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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

27
Abr16

Ocasionais - Levado dos diabos!

ocasionais

 

“Levado dos diabos!”

 

“A livre eleição de amos não suprime

 nem os amos nem os escravos”.

-Marcuse

 

 

Qualquer pequenina ou grande coisa boa da NOSSA TERRA, lembrada, divulgada, aplaudida, premiada me toca, me enternece, me envaidece e me deixa reconhecido.

 

Um caravelho, uma cancela; um olmo, uma mimosa; um rego de batatas ou de couves; uma fonte ou um rigueiro; uma «cegonha», um «baldão»; um ninho de andorinha ou a «cama» de um coelho; a sineta de uma Capela ou Igreja ou o Cruzeiro, de qualquer Aldeia; um retrato do arruinado “Jardim das Freiras” ou o de uma desprezada Srª das Brotas; uma ameia do Castelo de Monforte de Rio Livre ou um ramo do pinheiro manso do Castro de Curalha; um Conto, um Romance ou um Poema, seja lá o que for, que traga consigo um cheirinho, um paladar, uma memória de CHAVES  -   “do BARROSO, da VEIGA ou da MONTANHA”   -   da (MINHA) NORMANDIA TAMEGANA (para os distraídos, lembro que o «condado» de Monterrey também é «meu»!) toca-me o coração, faz-me chorar de saudade e dita-me o agradecimento por ter nascido e crescido numa terra de encanto, de aconchego e de sonho.

 

Não. Ela não é madrasta!

 

Os estupores que a tomaram, graças a mentiras e traições, é que a têm arruinado.

 

 Como tem estado bem à vista, ao longo destes últimos anos «democráticos», o Bem Privado de oligarcas e movimentos políticos impera sobre o Bem Comum.

 

Mesmo sem perceberem patavina da doutrina do neo – liberalismo, os pindéricos oportunistas, infectados pelos vírus dessa «malária política», prestam-se, imbecil e ignominiosamente, a propagar essa peste, tirando proveito dessa oportunidade de moinantes.

 

Sim, o «Solar dos Montalvões»; os regatos de Outeiro Seco, as Ribeiras do Concelho, o Jardim das Freiras e o Jardim Público; o desprezo votado aos “Castros”, aos Castelos, às Capelas e a outros Monumentos de inquestionável valor histórico e cultural, a renúncia a Serviços Públicos, e a despromoção do Hospital, a falta de um Pólo Universitário são derrotas e desistências que a população Flaviense não merece, nem nunca mereceu!

 

Estas, e outras, tragédias atingem-na, subordinam-na, inferiorizam-na porque continua a temer a Deus e a adorar o Diabo … em figura de gente!

 

O «fado», o destino, a que outra distinta colaboradora do Blogue “CHAVES” referiu, não é, nem pode ser, não pode corresponder ao «fado», ao destino, que os Flavienses têm estado a viver.

 

É pena, e eu lamento imenso, que este Blogue «de CHAVES», e outros Blogues Flavienses, não cheguem diariamente aos olhos dos meus conterrâneos.

 

Estou certo de que se esses Blogues fossem lidos e comentados em casa, nas Tabernas, nos Cafés, nas Tertúlias… e até na «missa de domingo» (dispenso a do “7º dia”), as consciência dos Flavienses não andariam tão adormecidas, e esses petimetres administradores do Município, travestidos de políticos, empoleirados em galhos mais altos do que a altura dos seus méritos, piariam mais fino e mostrariam menos desrespeito pelos flavienses, pelo seu património histórico e cultural, pela riqueza das suas tradições e «questumes», pela beleza das suas paisagens naturais e pela sua vida!

 

Para tristeza da vida, bastar-me-ia o desgosto que carrego por ver a MINHA (a NOSSA) TERRA desprezada, abusada, maltratada, escarnecida, abandonada e injuriada e «gozada» “franciscanamente” por gente do piorio, sumamente incompetente na direcção dos destinos Municipais, insolentemente desrespeitosa com o seu Património, morbidamente safada nas incontáveis trafulhices com que prejudica o desenvolvimento e a qualidade de vida dos Flavienses.

 

E quando, em qualquer órgão de informação «clássico», em Blogues, em «redes sociais» ou em conversas me falam e mostram as «chagas», cada vez em maior número, com que cobrem A NOSSA TERRA, fico mesmo «levado dos diabos»!

 

A mediocracia que administra e empesta “CHAVES” ultrapassou, desde há muito, a tolerância democrática, a condescendência moral, ou o direito à esmola caridosa de benevolência!

 

Antes morrer com honra que viver com opróbrio!

 

Hoje, nem parece que CHAVES foi trono e púlpito do “Bispo Idácio”!

 

Hoje, até (me) parece que os Flavienses já nem sabem de que terra são!

 

Hoje, até (me) parece que os Flavienses já nem sabem a que terra pertencem!

 

Qualquer labrego politiconeiro lampeiro os «come de cebolada»!

 

Hoje, os Flavienses (a maioria) aí «residentes» até (me) parece que perderam o brio … e o pio!

 

Louvados sejam os, ainda, AÍ «resistentes»!

 

E eu não queria vê-los convertidos no «último mohicano»!

 

A Torre de Menagem, as Muralhas da cidade, a Torre de Santo Estêvão, os Fortes da cidade, o Castro de Curalha e o Castelo de Monforte de Rio Livre dão um corajoso e nobre exemplo do que foi a valentia dos Flavienses, do que pode valer, e vale, a resistência dos «resistentes»!

 

Louvado seja!

 

M., Vinte e cinco de Abril de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

27
Abr16

Chá de Urze com Flores de Torga - 128

1600-torga

 

Montalegre, 11 de Janeiro de 1970

 

Avisado por um amigo de que havia hoje cá na terra uma chega de toiros, meti-me a caminho debaixo dum temporal desfeito, e tanto teimei com a chuva, o vento e o granizo, que consegui chegar a horas de assistir ao combate. E valeu a pena. Se há em Portugal meia dúzia de espectáculos que merecem ser vistos, este é um deles. Primeiro, as bichezas, depois de nove voltas propiciatórias à capela do orago e da sanção da bruxa, a sair dos respectivos lugarejos, rodeadas pela juventude dos dois sexos, enquanto o sino toca a Senhor fora e o mulherio idoso reza implorativamente aos pés do Santíssimo; a seguir, a chegada dos cortejos ao toural da vila, as cerimónias preliminares do encontro — vistoria rigorosa dos animais (não tragam eles pontas de aço incrustadas nos galhos), a escolha do piso, etc.; finalmente turra — os dois bisontes enganchados, cada qual a dar o que pode, no esforço hercúleo de não perder um palmo de terreno, ou ganhá-lo, apenas cedido. Turra que dura eternidades de emoção, e só termina quando uma das bisarmas fraqueja, recua, e acaba por fugir.

 

1600-montalegre (371)

 

Não é, contudo, a luta gigantesca, apesar de empolgante, o que mais diz ao espectador forasteiro. É o halo humano que a envolve, os milénios de ancestralidade que ela faz vir à tona da assistência. Símbolo de virilidade e fecundidade, o boi é na região o alfa e o ómega do quotidiano. Cada povoação revê-se nele como num deus. Vitorioso, cobrem-no de flores; derrotado, abatem-no impiedosamente. Quando há minutos a turra acabou, depois de viver numa tensão de que a palidez de um padre a meu lado era a síntese, toda a falange que torcia pelo vencido parecia capada.

 

Miguel Torga, In Diário XI

 

 

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