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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Abr16

9 - Chaves, era uma vez um comboio…

800-texas

 

Os comboios também se abatem

Da memória dos comboios aos comboios da memória

 

A primeira imagem que tenho de um comboio não é bem de um comboio mas do meu querido e saudoso pai fardado de militar da GNR agarrado ao corrimão do varandim da última carruagem a sorrir e a ficar cada vez mais pequeno até se transformar numa sombra e depois num ponto e ser engolido pela escuridão do pequeno túnel que atravessa a avenida Nuno Álvares e desaparecer da minha vista enquanto uma nuvem escura de fumo subia no ar e se escutava o apito estridente do Texas a ir-se, pesado e lento, a caminho da Régua.

Depois devo ter ficado triste por algum tempo, que é o normal quando o nosso pai se vai embora e nós temos para aí três ou quatro anos e o mundo nos assusta porque está repleto de aborrecidos e incógnitos adultos e, como se isso fosse pouco, de crianças inoportunas e concorrentes em afetos e brincadeiras.

A minha saudosa e querida mãe deve-me ter pespegado um, dois ou mesmo três beijos bem repenicados e esdrúxulos nas faces, ou na testa, e eu devo ter corrido, como um pardal ferido de asa, numa tentativa de espalhar a angústia que sempre me assaltava, e ainda assalta, nestas ocasiões. Só que agora já não corro porque não fica nada bem a um homem de 56 anos pôr-se a fugir para não chorar quando se despede dos filhos, dos familiares mais chegados ou dos amigos do coração.

 

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 CP0018 - Locomotiva: Não identificada, Data: Não datado, Local: Ponte do Tâmega (Curalha), Portugal, Slide 35mm

 

A seguir devo ter ido a caminho da minha aldeia, para ao pé da minha querida e saudosa avó, brincar junto às margens do rio, sozinho ou mal acompanhado por um primo meu, estouvado de todo, naquele engano de alma ledo e cego que a infância não deixa durar muito.

Peço desculpa por estar para aqui a dissertar sobre a minha infância, que pouco vale, pois o que tenciono mesmo é falar de comboios.

A verdade, verdadinha, é que o comboio e a minha infância de facto coincidiram.

E ambos já se foram há muito tempo, tanto a infância como o comboio, para meu próprio mal e para o mal de todos os flavienses que dele nos socorríamos para nos desembaraçarmos, por algum tempo, dos montes e da nossa condição provinciana, espavorida e aflita.

A minha segunda imagem de um comboio é muito diferente, tanto na perspetiva como na intensidade afetiva. O sentimento é o oposto. Do sorriso do meu pai passa para o choro compulsivo da minha mãe.

Tudo começou em Lisboa quando a minha mãe recebeu um telegrama da família a comunicar que o seu pai, e meu saudoso e querido avô, de quem mal me lembro, estava muito doente e que se o queria ver ainda com vida, pela última vez, tinha de ir com urgência à terra.

 

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 CP0036 - Locomotiva: CP E202, Data: 1974, Local: Tâmega, Portugal, Slide 35mm

 

A notícia provocou nela um terramoto que deu origem a mais de 24 horas de choro ininterrupto.

Se uma coisa a minha mãe conseguia fazer muito bem era chorar. Podemos dizer que tinha essa obsessão. A minha mãe posta a chorar era uma fonte inesgotável de lágrimas, suspiros e lamentos.

Recebeu a dolorosa notícia sentada na mesa da sala de jantar, que partilhávamos, lá para os lados da Rua Presidente da Arriaga em Lisboa, perto do quartel das Janelas Verdes, com uma velha embirrenta, que possuía um gato que eu perseguia obsessivamente (estão a ver, a obsessão é uma herança de família) por causa de ser tão mimado e mijão que me punha os nervos em franja.

Apanhei muita porrada por causa do gato. Mas nunca deixei de o perseguir e de lhe dar alguns amigáveis pontapés sempre que conseguia aproximar-me dele. A maldade, mesmo afetuosa, sei-o agora, desabrocha na infância.

Pois foi nessa mesa que a minha mãe recebeu a trágica notícia e se pôs de imediato a chorar como uma Madalena. Escusado será dizer que também eu comecei a lacrimejar, não tanto porque a morte do meu avô me atingisse muito, pois para uma criança de três ou quatro anos a morte é quase um faz de conta, um processo reversível. Só mais tarde é que nos apercebemos que essa ida é irrevogável.

 

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  CP0004 - Locomotiva: CP E209, Data: Não datado, Local: Régua, Portugal, Slide 35mm

 

Como ia dizendo, a minha mãe começou a chorar e assim continuou toda a viagem de comboio, que, na altura, era a única forma de nos deslocarmos de Lisboa até Chaves em tempo útil.

Viajámos no comboio mais rápido que havia, pelo menos entre Lisboa e o Porto. E a minha mãe sempre a chorar. Lembro-me (Amarcord) que vínhamos sentados do lado esquerdo da carruagem. Do meu pai não me recordo.

Lembro-me (Amarcord) dos assentos de napa castanha, de o céu estar pintado de cinzento, do cheiro a carvão, dos olhos inchados da minha mãe e das suas lágrimas grossas e pesadas. Mas do meu pai não me lembro. Nem uma única imagem. E ele de certeza que vinha connosco.

É assim a memória. Traiçoeira. Seletiva. Apenas dessa forma se justifica a eliminação da imagem do meu pai. Apenas me recordo da minha mãe a chorar e a chorar e a tornar a chorar. E eu a chorar também. Sei que sempre que a minha mãe chorava eu também lacrimejava. E ela vendo-me lacrimejar, pensando que eu não conseguia aguentar a dor da morte do meu avô, pois não sabia que eu lacrimejava apenas por causa de a ver chorar a ela, chorava ainda mais.

O meu pai deve ter vindo toda a viagem calado. Era homem de poucas falas. Muito metido em si. A fumar, uns a seguir aos outros, os seus cigarros sem filtro. A minha mãe nem se preocupou em comprar a água fresca das bilhas de barro para bebermos, nem a regueifa de Valongo e muito menos os rebuçados da Régua. Naquela altura apenas conseguimos saborear o sal das nossas lágrimas. E aquelas eram, asseguro-vos eu, que me fartei de as provar, bem mais salgadas que as mais salgadas águas do mar.

 

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 CP0007 - Locomotiva: CP E209, Data: Não datado, Local: Régua, Portugal, Slide 35mm

 

O comboio transportou-nos, mais a nossa dor, sem um queixume. Também sem um afago. Na verdade, por muito que isso nos tivesse custado na altura, os comboios são bons é a transportar pessoas de um lado para o outro, não a evidenciar sentimentos.

O comboio não chorava, só gemia quando travava nas estações. Cada um é para o que nasce.

Quando chegámos à Torre de Ervededo já as pessoas regressavam do cemitério. O meu avô jazia dentro de uma arca de madeira debaixo de uns bons palmos de terra. Tanta pressa para nada. A minha mãe desmaiou. Dessa vez mesmo a valer. E digo isto porque ela era propensa a ter pequenos desfalecimentos estratégicos, e teatrais, para chamar a atenção. Era muito dada ao drama. Penso que teria dado uma boa atriz.

Chorava com facilidade, desmaiava em bom estilo e pronto desembaraço e também cantava muito bem o fado e outras cantigas românticas, em moda na época. E era muito bonita. Sim, digo isto com alguma vaidade, mas também com muita verdade. A minha saudosa e querida mãe era uma mulher bonita de se ver. E a quem disso tiver dúvidas, aí estão as fotografias para o confirmar.

 

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  CP0009 - Locomotiva: CP E212, Data: Não datado, Local: Não identificado, Portugal, Slide 35mm

 

Posso afirmar, porque é inteiramente verdade, que passei uns dias entre a reza e o choro, entre a tristeza e a desilusão, entre o credo e a salve-rainha. O meu tio mais velho disso se encarregou. E com muito empenho. Por alguma coisa lhe chamavam o Reza. O povo, como todos sabemos, não emprega o seu saber em vão. Tem mais que fazer.

De uma coisa estou certo, e seguro, se forem as orações o que colocam uma alma no Céu, o meu avô está lá sentadinho nas primeiras filas a ouvir o Criador a enumerar as suas memórias eternas. Só não sei é se delas fazem parte os comboios. Mas das minhas fazem parte sim… Senhor. Esta é a prova provada.

Viajei mais algumas vezes com o meu pai e a minha mãe de comboio. Em todas elas, sem exceção, bebemos água fresca das bilhas, adquirimos regueifas de Valongo e chupámos os doces rebuçados da Régua, dos quais arrancávamos os papéis que os embrulhavam com algum custo, pois o melaço era muito pegadiço. E de seguida chupávamos os papéis e os dedos. Naquela altura não havia espaço para as boas maneiras, nem para o desperdício. Eram outros os tempos.

Jovem, e já estudante em Chaves, utilizei o Texas para ir de passeio até Vidago, ou até Curalha, tomar banho junto ao velho moinho. E ainda para me deslocar a Vila Real assistir a algumas reuniões partidárias. A revolução a isso nos convocava.

 

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 CP0013 - Locomotiva: CP E41, Data: Não datado, Local: Não identificado, Portugal, Slide 35mm

 

De uma coisa sou testemunha, os comboios, honra lhes seja feita, eram pouco dados a ideologias: tanto transportavam os reacionários, como os revolucionários e até os indiferentes, que são sempre a maioria. Ao nosso, tal independência, de pouco ou nada lhe valeu. Foi imobilizado e mandado para a sucata sem terem isso na devida conta.

O que o matou foram os tempos modernos e o liberal argumento de que a velocidade e a economia são quem manda em tudo. Como tinha de percorrer serras e montes aos ziguezagues, a velocidade tinha que ser à moda antiga. Mas uma coisa garanto, nele ninguém enjoava. E ali para os lados de Vidago, o nosso patusco Texas até possibilitava, aos mais aventureiros, a possibilidade de irem às uvas e regressarem ainda a tempo de o apanhar novamente em pleno andamento, que era lento e disciplinado.

Na altura da minha juventude revolucionária, o comboio devia de andar um pouco nervoso, intuindo o seu futuro, que todos sabemos não ser futuro nenhum, apesar de já não se mover a carvão, mas sim a diesel e por isso um pouco mais rápido. 

Lembro-me (Amarcord) que ceifou a vida a dois jovens da minha idade, na passagem de nível junto ao Asilo dos Velhinhos, que viajavam dentro de uma carrinha que se lhe atravessou à frente no preciso momento em que ia a passar. Um teve morte imediata e até lhe andaram a apanhar as vísceras espalhadas pelas pedras da linha férrea. O outro, que era quem conduzia o veículo, morreu em pleno voo de helicóptero entre Chaves e o Porto.

 

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 CP0016 - Locomotiva: CP E202, Data: Não datado, Local: Não identificado, Portugal, Slide 35mm

 

O primeiro morava no Bairro Operário, que distava apenas algumas centenas de metros da passagem de nível. O segundo vivia a menos de cinquenta metros.

Mas o drama não conclui aqui. A primeira pessoa que tentou socorrer os jovens era o pai do rapaz que foi esmagado debaixo das latas da carrinha e das rodas de ferro do comboio. E a segunda fui eu que, quando comecei a ver, e a perceber o que via, tive de me virar para o lado para vomitar e chorar.

A fúria do comboio ainda se abateu mais duas vezes nessa passagem de nível sobre dois carros e os respetivos condutores. Ao primeiro, que era vizinho meu, residente no Bairro do Brasileiro, que ficava um pouco mais perto da passagem de nível do que o Bairro Operário, o comboio apenas projetou o seu carro contra um muro. O homem, aflito, mas sem nenhum ferimento, e armado da sua razão, ainda se deslocou à Estação para exigir uma indemnização à CP, ou, quiçá, um carro em condições de andar. Só que a porca saiu-lhe mal capada. Foi ele quem foi considerado culpado do acidente e obrigado a pagar os danos provocados no comboio.

Esse meu vizinho tornou a fazer-se encontrado com o comboio (a cada um a sua obsessão), só que dessa vez na passagem de nível de Vidago. A história repetiu-se: carro para o ferro velho e indemnização à CP. Todos o tentávamos consolar, ele podia dar-se por sortudo, enfim, do mal, o menos. Afinal tinha saído são e salvo dos dois duelos com o comboio. Vão-se os anéis fiquem os dedos.

O segundo abalroado pelo comboio, na passagem de nível do Asilo, foi, curiosamente, pois a história tende a repetir-se, um senhor que morava apenas a cem metros da passagem de nível. O carro também foi para a sucata, como sucedeu às duas viaturas do meu vizinho, mas este abalroado teve menos sorte, apesar de não ter sido esmagado pelo comboio, ficou sem uma das pernas do joelho para baixo. Também ele foi obrigado a pagar os poucos estragos provocados no comboio. Do mal, o menos.

 

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  CP0017 - Locomotiva: CP E205, Data: Não datado, Local: Régua, Portugal, Slide 35mm

 

As duas últimas vezes que andei no nosso extinto comboio foi quando tivemos de ir, eu e a Luzia, trabalhar para o Alentejo. Connosco também foi o João Vasco, tinha nessa altura um ano. A todos nos custou a viagem. Daqui até Alvalade Sado eram mais de 24 horas de viagem. Com esperas longas e desesperantes, pelo menos para um bebé pouco habituado a dormir fora de horas, agora obrigado a estar sem correr e brincar durante um período de tempo dilatado.

Quando chegámos ao Barreiro, o meu filho recusou-se, pura e simplesmente, a entrar de novo no comboio. Metia o pé no degrau da carruagem, recusava-se a subir e berrava como só ele o sabia fazer. Comprei-lhe uma bonita mota de coleção, a ele que naquela altura não colecionava nada, e para mim adquiri o primeiro romance de José Saramago, Levantado do Chão.

Tive de me socorrer da força. Ele, pouco habituado a tudo aquilo, sobretudo ao meu tratamento, começou a chorar e não mais se calou até chegamos perto do destino. Lembro-me (Amarcord) do meu filho vermelho de exaustão a soluçar, já sem forças, apenas envergando a proteção plástica de fraldas, no colo da mãe, também ela desesperada e chorosa.

Isto foi à ida. Na volta, nas férias do Natal, entre o Porto e a Régua, viajando em primeira classe, sobretudo por causa do nosso filho, recordo-me (Amarcord) de ter comprado o Avante, jornal que nunca li, mas muitas vezes adquiri por dever militante, em conjunto com o Bisnau, um periódico humorístico que lia com muito agrado, e de ter colocado a voz da classe operária a servir de capa enquanto lia o Bisnau, embuçado no interior, numa tentativa de provocação serôdia aos ajaezados burgueses que, enluvados com pelica preta e chapéu domingueiro, liam o Comércio do Porto. Nenhum deles, para minha desilusão, reagiu à provocação, ou se sentiu sequer incomodado, ou ameaçado, pois, estou em crer, tinham mais em que pensar.

 

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 CP0019 - Locomotiva: Não identificada, Data: Não datado, Local: Não identificado, Portugal.

 

Depois do Natal lá fomos nós novamente de comboio até Alvalade Sado, com uma interrupção ainda antes de chegarmos a Curalha, para desentupimento da linha, por causa de um deslizamento de terras, motivado pelas fortes chuvadas noturnas.

Nas Pedras Salgadas o comboio teve mesmo de parar, porque tinha havido um descarrilamento com um comboio ascendente que transportava gado bovino. A espera foi tão longa que tivemos de alugar um táxi para nos levar à Régua, para aí podermos apanhar o comboio que nos poderia transportar ao nosso destino. A partir daí a viagem decorreu sem mais percalços.

Viajámos na companhia do meu cunhado e de um outro amigo, na altura ambos a cumprir o serviço militar. Um nos arredores de Lisboa e o outro em Beja.

Foi a esse amigo que ouvi relatar um episódio que a todos nos pôs bem-dispostos. Contou-nos a sorrir que mesmo antes de vir passar o Natal à terrinha tinha acabado de cumprir o castigo a que fora sujeito pelo seu sargento quando um dia, treinando a vara de porcos que tinha a seu cargo, exigiu aos seus subordinados a marcha e outras coisas afins.

 

CP0021.jpgCP0021 - Locomotiva: CP E202, Data: Não datado, Local: Não identificado, Portugal.

 

Foi quando ordenava à vara: “Atenção pelotão, apresentar armas”, que apareceu o seu superior e, assistindo em silêncio ao exercício, no final ordenou ao subordinado: “Caro recruta, pode mandar destroçar o pelotão. E de seguida não se esqueça de passar pelo meu gabinete.”

Dessa vez até o meu filho se riu, enquanto o comboio continuava o seu caminho caras a Lisboa. Passado pouco tempo o comboio que nos ligava à Régua foi extinto.

Anda por aí muita gente a tentar criar associações de defesa disto e daquilo e a tentar salvar as espécies em vias de extinção. Do comboio ninguém se lembrou. Com o abate do nosso comboio ninguém se escandalizou.

 

Deixamo-lo morrer sem apelo nem agravo.

 

Para sempre.

João Madureira

 

*****************************

 

In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt)

Gentilmente cedidas para publicação neste post.

 

 

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