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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Mai16

Discursos (emigrantes) Sobre a Cidade

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“Hoje há circo em Trás-os-Montes!”

 

“Viver não custa, o que custa é saber viver!”. Uma das frases marcantes do livro “Hoje há circo em Torgo”, obra do Fernando Morais Castro, aliás do Fernando Dadim, um “flaviense de coração” que, antes de partir do mundo físico, deixou a sua marca perpétua na escrita. E que marca! Hoje emigrada por outras terras, ler a sua obra, além de recompensar o seu árduo trabalho, transportou-me de volta às minhas raízes, ao meu passado, a todas as crenças, costumes, hábitos e velhos ditados da minha terra, Trás-os-Montes. Lê-lo despertou em mim tanta emoção, sorrisos e saudade, que não posso deixar de lhe dedicar um espaço nos Discursos (Emigrantes) sobre a Cidade.

 

Ao regressar ao Trás-os-Montes dos anos 50, quando as crianças iniciavam a aula com o cantar do Hino Nacional, este é (também) um livro sobre a vida. E o que era a vida na nossa região, dentro de um país salazarista com necessidade de mudança de regime? “é a comédia que representamos, e mesmo quando nos possamos embebedar é o momento em que assumimos essa nossa condição de comediantes que a sociedade permite”.

 

Neste “circo da vida”, mergulhamos nos costumes, virtudes e pecados transmontanos, que explicam o que somos hoje e que até persistem, apesar do “progresso” que na altura gerou tanta desconfiança e cepticismo. “Não credes em nada, ainda acabais por deitar tudo a perder!”, aconselha-se em mais uma comédia portuguesa do “rir para exorcizar”.

 

Fernando Dadim na Biblioteca Municipal de Chaves,

 Fernando Dadim na Biblioteca Municipal de Chaves, em Junho de 2011 - Fotografia de Sandra Pereira

 

Aqui, nesta Vila Pequena que parece Chaves e neste Torgo que parece uma das nossas aldeias, também se percebe como os temas tabus – divórcio, homossexualidade, aborto, infidelidade e libertação da mulher – eram discutidos, em surdina, numa sociedade profundamente dividida em classes e baseada em aparências, muitas vezes com métodos “pouco católicos”, como explica a personagem Gualter a um visitante francês: “Os lisboetas dizem que nós, os transmontanos, somos os sicilianos de Portugal”. Com uma particularidade: “honestidade, honra e lealdade nos negócios privados, mas no que diz respeito à lealdade ao Estado impera o princípio: o que é de todos não é de ninguém!”.

 

Recordo-me bem ter estado presente na apresentação desta obra, em Junho de 2011, na altura como jornalista da “Voz da Chaves”. Apenas sete meses depois, em Março de 2012, Fernando Morais Castro, o “leitor mais assíduo da Biblioteca de Chaves”, voltaria a marcar presença, sempre nesse mesmo espaço, para apresentar a sua terceira obra, “O Suicídio dos Pássaros”, (a estreia seria com “O Enjaulado”), que desta vez retrataria os vícios e virtudes dos jovens flavienses marginalizados da sociedade.

 

Ler Fernando Dadim soa tão familiar, que é imprescindível para as gerações mais jovens entenderem a sua história e identidade, além dos preciosos relatos e legados dos mais velhos. Ler os nossos escritores transmontanos regala-nos e enche-nos a alma, deixa-nos seguros que o nosso passado define o nosso carácter e que, em qualquer época, sempre podemos sonhar.

Sandra Pereira

 

 

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