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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

07
Mai16

Santiago do Monte e Companhia...

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Nem sei por onde começar. É sempre assim quando vou pelas aldeias e é sempre assim com as trago aqui ao blog, e o porquê é muito simples - é tudo uma questão de sentimentos.  Posto assim o problema pode parecer fácil de resolver, pois é só uma questão de dar liberdade a esses mesmos sentimentos e eles começariam a fluir em escrita. Pois, só que, quando os sentimentos são contraditórios, aí tudo se complica.

 

1600-santiago (223)-1

 

Antes de começar a escrever este post trazia na algibeira meia dúzia de palavras que me poderiam servir de mote. Esbarrondar, amor, partir, abandonar, resistentes, saudade, tristeza, solidão, recordar, revolta, ingratidão… e até sei onde as usaria, mas com nenhuma conseguiria transmitir aquilo que verdadeiramente se sente, ou sinto, quando vou pelas aldeias e quando as trago aqui ao blog.

 

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 Imagem de arquivo do ano de 2008

Estive para começar pela palavra esbarrondar por ser o verbo que mais oiço conjugar pelos resistentes. O esbarrondar das casas e veio-me depois à lembrança o provérbio:  "A casa é a sepultura da vida". Um provérbio que dá para pensar e foi nesse mar de pensamentos que me perdi para arranjar as palavras deste post. Mas cheguei a algumas conclusões, e uma delas,  é o amor que as casas têm por nós, tanto quanto o amor que nós temos por elas, e quando esse amor deixa de ser correspondido, ou lhe retiram a vida que abrigavam, sente-se abandonadas, desamadas, entristecem, desleixam-se, deprimem-se e esbarrondam-se, que é como quem diz – morrem – e transformam-se na sua própria sepultura.

 

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 Imagem de arquivo de julho de 2015

Vem-me agora à lembrança um poema do nosso grande poeta na pessoa de Álvaro de Campos, precisamente um que se refere à vida e à morte, mas de gente,  e que a página tantas diz: “(…) Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!/Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém…/ sem ti correrá tudo sem ti./”. Se com a gente assim é, com as casas não, e tudo será diferente sem as casas no sítio em que nasceram, sem as pessoas lá dentro, sem vida. Mas bem pior que a morte de uma casa, é a morte de outra casa, a sua vizinha, e depois outra e depois a seguinte, como um mal que se pega e que leva tudo a eito. E isto já não é ficção, começam a ser palavras de um mundo que acabou.

 

1600-santiago (226)

 

Mas vamos então até à nossa aldeia de hoje, onde os sinais dos novos tempos cada vez se acentuam mais, onde as casas começaram a morrer, tal como na grande maioria das nossas aldeias, principalmente as de montanha e lá diz o povo “o mal de muitos consolo é” mas convém não esquecer que o mesmo povo também diz “Mal de muitos, triste consolo”.

 

1600-santiago (129)

 

Penso que ficou bem explicada a tal contradição de sentimentos nesta coisa de ir pelas nossas aldeias e de as trazer aqui ao blog, e nem é tanto pela morte das casas, pois outras poderiam nascer no seu lugar, mas antes, e aí sim lamento e todos iremos lamentar, pela morte da cultura de um povo, das suas tradições, dos seus saberes, da sua genuinidade e singularidade.

 

 

07
Mai16

Pedra de Toque - Há pessoa que...

pedra de toque.jpg

 

HÁ PESSOAS QUE…

 

Há pessoas que não se deixam adivinhar.

Escondem-se no mistério, envolvem-se no enigma.

Revelam-se inteligentes, transpiram sensibilidade, mas receosamente não se mostram.

Escrevem com oportunidade, e com frequência colocam beleza nas palavras com que comentam.

Não despem contudo a capa em que se embuçam e com que se cobrem.

Parecem sofridas, de mal com a vida, não resolvidas, incapazes de procurarem mundo, de ultrapassarem certo desencanto que se pressagia.

Inebria-as a neblina, o breu, o cair da noite nas cidades.

Deixam murchar as flores que colhem, o sorriso que muito timidamente se vislumbra na boca, nos olhos.

Não permitem que se vejam as suas carências as suas dores por falta de afectos, por ausência de ternura.

Perante essas pessoas, qual marinheiro em mar revolto, eu sinto uma vontade indómita em navegar para a descoberta.

Palpita-me que por detrás de todos os véus, essas gentes estão com fome da justiça possível, do colo sereno e repousante onde se pode dormir e desdormir.

E claro, está sempre o desejo contido do amor, nem que seja por meros instantes, mesmo que ele “só seja eterno enquanto dure”.

Parafraseando-o, com a devida vénia, direi como sociólogo polaco Zigmunt Bauman, “o amor é mais falado que vivido e por isso vivemos num tempo de secreta angústia”.

António Roque

 

 

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