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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

17
Abr16

Os domingos de Vidago

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Nós por cá sabemos que junto às águas de Vidago também nascem as de Salus e as de Campilho. Talvez as de Vidago, das três,  sejam as mais conhecidas e mais comercializadas, pelos menos até finais do século passado assim foi. Águas que eram servidas à mesa para beber mas que, dadas as suas características, também serviam, aliás servem,  como águas termais.

 

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Junto às fontes de Vidago foi construído o Palace Hotel, hoje Vidago Palace, inaugurado no ano de 1910, Oito anos depois, junto às fontes de Salus foi inaugurado o Hotel Salus, menos imponente que o Palace Hotel, mas igualmente imponente para a época e igualmente interessante e ambos hotéis termais.

 

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O Hotel Salus dispunha de 100 quartos luxuosamente mobilados, com luz elétrica, água canalizada, casa de duches, cabines para banhos de imersão alcalinos, carbonosos e para banhos higiénicos, tendo ainda uma sala de massagens manuais e vibratórias. Um luxo para a época, pois estávamos em 1918.

 

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Em 1930 o Hotel Salus adota o nome de Hotel Golfe. A primeira foto é de um postal antigo do Hotel Golfe que circulou nos anos 40 do século passado, ainda sem o arvoredo atual que o envolve e esconde o que dele resta após o incêndio de 19 de março de 1967.

 

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Abandonado desde 1967, não deixa contudo indiferente quem passa por ele, pois ainda hoje atrai olhares e principalmente as objetivas, dando sempre imagens interessantes, além de se poder admirar ainda a sua beleza e imponência. Quanto à fotos de hoje, a primeira é de um postal que circulou nos anos 40 do Séc. passado, as restantes são de 2008 (as fachadas principal e posterior) e de 2009 as do interior. Deixo as datas porque hoje em dia o Hotel está vedado e já não temos livre acesso a ele, contudo, ao longo destes últimos anos consegui mais de trezentas fotografias do hotel e da sua envolvência, pelo que o teremos por aqui mais vezes, com novos motivos para memória futura.  

 

 

17
Abr16

Pecados e Picardias

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Ladrões omissos

 

Então vai daí ele punha-se em cima de mim como fazia “chempre” e zuca zuca zuca, aquilo foi “xempre axim” a bem dezer eu nem conheci oitra forma, foi assim que fiquei sempre prenha, fez de mim sempre uma desgraçada, agora sabe? Deus o tenha lá muito tempo sem mim, esse ladrão tirou-me tudo, tirou-me o viver, tirou-me a alegria, munta pancadinha lobei e acha calgum home me defendeu naaaaaaa, não acredite nos homes eles querem-se é uns aos oitros, ladrões do nosso sossego…olhe eu não aconselho ninguém a casar-se, pra quê, pro zuca zuca aquilo é um instante e pode ser num sitio calquera…Oh, não passa de uma ilusão, olhe eu aproveitava sempre pra rezar num tinha oitro “tampo”…Aquele ladrão.

 

Sabe sra. Enfermeira  sempre fui muito maltratada tive oito filhos trabalhei como uma negra e levei muita porradinha sem saber porquê, hoje estou sozinha…

 

Fazia de mim gato sapato, andava cumas e com oitras…

 

Esta casa sempre teve quem só quisesse colher, plantar?... Está queto… Trabalhar o trabalho duro de alombar com os pesos, correr a buscar a buscar o que faz falta, saber onde estão os aparelhos , conhecer os cantos à casa salvaguardar as 24h esses são o sexo fraco(que afinal são o sexo forte pois a maioria são mulheres) os que menos ganham , os que mais produzem, mas ainda há quem mesmo assim se deixe humilhar por esses ladrões… E tudo isto à vista de todos e pior dos que mandam e fazem de conta que não veem basicamente porque são cobardes ou têm medo de perder o penacho.

 

Sabe minha senhora gosto muito de ir à clipóvoa sou muito bem tratado e muito bem recebido, aquilo é que são pessoas até nos ajudam a tirar as senhas, e já viu, no hospital pago quase oito ouros pela consulta porque eu tenho ADSE e aqui 4 ouros, e os médicos são tão agradáveis e camineta de graça, infelizmente, olhe dizem que este hospital aqui às vezes é pior que um matadouro e já viu pra ter consulta aqui tinha de esperar dois anos e meio ,  bem morria, naaa, aqui não me apanham mais, atão não soube que nem tinham linhas nem anestesistas pra operar os doentes? Eu também acho isto cá para mim e dos meus botões que a camara também tem culpa não faz nada, é tudo pra vila real, aquilo é só compadrios, importam-se lá da gente.

 

Isabel Seixas

17
Abr16

O Barroso aqui tão perto... Gralhas

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Tal como prometido, hoje no Barroso aqui tão perto, vamos até à aldeia de Gralhas, localizada nas faldas do Larouco, a 25 Km da cidade de Chaves e a 9 Km de Montalegre. É uma das aldeias que fica no nosso itinerário (ao lado) até Montalegre.

 

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Vamos deixar por aqui algumas breves impressões pessoais sobre aquilo que vimos e a mais não nos aventuramos, pois quando há entidades a falar de Gralhas, que a conhece e descreve tão bem, temos que respeitá-la, e tudo que nós acrescentássemos seria para prejudicar a nossa reportagem, e não é essa a nossa intenção, mas antes contribuir para a divulgação daquilo que de melhor temos em Trás-os-Montes, neste caso no Alto-Barroso e nas suas aldeias.

 

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Assim, a maior parte do que hoje vamos deixar por aqui é do blog Aldeia de Gralhas (http://aldeiadegralhas.blogspot.pt) de autoria de Domingos Chaves. Tentaremos ser corretos com os créditos, citações, mas se alguma coisa escapar, ficam desde já as nossas desculpas, mas penso que tal não irá acontecer.

 

Pois vamos lá a Gralhas.  Tal como disse atrás a aldeia fica no nosso itinerário entre Chaves e Montalegre, ou quase, pois é preciso sair da estrada principal para entrarmos na aldeia que, no entanto, se avista perfeitamente desde ela,  de onde até se tomam interessantes imagens (vista geral) sobre a aldeia. 

 

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Também desde a croa da Serra do Larouco, se virarmos olhares para nascente, temos logo ali Gralhas aos nossos pés.

 

A primeira vez que entrámos na aldeia para recolha de fotografias foi há dois anos, mais precisamente no dia 3 de fevereiro de 2014 a meio da tarde, quando sobre a aldeia caía mais uma nevada, e ainda sem pensarmos em trazer aqui as aldeias do Barroso com regularidade. Daí limitarmo-nos a recolha de apenas meia dúzia de fotos, além de, a intensidade com que a neve caía não permitir mais.

 

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Na nossa última passagem por lá, dia 9 de abril passado, aí sim, a intenção já era a de recolher fotografias para trazer aqui Gralhas. Pensávamos fazer essa recolha ainda no período da manhã, mas não, só nos foi possível à tarde, pois pela manhã “perdemo-nos” em salutares conversas e muitas imagens em Pedrário, Sarraquinhos e Cepeda. Quando ia-mos para tomar rumo a Gralhas, já o almoço nos esperava em Padornelos, e com a barriguinha já a dar horas, depressa deixámos Gralhas para o período da tarde. Perdeu um pouco a fotografia com a luz da tarde a, quase sempre, ser ingrata para connosco.

 

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Mas passemos então a Gralhas, com extratos do livro “Gralhas – Minha Terra, Minha Gente” de  autoria de Domingos Chaves,  retirados do seu Blog “ Aldeia de Gralhas”, começando pela localização e estrutura social da aldeia:

 

“Terra de montanha, muito gado caprino e ovino e de gente dura, a aldeia de GRALHAS, está situada no norte de Portugal, na base sul da Serra do Larouco e ocupa uma área calculada em cerca de 1082 hectares.

 

Dista 9 Kms da vila de Montalegre, sede do concelho, 5 Kms da fronteira com a Galiza e 25 Kms da cidade de Chaves. O seu povoamento é concentrado.

 

A aldeia encontra-se rodeada de nabais, hortas e lameiros de rega. Neste perímetro, é propriedade exclusivamente privada. Depois segue-se-lhe todo um conjunto de terrenos, também privados, mas misturados com outros de domínio público. Esses terrenos, são chamados de duas folhas (a de baixo e a de cima), uma de batata, outra de centeio, com cultivo alternado."

 

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"Antes da intensificação da cultura da batata, uma das folhas, ficava em grande parte, de poulo (pousio). Quase todos os terrenos, envolventes deste segundo perímetro, são de pastoreio colectivo até às sementeiras e posteriores colheitas. Os lameiros são propriedade privada, excepto as «lamas do povo» ou do «boi», como também são conhecidas e que outrora se destinaram à pastagem dos bois do povo.

 

O monte (baldios) é de pastoreio livre, quer para gado de particulares, quer para os rebanhos comunitários. A povoação, apresenta um modelo consistente, depurado ao longo dos séculos, através de uma economia de subsistência, onde entroncam admiravelmente o privado e o colectivo. Cultiva-se pouco de cada coisa e hoje praticamente, em função das necessidades do agregado familiar.  A terra, não é apenas a propriedade, é mais a extensão vital da corrente sanguínea. Nos dias que correm, a vida da aldeia não é o quadro de felicidade, que ocorre e pode ser apreciado em certas épocas. Ao lado da altura, que alguns chegam a ostentar, moram ainda muitas dificuldades, quantas vezes encapotadas, designadamente, durante o rigoroso inverno, quando o trabalho escasseia. A partir dos anos sessenta, muitos jovens descontentes e ambiciosos, largaram tudo, e meteram os pés a caminho, deslocando-se para as grandes cidades do litoral e mais tarde em muito maior número, para outros países da Europa, designadamente para França. Quatro décadas depois, muitos regressaram e continuaram com a mesma vida. Envelhecidos pelo tempo e pela vida, atravessam ainda hoje a aldeia, atrás das suas vacas, revivendo o passado.

 

A estrutura social, o papel da propriedade da terra, as casas, as ruas, as fachadas, o modo de vida, o sistema de entreajuda, a noção de tempo, os ritmos da vida, os mitos e os ritos, tudo parece pertencer já a um paraíso perdido. “

 

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Pegando nas palavras do último parágrafo, por muito cruéis que possam ser para o nosso gosto, descrevem bem a realidade que nós pudemos observar e sentir. Mas Gralhas não é caso único, é mais uma das vítimas dos tempos atuais, do despovoamento rural natural ou forçado,  graças ao abandono por parte daqueles que com formação não encontram na aldeia um modo de vida ou dos outros a quem a aldeia já não oferece condições para aí poder garantir meios de vida com as exigências atuais. Curiosamente as aldeias que mais sofrem com o despovoamento são aquelas que mais desenvolvidas estavam há 50 anos atrás.

 

Mas continuemos com as palavras do livro “Gralhas – Minha Terra, Minha Gente” :

 

“Historiar com precisão, aquilo que se pretende é muito complicado, e a história de Gralhas não foge à regra. 

Existem todavia, documentos que falam de diversas regiões de Barroso, designadamente desde a época da ocupação romana. Em meados do século VI, durante o domínio dos Suevos, um dos concílios de Lugo, fala de Salto, uma freguesia do concelho de Montalegre, ao qual Gralhas pertence. Seis séculos mais tarde, um manuscrito de 1145, dá notícia da existência do Arcediagado de Barroso. Por volta de 1147, um documento existente no Arquivo Provincial de Orense (Galiza), fala da fundação do Mosteiro de Santa Maria das Júnias, próximo de Pitões, outra aldeia, que integra o mesmo município. Em 1208, uma Bula do Papa Inocêncio III, refere-se a Vilar de Perdizes e ao Couto de Dornelas. Pela mesma data, Tourém recebeu foral do rei D. Sancho I."

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"De 1248, existem dois documentos, referentes ao Mosteiro de Pitões e ao Couto de Vilaça. As Inquirições de 1258, falam de novo em Salto. A partir do século XIII, a documentação é mais abundante. Mas sobre Gralhas, para além de alguma informação dispersa e na maioria dos casos, proveniente da Galiza (Aula Galicia), o primeiro diploma legal que se conhece, é o foral concedido, pelo rei D. Dinis, em 20-09-1310, ano de epidemias e muita fome na região, através do qual se ordenava a partilha das terras, o seu cultivo, o pagamento do dízimo a Deus e a proibição de atentar na parte ou no todo contra os usos e costumes da povoação.

 

Assim, com base na documentação disponível, em achados diversos, nas tradições, nos costumes locais e nos testemunhos dos mais antigos, procurarei na medida do possível, responder à pergunta: Como nasceu Gralhas!..."

 

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Sobre o enquadramento histórico-natural, o livro “Gralhas – Minha Terra, Minha Gente” refere:

 

“Não se conhece de fonte segura, a origem do nome que fez jus à terra. Não se conhecem igualmente, registos que retratem de forma fidedigna a sua origem. O que se sabe isso sim, é que o termo GRALHAS, deriva do latim -gracula-, ave conirrostra da família dos corvos, que abundou na zona onde hoje se situa a aldeia.


Segundo relatos de alguns estudiosos, as comunidades que viviam próximo do aglomerado, que é hoje, toda a área circundante da freguesia de GRALHAS, perdem-se na bruma dos tempos. Essas comunidades, parecem ter habitado, desde os longínquos tempos da pré-história, em zonas, como Soutelo (ou «Crasto» como ainda hoje é conhecido) e Ciada, pouco se sabendo dos seus primitivos habitantes, da sua cultura, dos seus hábitos, das suas actividades de caçadores e pastores, designadamente durante os períodos leptolítico e mesolítico."

 

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"Há cerca de 3 000 anos, a cultura castreja, representada supostamente pelos Equésios, teve nessas regiões, larga difusão e grande prosperidade, supondo-se que como consequência de uma epidemia que terá grassado nos ditos CASTROS DE SOUTELO e da CIADA, o primeiro situado a nascente do lameiro do Artur Roscas e a poente do Rio das Forcadas, que ainda hoje apresenta vestígios de uma muralha de terra e pedra miúda, e de um fosso do lado nascente do mesmo rio, e o segundo na encosta a caminho de Solveira, pela estrada velha, numa zona próxima do actual campo da bola, as respectivas populações, se tenham deslocado para zonas, que apelidaram de Cima de Villa, muito próxima da actual Calhelha do Lameiro e Bárrio, algures da Santa, as quais muito mais tarde e por influência da civilização romana, se viriam a unificar e dar origem à actual aldeia de GRALHAS.

 

Por aqui passaram e deixaram igualmente marcas, diversas civilizações, entre as quais, a Ibero-Céltica - cujos vestígios nos são transmitidos, pelas suas preocupações com o que haverá para além da morte, e se traduziram na edificação de monumentos funerários, existentes na região - e a Romana, sendo aqui de salientar, a via romana Braga-Chaves, que há cerca de 2 000 anos, passava pela Ciada/Caladuno, o que prova inequivocamente, que os romanos, chegaram a esta zona, passaram e deixaram rasto." 

 

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E vamos caminhando para o fim deste post, não porque não haja matéria para deixar aqui, toda ela da mesma fonte com a tal origem no blog “Aldeia de Gralhas” e do livro “Gralhas – Minha Terra, Minha Gente”, mas porque para post de blog já começa a tornar-se longo, e depois, para quem quiser saber mais sobre a aldeia nem há como visitar o blog ou blogues de Domingos Chaves, o que recomendo. Mas ainda antes de terminar ficam mais um pouco sobre o que o livro diz sobre o casario, a fauna e a flora da aldeia. No blog “Aldeia de Gralhas” tem ainda muito mais sobre a história mais antiga da aldeia, sobre os usos e costumes, o clima, a organização social e comunitarismo, património cultural, etc, Tudo ilustrado com fotografias antigas e recentes. Vá por lá que não se arrepende. Mas vamos então ao casario, fauna e flora de gralhas, mais uma vez citando o livro “Gralhas – Minha Terra, Minha Gente”:

 

"As casas

“Até há cerca de 40/50 anos atrás, regra geral, as casas dos lavradores estavam perfeitamente adaptadas às actividades agrícolas e pastoris.

 

Sobre o mesmo tecto, abrigavam-se muitas vezes, animais e os produtos que a terra dava. O rés-do-chão era reservado para a loija (adega), cortes dos porcos, tudo paredes meias com a corte da rês (ovelhas) e côrtes do gado. Os estábulos davam normalmente para um pátio, e se o recinto fosse adequado, podia até servir de eira, com o palheiro a fechar o círculo.

 

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Noutros casos porém, a eira, o palheiro e as cortes de gado eram um conjunto independente e até distante da casa de habitação. A escada exterior em pedra levava à cozinha e a varanda corria toda a fachada, dando acesso ao sobrado de limpo e compartimentos para dormir.A par das casas dos lavradores existiam ainda e em determinadas situações, as casas dos cabaneiros (pessoas de poucas posses), estas muito mais modestas e apertadas, mas não raramente com mais família para abrigar.

 

Nas casas, cabiam o lar, onde durante os meses frios era acesa a lareira, e à sua volta via-se normalmente, um escano, uma masseira, as camas, uma pequena mesa, uma toucinheira pendurada da trave, uma caixa de madeira de carvalho e vários molhos de lenha ao lado, que uma dúzia de galinhas usava como capoeira.

 

A cobertura de colmo ajudava a conservar o calor noite dentro, o que era fundamental particularmente em noites de frio e neve.

 

A Fauna

 

“Quando se fala em fauna, tem obrigatoriamente de se falar da Serra do Larouco, dos montes e vales que a circundam e da própria Serra da Lagoa, situada na vertente sul da aldeia.
Na realidade, devido ao relativo isolamento de parte importante da sua superfície, sabe-se hoje, que por aí se mantiveram até muito mais tarde ou ainda persistem, algumas das espécies que mais nos atraem, como é o caso da águia-real, do lobo e até de alguns corços. Sabe-se também, que a cabra-brava, passou por aqui. A última referência referente à mesma, data de 1892, época em que frequentava, a vasta zona para além do Picoto (Marco Geodésico) ao longo da raia com a Galiza.

 

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Porém, o já referido isolamento, que caracteriza toda a zona serrana e a protecção acrescida que deriva da própria natureza do terreno, permitiu a permanência de toda uma variedade de animais, com especial referência para as aves, destacando-se por estas paragens, para além da águia-real, os milhafres, a águia-de-asa-redonda, as corujas-do-mato, os mochos, os gaios, os melros, as pegas, as perdizes e tantas outras.

 

Quanto a répteis, é comum ver-se por aqui a víbora-negra, a cobra-d'água, o liscranço e o lagarto. Na parte que diz respeito aos mamíferos, predominam ainda no Larouco, alguns lobos e corços, lontras, fuinhas, coelhos-bravos, texugos, lebres, e javalis com fartura.

 

De entre as espécies referidas, existem algumas, que pela sua importância em termos estritamente conservacionistas - trata-se de espécies em perigo de extinção ou muito ameaçados -, pelas profundas relações que desde há muito mantêm com o quotidiano local e pelo modo como nós próprios as encaramos, merecem ser realçadas. Quantas histórias e quantas lendas se poderão contar, acerca do lobo, animal que desde logo se associa ao agreste da paisagem?...

 

Perseguido por todo lado e dado como extinto em grande parte do continente europeu, esta espécie, ainda vinga por estas paragens. Abatido como predador de gado, sobretudo ovino e caprino, sobrevivendo com dificuldade devido ao desaparecimento da caça maior, outra fonte importante da sua alimentação, e profundamente afectado pelas alterações ocorridas no seu habitat natural, o lobo é de facto uma espécie ameaçada. À fauna selvagem, há hoje também, que acrescentar uma espécie doméstica de elevado valor e que já faz parte da paisagem do Larouco: trata-se do gado barrosão, galego, penato, mirandês e ultimamente alentejano, que ali se encontra, designadamente durante os meses de verão, em regime livre.”

 

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Flora

De natureza granítica e beneficiando de um clima agreste e húmido, as serras plenas de água, desde logo surpreendem pelo vigor e carácter da vegetação que as cobre. A Serra do Larouco, situada a norte da aldeia, forma gigantescos anfiteatros, destacando-se de entre os demais, o Caldeirão, o Castelo do Romão, o Corisco e as Barreiras Brancas.

 

Estes cumes encontram-se muito escalvados, de tal forma, que acima dos 1400 m de altitude, subsistem apenas diversificados arbustos rasteiros, tais como, carquejas, sargaços, tojos, pequenas urzes e fetos.

 

Entre os 1400 e os 1200 m verifica-se já a existência de alguns carvalhos de pequeno porte, alguns vidoeiros, giestas, urzes e mato das mais diversas origens.

 

Até aos 1200 m a arborização é já mais densa, apresentando exemplares de grande porte, espécies arbóreas como o carvalho, o castanheiro, o vidoeiro e o salgueiro, entre muitas outras. Muito mais diverso e menos arborizado, é o revestimento vegetal da Serra da Lagoa, a qual junto ao Rio de Meixedo, nos apresenta uma extensa área de matagal - urze, tojos, giestas, sargaços, carquejas, muitos jungos e um carácter árido, que demonstra a ausência de povoamento humano.

 

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Finalmente, não se pode esquecer que a flora do Larouco, alberga espécies botânicas do maior interesse e que são objecto de acesa discussão, nos vários congressos de medicina popular, organizados na região, com particular realce, para o realizado anualmente no mês de Setembro, em Vilar de Perdizes. Aí se recomendam para o «tratamento» de diversas doenças, os chás de Alecrim, para o combate à asma, falta de apetite, gota, amigdalites e obstrução nasal, de Barba de Milho, para as inflamações e infecções da bexiga, da Flôr de Carqueja, para a tensão arterial alta, pedra nos rins, tosse, diabetes, rouquidão e bronquite, da Erva Cidreira, para os nervos, dores de cabeça e cólicas, do Fel da Terra, para os diabetes, das Folhas de Freixo, para o àcido úrico, colesterol, má circulação e reumatismo, da Flôr da Giesta-Branca, para os diabetes altos, ureia e Infecções da bexiga, das Malvas, para as inflamações da pele e mucosas, infecções e irritações de todo o tipo, da Tília, para o coração, sistema nervoso e insónias, da Flôr da Urze, para a próstata, bexiga e rins e da Uva-do-Monte, para o colesterol «sangue gordo», triglicéridos, diabetes e inflamação da bexiga, entre tantos outras."

 

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