maré de citar a gente grande das letras, citemos também Rosalia de Castro,  com o grito dos nossos irmãos do Norte:

 

“Este parte, aquele parte/e todos, todos se vão./Galiza ficas sem homens/que possam cortar teu pão.//Tens em troca órfãos e órfãs/Tens/campos de solidão./Tens mães que não têm filhos/Filhos que não têm pai.//Coração que tens e sofre/Longas ausências mortais./Viúvas de vivos mortos/Que ninguém consolará./Este parte, aquele parte/E todos, todos se vão./Galiza ficas sem homens/Que possam cortar teu pão.”

 

1600-bobadela (158)

 

Curiosamente as citações e palavras que hoje vos deixam são todas do passado dum presente que estamos a viver. A coisa, aqui,  está mesmo preta, o que me faz, e na mesma onda para terminar, fazer minhas (como se fossem nossas) as palavras de Francis Hime, cantadas por Chico Buarque, em “Meu caro amigo”:

“Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão



Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão



Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

 

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra ’tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus”

 

 

 

02
Abr16

Pedra de Toque - Parti de mim...

pedra de toque.jpg

 

                    PARTI DE MIM…

 

                        Parti de mim,

                        Não sei para onde.

 

                        Dantes procurava sempre

                        A sua gruta,

                        No sopé da montanha verde.

 

                        Agora,

                        Agora vagueio

                        Por ruas e avenidas,

                        Cruzando homens e mulheres,

                        Virado para mim.

 

                        A vida começa

                        A perder o sorriso.

 

                        No mundo campeia,

                        A tragédia inconsequente.

 

                        As horas, os dias

                        Sucedem-se alucinantes.

 

                        Eu, vou caminhando,

                        Em busca de um pouco de sonho,

                        De um cheiro de música,

                        Que não me façam pensar.

 

                        Só suavizo

                        Quando me sobe

                        O travo da tua saliva inebriante

                        Retido para sempre,

                        Nas entranhas da minha boca.

 

       António Roque

 

 

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