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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

26
Abr16

Intermitências

800-intermitencias

 

Primavera

 

Nada de novo nos últimos meses. Os dias seguiam-se uns aos outros, sem surpresas, rotineiros. Ia para o trabalho, voltava para casa, sempre de cabeça baixa e olhos no chão. Que vida esta, pensava, escravo do trabalho...

 

Nada de novo nos últimos meses. Não tinha feito amigos novos, não tinha conhecido lugares novos, não tinha tido conversas interessantes, não tinha aprendido nada de novo. Ia para o trabalho, voltava para casa, sempre de cabeça baixa e olhos no chão. Que vida esta, pensava, escravo do trabalho e do lugar onde vivo...

 

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 Fotografia de Sandra Pereira

 

“Pode por favor olhar para mim quando lhe falo?”

 

Levantou a cabeça e viu uma bonita senhora servir-lhe o café acompanhado de um belo sorriso. “Não olhe para o chão a não ser que estejam aí as estrelas!”.  Ele agradeceu e decidiu seguir o conselho.

 

Saiu à rua e levantou os olhos. Viu um ceú azul, árvores em flor, pássaros a cantar, cães humidelmente alegres, e rostos de pessoas. Alguns sorridentes, muitos não. Olhou nos olhos cada rosto que se cruzava com ele. Não todos, porque muitos também andavam sempre de cabeça baixa e olhos no chão ou no telemóvel. Mas quando lhe retribuíam o olhar, sentia sempre um arrepio. Parecia que conhecia cada pessoa com que se cruzava, que sabia o que pensavam e sentiam. Pareciam-lhe tão humanos... quanto ele.

 

Sorriu. Era Primavera.

 

Sandra Pereira

 

26
Abr16

Um 25 de Abril em Chaves

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Viva o 25 de abril! O esfoço que eu não faço por ele, pois deixar a caminha logo de manhã em dia feriado é obra, mas, do pouco que há, vale a pena, senão vejamos:

 

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O relógio da torre da Câmara Municipal de Chaves marca as 5H30. Na praça está tudo a postos. Nos palanques os palancáveis, de fato e gravata, e só não botaram medalhas na lapela porque se calha não as têm, mas botaram cravo, tal como diz a canção: “Cravo vermelho ao peito/a todos fica bem/sobretudo dá jeito/a certos filhos da mãe”. Bombeiros formados, a banda começa a tocar o Hino Nacional e os miúdos do coro da Escola Dr. Júlio Martins começam a cantar a Portuguesa, aquela canção patriótica feita contra o ultimato britânico de 1890, de pela Pátria lutar, contra os canhões, marchar, marchar! É assim o nosso Portugal, elogiamos Camões porque canta o tempo glorioso dos descobrimentos e da colonização, cantamos uma canção que foi feita contra os ingleses a apelar à bordoada neles, por se oporem ao mapa cor-de-rosa. Quanto ao 25 de abril, o dia maior da história vivida por nós (os que assistimos a feito em 1974) pouco ou nada se liga e pouco ou nada se faz para o comemorar. Curioso disto tudo é que com tanto feito que vamos buscar ao passado e à monarquia, fomos dar em republicanos.

 

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Mas continuando, depois de cantada a Portuguesa, seguiu-se a canção da gaivota que voava, voava,  e logo de seguida os bombeiros deram ordens de destroçar,  e o pessoal destroçou. A praça que até aí estava cheia de bombeiros, músicos da banda, políticos de cá, crianças cantoras da escola, palancáveis das aldeias e outros,  espaços vazios e uma mão cheia de pessoas, após o destroçar ficou vazia de todo.  Marcava então o relógio da torre da Câmara Municipal as  5H30 da manhã.

 

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Do programa do 25 de abril em Chaves constava ainda, às 10H00 uma Aula de Zumba. Fosse lá o que isso fosse, como quem diz, seja lá o que isso é, suponho que não seja aquela do “Ora zumba na caneca, ora na caneca zumba…”, mas como ainda tinha 4H30 de intervalo pela frente, resolvi tomar um cafezinho, ali mesmo na praça do Duque. Café que me acertou em cheio e quando vou a dar por elas, já eram 10H45 no meu relógio. Lá se foi a aula de zumba e a corrida das 10H30 (também do programa). À corrida da Liberdade/Marcha da Liberdade/Kids Athletic  (isto Kids …também não sei o que é) só já assisti à chegada das mulheres, pois os homens (os primeiros) já tinham cortado a meta.

 

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Para finalizar o programa do dia da Liberdade, para as 15H00 estava marcado um Encontro Municipal de Futsal Infantil. A este encontro falhei, claro,  depois de ter madrugado tanto e de toda azáfama da manhã, após o almoço fiquei a conversar com o sofá lá de casa. Terminada a conversa ainda fui consultar o programa da noite, mas azar o meu, tocou-me uma agenda de eventos  gatada, onde faltam algumas páginas, pois a seguir às 15H00 do tal encontro de futsal, a agenda  passa para dia 28, para umas danças. Pois então, e dado não haver mais nada durante a tarde e noite, resolvida que estava a conversa com o sofá, fui até à minha horta para ver se com o calor do dia nasciam os feijões, mas não, não sei que raio se passa, já os semeei há mais de um mês e não há meio de nascerem. Cá para mim já foram à vida!

 

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Seja como for. Com feijões ou sem feijões, idem para as comemorações,  aqui ficam as imagens mais marcantes, ou a minha seleção de um 25 de abril em Chaves.

 

Viva o 25 de abril!

25 de abril sempre!

 

 

 

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