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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

07
Abr16

Exposição de Fotografia

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Inaugura hoje, dia 7 de abril, às 18 horas, na Adega do Faustino em Chaves, mais uma exposição de fotografia da Associação Lumbudus.

 

“Domingo Corredoiro” é o título desta coletiva de fotografia em que participam três fotógrafos Lumbudus portugueses (António Souza e Silva,  Fábio Cunha e Paula Dias) e três fotógrafos espanhóis (Pablo Serrano, Sergio Crespo  e Xosé Fernández Serrano) onde está representado o olhar destes fotógrafos do dia em que se inicia o Entroido de Verín, na Galiza.

 

"O Domingo Corredoiro”  é o primeiro dia do Entroido de Verín em que os Cigarróns saem a correr pelas ruas com o chicote na mão em perseguição dos vizinhos. É por isso que se chama “corredoiro”, porque os vizinhos correm tratando de escapar dos Cigarróns. A saída da Igreja, numa mistura pagã e religiosa, os Cigarróns aguardam pelos devotos para lhe anunciar a chegada do Carnaval.



Vestir o traje de Cigarrón para além de implicar carregar com o peso dos sete quilos de fios e os cinco quilos das “chocas”, implica também vestir o peso da história, por isso, o traje de Cigarrón, é carregado com orgulho, emoção e quase devoção.

 

 

 

07
Abr16

Discursos (emigrantes) Sobre a Cidade

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De coração aberto

 

Como todas as manhãs, ela esperava o comboio para ir trabalhar e seguir a rotina habitual. No final do trajecto, iria sentar-se oito horas em frente a um computador, teclando as mesmas palavras de sempre.

 

Mal começou a enrolar um cigarro, aproximou-se uma senhora. Pediu-lhe um. Não era pobre, nem triste. Não tinha cigarros porque estava a tentar deixar de fumar. Contudo, permitia-se um cigarro por dia para “não ser tão radical”. Estava doente, e tinha mesmo de deixar de fumar.

 

Ela olhou para a sua bolsa de tabaco. Tinha pouco, talvez só desse mesmo para dois. Na primeira reacção, disse à senhora que já não tinha mais tabaco. A senhora agradeceu e afastou-se.

 

Depois de enrolar o seu cigarro, começou instintivamente a enrolar outro. Também ela já tinha estado na delicada situação de tentar deixar de fumar. Usara a mesma táctica: nunca tinha tabaco na bolsa, mas de vez em quando não resistia em pedir um. Também ela já tinha sentido o mesmo que aquela senhora.

 

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 Monastério Budista, Parc del Garraf, Barcelona, Fevereiro 2016 - Fotografia de Sandra Pereira

 

Ao dar-lhe o cigarro, o rosto da senhora abriu-se e sorriu. Num desabafo, começou a contar a sua história. Falou do esforço mental diário que fazia para deixar de fumar. Era uma luta que travava há anos. Ela ouviu os sentimentos da senhora de coração aberto. Entretanto o comboio chegou e ela ganhou uma companhia inesperada para o resto da viagem.

 

Pouco depois, a senhora perguntou para que trabalho se dirigia. Ela explicou o que fazia com uma cara triste. Não gostava do que fazia. A senhora sorriu. “Eu já fiz o mesmo trabalho e saí. Não aguentei”. O rosto dela iluminou-se. “O que faz a senhora agora?”.

 

A senhora explicou como tinha mudado de trabalho para outro que a libertava e a satisfazia bem mais. Depois, com algumas perguntas pelo meio para perceber o seu perfil, deu-lhe várias alternativas para também ela mudar de trabalho, com sites e locais específicos onde começar a procurar a mudança. No final da viagem, a senhora despediu-se com um sorriso. Ela nem queria acreditar no que acabava de acontecer: a vida enviara-lhe um sinal. Essa foi a “paga” por abrir o coração.

 

O que aconteceria se todos abrissemos o coração aos outros? Viveríamos num mundo melhor? Nas grandes cidades, na velocidade da passagem dos dias, é fácil esquecer que abrir o coração é uma questão de sobrevivência para uma vida mais humana. Nas terras mais pequenas, na lentidão da passagem dos dias, é fácil recordar que abrir o coração faz parte do nosso quotidiano mais humano. Não esqueçamos, recordamos.

 

Sandra Pereira

 

 

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